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Terror//Insurgência

 

TERROR: A Bola da Vez.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, setembro de 2006.



A Al-Qaeda mandou avisar aos seus simpatizantes que a bola da vez é o rei jordaniano, Abdullah II, o homem que, por vontade testamentária do pai morto e surpresa do tio preterido, ocupa o trono hachemita desde fevereiro de 1999.

O segundo da lista dos marcados para morrer continua sendo o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no poder desde 1981. De perfil filo-americano, segundo os radicais árabes, Mubarak é velho alvo da Irmandade Muçulmana, reprimida pesadamente na última tentativa de manifestação pública ocorrida em 2005, no Cairo.

Como os al-qaedistas também acreditam que a ordem dos fatores não altera o produto, pode-se concluir que Abdullah e Mubarak devem reforçar as suas blindagens, não abrindo oportunidades para se transformar em alvos fáceis.

Na geoestratégia traçada por Al-Zawahiri, segundo na hierarquia da Al-Qaeda, a eliminação de Abdullah II tornou-se prioritária e o momento é apropriado pela forte tensão entre o monarca e seus adversários políticos. Esses, disfarçadamente, apóiam a facção terrorista fundada pelo falecido Abu Musab al-Zarkawi.

Nascido na cidade jordaniana de Zarka, o terrorista Al-Zarkawi chegou a virar chefe da Al-Qaeda no Iraque e, em junho passado, aviões norte-americanos bombardearam com o sucesso almejado a casa onde estava, próximo à cidade iraquiana de Baquba.

Antes de partir para o vizinho Iraque, Al-Zarkawi deixou estruturada e com planos de ação traçados a célula terrorista jordaniana que já explodiu 60 turistas estrangeiros hospedados em hotéis de luxo no país.

Para Al-Zawahiri, a morte de Abdullah II colocaria a Jordânia em guerra civil, sem perder de vista o fato de o herdeiro do trono, que leva o nome do avô, Hussein, ter apenas 12 anos de idade. Uma convulsão intestina abriria, na visão de Al-Zawahiri, brechas para o terrorismo fundamentalista instalar-se na fronteira entre a Jordânia e Israel, como sucedeu no sul do Líbano com o Hezbollah. Como a meta é varrer Israel do mapa, fixar-se na fronteira conta muito.

Para os serviços de espionagem dos EUA e Israel, a facção terrorista jordaniana, para cumprir a sua meta de enfraquecer Abdullah II, chegou a receber pequena parte dos 2 milhões de dólares fornecidos pelo Irã às organizações extremistas que se opunham ao colóquio de Camp David, em 2000.

A posição do ideólogo da Al-Qaeda, trocando em miúdos, consiste em colocar fim à resistência da Jordânia em ingressar na Jihad pilotada pela dupla Al-Zawahiri e Bin Laden.

Até para sobreviver, os reis da dinastia hachemita, Hussein e Abdullah II, uniram-se aos norte-americanos. Em 1994, o rei Hussein e o então premier israelense Yitzhak Rabin, assassinado em novembro de 1995 por um fanático religioso da direita política, celebraram um tratado de paz.

Como EUA e Israel têm interesse em não deixar a Jordânia virar um Líbano ou um Iraque, os seus serviços secretos repassam informações aos 007 incumbidos de evitar surpresas para Abdullah II.

Hoje com 46 anos, Abdullah II foi educado na Inglaterra e nos EUA. Problemas não lhe faltam na pequena Jordânia, um arremedo de monarquia parlamentarista, onde o rei escolhe o chefe do governo, ou seja, o primeiro-ministro.

A oposição a Abdullah II cresceu em razão de mais da metade da população ser composta por refugiados palestinos, chegados ao país por ocasião das guerras árabe-israelenses (1948-1949 e 1967) e das chamadas guerras do Golfo (1990-1991 e 2003-2004). Para ter uma idéia, a Jordânia conta com 5,5 milhões de habitantes e 78,7% da sua população vive na zona urbana. Predominam os islâmicos sunitas (96,6%) e os cristãos, que não ultrapassam 3,4%.

Em fronteiras sem fiscalização, terroristas penetram na Jordânia pela Arábia Saudita, Iraque, Síria e Egito. A economia do país está claudicante e o petróleo produzido é insuficiente para o abastecimento interno. Uma das principais fontes de riqueza é o turismo, explorado em face das velhas ruínas da cidade de Petra e dos balneários.

Para secar a fonte de ganhos com o turismo, o terrorismo priorizou ataques espetaculares contra visitantes estrangeiros. Há pouco, dois camicases do grupo de Al-Zarkawi (eram três, mas uma mulher desistiu no último momento e delatou o sucedido), entupidos de bombas nas vestes, explodiram hotéis turísticos em Amã, a capital, com dezenas de mortos e centenas de feridos.

Na segunda-feira 5, um terrorista abriu fogo, também em Amã, contra um grupo de estrangeiros em visita às ruínas do anfiteatro romano. O ataque surpreendeu os policiais locais. Baleado, um turista inglês morreu e seis outros, de diferentes nacionalidades, ficaram gravemente feridos.

Antes de atirar no grupo de turistas e na guia jordaniana que os acompanhava, o terrorista, nascido na cidade natal de Al-Zarkawi, gritou “Alá é grande!”.


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