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TERROR: Guerra Psicológica no Iraque. O general George Casey é o comandante-em-chefe.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

-OLHO

Com a eliminação de Zarqawi, os EUA reconquistama supremacia no teatro de operações midiático.Mas um novo líder da Al-Qaeda já assumiu seu posto. ARTIGO
George Casey, comandante-em-chefe das tropas americanas no Iraque.



Com a eliminação espetacular do jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, – que em árabe significa “azul” –, os norte-americanos e os seus aliados na invasão do Iraque conseguiram reconquistar a supremacia na guerra psicológica travada contra a chamada Al-Qaeda da Mesopotâmia.

Essa guerra é tocada na base da propaganda e de permanentes tentativas de manipulação da mídia internacional. A reviravolta começou no fim de 2005, quando o serviço de inteligência norte-americano aproximou seus generais dos líderes rebeldes sunitas, não ligados à Al-Qaeda e incomodados com o protagonismo de Zarqawi.

Em paralelo à abertura de diálogo, constituiu-se a Task Force 145 para dar cabo de Zarqawi, chamado de Cortador de Cabeças pelos invasores e titulado Príncipe do Iraque, por Osama bin Laden.

Na operação de eliminação de Zarqawi, consumada na quarta-feira 7, a Task Force poderia ter tentado capturá-lo vivo, mas para efeito da guerra psicológica isso não interessava. E os serviços de inteligência logo espalharam que Zarqawi nunca tirava uma cinta com explosivos para, caso fosse surpreendido, levar consigo vários dos inimigos.

Os especialistas que se debruçam na análise do fenômeno do terrorismo alertam que os líderes das organizações precisam propagar as ações violentas. Daí dizer que, no preparo dessas ações, eles sempre pensam nos jornais, pois a barbárie vira notícia de primeira página. O mesmo pode-se concluir a respeito das forças antiterror que carecem de propaganda para desmoralizar o inimigo e para oferecer ganhos políticos aos dirigentes maiores, caso de Bush.

Depois da invasão inicial do Iraque quase sem resistência, da prisão de Saddam Hussein num buraco e da supressão em tiroteio dos seus filhos Uday e Qusay, houve uma mudança no campo da guerra psicológica, cuja vantagem ficou com os extremistas fundamentalistas.

No Iraque, além da feroz insurgência sunita, surgiu o grupo liderado por Zarqawi, que obteve “franquia” da rede da Al-Qaeda e vantagens psicológicas pelas ações impactantes: homens-bomba, explosões de comboios militares, seqüestros de jornalistas e empresários, decapitações a sangue-frio, assassinatos de líderes religiosos xiitas etc.

Nesse quadro, a Al-Qaeda mostrou capacidade para, em poucos dias, divulgar preocupantes fitas de vídeo, muitas delas exibidas pela internet ou pelo canal televisivo da Al-Jazzira.

No início de 2006, colocou-se o nome de Zarqawi diariamente na mídia, atribuindo-lhe a condição de ser o principal líder da guerrilha. Essa foi a primeira “isca” inteligente americana, que Zarqawi engoliu soberbamente.

O próprio Zarqawi, empolgado, preparou um vídeo para se exibir como líder único da Jihad no Iraque. Para atiçar ainda mais os grupos sunitas rivais, espalhou-se a notícia de que Zarqawi pretendia fundar um “exército islâmico”.

Na elaboração e difusão do supracitado vídeo promocional, Zarqawi começou a deixar pistas, que o serviço secreto jordaniano aproveitou para identificar regiões e nelas buscar colaboradores remunerados. Então, teceu-se uma rede de informantes iraquianos, esses responsáveis pela identificação e pelos assassinatos de financiadores do grupo de Zarqawi: os recursos começaram a minguar para a Al-Qaeda da Mesopotâmia.

Como parte da estratégia posterior àquela do enaltecimento de Zarqawi, para irritá-lo e motivar os seus opositores, a inteligência norte-americana preparou outra isca, também abocanhada. Difundiram-se então imagens e fotos que mostravam, falsamente, que o terrorista não sabia manejar metralhadora nem disparar pistolas automáticas. Isso enfureceu Zarqawi, que se mexeu em busca de contatos para uma resposta, tornando-se visível e vulnerável.

Com a eliminação bem planejada de Zarqawi, as forças invasoras anglo-americanas retomaram a dianteira na guerra psicológica e souberam responder ao manifesto divulgado pela Al-Qaeda, que prometeu abalar e tirar o sono dos adversários.

O general americano George Casey, responsável pelo comando das tropas no Iraque, quebrou o impacto psicológico objetivado pela mensagem e produziu uma frase de efeito: “Sabemos que os terroristas procuram realizar aquilo que proclamam e já estamos em alerta”.

Para as novas batalhas, já está em campo o herdeiro de Zarqawi, que é Abu Hamza al-Muhajir, apresentado como mujaher, ou seja, um imigrante no Iraque.

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IBGF,19 junho 2006.


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