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ESPIONAGEM e TERROR: CIA sob nova direção e as pistas sobre Bin Laden.

Por IBGF/WFM

Para acertar as contas com o terrorista Osama bin Laden, a Central Intelligence Agency (CIA), fundada em 1947, passa, sob o governo Bush e em menos de um ano, por uma segunda reengenharia administrativa, necessária pelos fracassos na luta contra o terror e depois do terremoto provocado pelos falsos informes sobre arsenais secretos e armas de destruição em massa de Saddam Hussein.



Além disso, a CIA participará, no mês de julho, da Operação Sul. Trata-se de um plano militar da Otan, com tropas holandesas, canadenses e britânicas. A meta é evitar que o sul do Afeganistão, ao redor de Kandahar, vire outra Bagdá.

A Operação Sul conta com o nihil obstat dos 26 países que integram a Aliança Atlântica. Na operação de julho, pós-inverno, serão empregados de 4 mil a 5 mil homens, dos 20 mil que servem na Otan.

A gota d’água para as mudanças na CIA verteu do complexo imobiliário de Watergate, em Washington. Aquele mesmo onde, em 1972, os espiões do republicano Richard Nixon, concorrente à reeleição, grampearam os telefones do comitê de campanha presidencial do Partido Democrata.

Os agentes da confiança de Porter Goss, diretor-geral da CIA convidado a pedir demissão na sexta-feira 5, reuniam-se no Watergate. Tudo com a plena certeza de que o prédio jamais voltaria a despertar suspeitas de novamente virar um viveiro de arapongas.

Sem que Goss soubesse, a nata da CIA usava o Watergate para jogar pôquer e receber meninas de programa. Enquanto as faunices rolavam, a direção da CIA informava que Bin Laden “tava quase na mão”, ou melhor, no Paquistão, próximo à fronteira com o Afeganistão, na região de Waziristan, ao norte.

Não demorou para o general Michael Hayden, lotado na área de Inteligência da Casa Branca, perceber que a faixa de fronteira referida é porosa e conta com 2.413 quilômetros de extensão. Ou seja, nada fácil para achar Bin Laden, que está em lugar incerto desde a invasão do Afeganistão, em 2001, ocorrida depois que o xeque Mohammed Omar, um dos seus vários sogros, negou-se a entregá-lo.

As informações da CIA não coincidiam com as fornecidas por outras fontes dos serviços de inteligência. Para o serviço secreto do Paquistão, por exemplo, o esconderijo de Bin Laden fica na região de Kunar, próximo à linha de fronteira.

Por Bush, a apresentação pública do novo diretor da CIA, general Hayden.


Na sexta-feira 5, um helicóptero Chinook CH-47 foi abatido em Kunar, durante uma operação de caça aos talebans, batizada de Leão das Montanhas: morreram dez soldados norte-americanos que estavam a bordo. Com relação a helicópteros abatidos por mísseis, foi a segunda grande perda. A anterior ocorreu em 2005, com 16 militares mortos, todos do Exército dos EUA. A inteligência francesa pensa estar Bin Laden numa zona tribal paquistanesa, o que significa que ele se encontra blindado. Ainda ao tempo de Goss, a CIA trabalhava com fontes anônimas, que revelaram que Bin Laden estaria em Karachi ou Quetta, no Paquistão, ou ainda em uma nave em permanentes deslocações e aportagens diárias no Mar da Arábia.

O recém-defenestrado Porter Goss, de 61 anos e milionário, dirigiu a CIA por quase dois anos. Na sua carreira de araponga, serviu por dez anos na América Central, como bem sabem os sandinistas. Ele conseguiu eleger-se deputado pelo Partido de Bush, que o convidou para a direção da CIA, depois de integrar a Comissão de Inteligência da Câmara. Dócil, Goss aceitou a perda de atribuições e submeter-se hierarquicamente a John Negroponte, que assumiu, há um ano e com calafrios de medo por parte de Bin Laden, o novo e eficientíssimo Serviço Nacional de Inteligência.

Negroponte atuou como embaixador na ONU e no Iraque. Na semana passada recebeu de John Bolten, chefe-de-gabinete de Bush desde abril e filho de ex-araponga da CIA, a tarefa de indicar um substituto para Goss, que perdera o controle disciplinar dos agentes e analistas da instituição. E, para o posto de diretor da agência, Negroponte deslocou o mencionado general Hayden.

Além da cabeça de Bin Laden, Hayden terá de integrar e infiltrar seus agentes em regiões afegãs controladas pelos denominados ACM, ou melhor, “anti-coalition militants”. Os ACM de lá são os senhores da guerra, as milícias formadas pelos traficantes de heroína, os grupos armados e de islâmicos independentes das antigas madrassas (escolas religiosas fundamentalistas de matriz sunita), os bandos de criminosos comuns, os talebans sob ordens do xeque Omar e os terroristas da Al-Qaeda.

Como Hayden sabe, os camponeses do sul só contam com o ópio bruto como fonte de subsistência. Mais de 80% do ópio extraído dessa região abastece a Europa.

Ao que parece, o pôquer acabou e as salas do Watergate, anteriormente ocupadas pelos cabeças da CIA, já devem estar disponíveis para aluguel.


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