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Terror//Insurgência

 

TERROR: Clones de Bin Laden, pós 11 de setembro.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, setembro de 2006.



Pelas repetidas conversas, todo balcão de bar sabe que o mundo mudou depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001, promovidos pela Al-Qaeda, uma organização terrorista de matriz wahabita, governada pelo saudita Osama bin Laden. E em todo setembro, com livros nas praças, as chamadas teorias conspiratórias são renovadas, sob fundamento de novas evidências ou provas: Pentágono alvejado por um míssil, presidente Bush avisado antecipadamente etc. etc. etc.

Bin Laden é adepto do fundamentalismo introduzido, no século XVIII, pela doutrina wahabita. Para Al-Wahab, o islamismo sofria uma degradação e necessitava voltar às origens. Ele impôs uma interpretação literal do Alcorão, recriminou a veneração excessiva ao profeta Maomé, proibiu o culto aos homens santos e negou o poder de intermediação deles junto a Alá. O wahabismo baniu a música, a dança, o álcool e o fumo. Quanto à mulher, considerou-a inferior ao homem, sujeita à lapidação no caso de adultério.

A tragédia do 11 de Setembro provocou uma nova tensão no planeta. Bin Laden virou o inspirador de todos os atentados de grupos terroristas islâmicos radicais. Na condição de líder moral do terror, produziu milhares de almas e cérebros gêmeos.

A Al-Qaeda cultua e divulga uma ideologia autoritária, expansionista, violenta, belicosa, messiânica e marcada pela ambigüidade do seu líder maior. Nos anos 80, Bin Laden associou-se à Central Intelligence Agency (CIA) na luta pela expulsão dos soviéticos do Afeganistão.

No Iraque, e para acabar com os xiitas que considera heréticos, ele colocou combatentes da Al-Qaeda para engrossar as fileiras do “Exército de Maomé”, fundado por Saddam Hussein e formado por milícias sunitas do partido iraquiano Baath.

Zawahiri, de médico a doutrinador da Al Qaeda.


A prisão de Saddam levou Bin Laden a apostar as fichas no grupo de Abu al-Zarqawi, que morreu com o título de chefe da Al-Qaeda no Iraque.

Uma outra face do 11 de Setembro revela que os 007 das agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido foram obrigados a trocar a língua russa pela árabe. No desespero, essas agências saíram em busca de novas tecnologias, pois seus 007 não estavam preparados para enfrentar o terrorismo internacional: em cinco anos, não conseguiram prender ou chegar perto de Bin Laden.

As mudanças havidas levaram Frederick Forsyth, autor da célebre obra O Dia do Chacal, a escrever um livro sobre a nova arapongagem: O Afegão. Neste setembro, a obra estará sendo lançada na Europa.

No cinema, restou um tipo de 007 já saído de cena na vida real: Goldfinger (1964) e Os Três Dias do Condor (1975), estrelados por Sean Connery e Robert Redford. O mesmo pode ser dito de alguns bons de bilheteria, como Intriga Internacional (1959), Chamada para um Morto (1966), A Casa da Rússia(1990) e o Alfaiate do Panamá (2001).

Os governos Bush e Blair, por meio de suas agências de contra-inteligência, preferiram, nos últimos cinco anos, encobrir o despreparo com a difusão de falsas notícias. Produziram um clima de intranqüilidade.

Esse clima permitiu aos órgãos de inteligência receberem “carta branca” para ignorar direitos e garantias individuais. E aos 007 foram conferidas “licenças” para seqüestrar, matar ou prender, sem comunicar à Justiça.

No campo acadêmico, a derrubada das torres gêmeas e os ataques terroristas em Madri e Londres reabriram as discussões sobre a expressão “fascismo islâmico” e os derivados “franquismo islâmico” e “nazismo islâmico”.

O termo “fascismo islâmico” apareceu no livro Terror e Liberalismo, publicado em 2003 pelo norte-americano Paul Berman. Essa expressão acabou repetida pelo presidente Bush em agosto deste ano, quando soube que a inteligência paquistanesa e a inglesa haviam abortado um plano terrorista voltado à derrubada, em pleno vôo, de dez aviões de companhias norte-americanas.

Berman sustenta que a expressão é histórica e lingüisticamente correta: “O extremismo islâmico, como o totalitarismo europeu dos anos 90, baseia-se em mitos. De um lado, vislumbra-se um povo justo e probo e do outro uma conspiração cósmica de inimigos estrangeiros e forças internas, obscurantistas e opressoras”.

Segundo Berman, Mussolini e Hitler desejavam recriar o Império Romano. Já o Generalíssimo Franco, com o Movimento Cristo-Rei, almejava o retorno à época das cruzadas católicas da Idade Média. Quanto aos jihadistas islâmicos fundamentalistas, procuram restaurar a idade de ouro no tempo do Califado do sétimo século.

Como se percebe, o 11 de Setembro produziu gêmeos de Bin Laden, sempre avessos a valores positivos da sociedade moderna: democracia, pluralismo, tolerância religiosa etc.


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