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Terror//Insurgência

 

MISSÕES suicidas.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

A organização terrorista separatista conhecida por Tigre Tâmil, ativa no Sri Lanka e ramificada pela Índia Meridional, foi a que mais promoveu ataques suicidas nos últimos anos, com o emprego de mais homens do que mulheres. A propósito, nos anos de 1991 e 1993, duas tigresas tâmeis foram para os ares junto com dois primeiros-ministros, ou seja, Rajiv Gandhi, da Índia, e Ranasinghe Premadasa, do Sri Lanka.

Até agora, nenhum filho de líderes terroristas candidatou-se a servir de homem-bomba.


Atrás dos Tigres Tâmeis em detonações suicidas vêm os terroristas fundamentalistas islâmicos ligados ao Hamas e ao Hezbollah. Para ter idéia, entre 1982 e 1998, essas organizações promoveram mais de 50 “missões suicidas”.

Depois dos ataques às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, é difícil imaginar a existência de organizações terroristas de matriz fundamentalista islâmica sem suicidas.

No momento, o Ocidente ofereceu ao terrorismo internacional uma nova e destruidora arma, isto é, as charges dinamarquesas ofensivas ao profeta Muhamad. E, na véspera do carnaval, a famosa jornalista italiana Oriana Fallaci, que vive e trabalha nos EUA há mais de 20 anos, prometeu divulgar uma nova charge do profeta, tudo para demonstrar a sua disposição de não renunciar à liberdade de expressão.

Oriana vai mostrar, com desrespeito e absoluta falta de oportunidade, o profeta Muhamad com as suas 16 concubinas, 9 esposas e um camelo usando burka. A última das esposas é uma criança, objeto de matrimônio contraído quando já ancião.

Em menos de duas semanas, Oriana repetiu a provocação do seu conterrâneo Roberto Calderoli, ministro exonerado pelo premier Silvio Berlusconi. Calderoli compareceu a uma cerimônia pública vestindo camiseta estampada com uma daquelas charges dinamarquesas. A reação mais marcante pelo seu comportamento insano foi na Líbia, com o consulado italiano de Benghazi incendiado e 14 mortes.

Até o episódio Calderoli, o premier italiano pisava em ovos, até para não causar estrago maior à equivocada remessa de tropas ao Iraque. Tanta cautela fez Berlusconi deixar de comparecer ao velório do padre Andrea Santoro, morto a tiros na Turquia quando celebrava missa.

Churchil: enganou até o Laurence da Arábia, um agente secreto britânico que levou a promessa da criação de um grande Estado Árabe, em troca de levantes contra o IMpério Turco-Otomano.


O autor dos disparos foi um fanático islâmico de 16 anos, que se afirmava perturbado pelas charges. Santoro foi velado como mártir da Igreja e Berlusconi teve de engolir, em plena campanha eleitoral, o pronunciamento do papa Bento XVI: “O padre Andrea, com a morte, contribuiu à causa do diálogo entre as religiões e à paz entre os povos”.

O emprego de ações suicidas foi marcante no século XIX e misturava, dependendo do lado, horror e fascínio. Os anarquistas cansaram de usar homens-bomba e, como tinham de deixar os explosivos ao lado das vítimas, quase não escapavam às detonações. Os fascistas espanhóis não titubearam em explodir inocentes por ordem de José Primo de Rivera. Na Segunda Guerra Mundial, os japoneses conseguiram recrutar 2 mil camicases, sem esquecer o papel central desempenhado pelo suicídio-heróico na tradição cultural desse povo.

Boris Savinkov, responsável pela ala combatente do Partido Social e Revolucionário Russo, relatou que os jovens militantes competiam para conquistar a honra de morrer pela causa abraçada, sem qualquer recompensa. Ao contrário, o terrorismo islâmico oferece aos voluntários a certeza de que as suas famílias receberão assistência financeira.

Os terroristas sabem que o Alcorão não permite o suicídio, mas, numa chave fundamentalista de leitura, destaca ser dever do fiel combater e morrer por Alá e pelo Islã. Os suicidas possuíam baixo nível intelectual e, até o momento, não se tem notícia de filhos de líderes terroristas terem se inscrito para essas missões.

Por último, não foram as charges dinamarquesas que produziram os maiores estragos. As produções gráfica e intelectual de Winston Churchill estão na raiz do conflito no Oriente Médio.

homem bomba da Jihad Islâmica, braço camuflado e armado do Hamas.


Para destruir o Império Otomano, que durou de 1516 a 1917, os ingleses, ex-protetores dos sultões turcos do petróleo, prometeram um enorme Estado árabe, do Golfo Pérsico ao Mediterrâneo. Bastava aos árabes se rebelarem contra os turcos, o que efetivamente ocorreu. Aos judeus, desejosos de recuperar o Sion (nome judaico dado à Palestina), de onde tinham sido expulsos, os britânicos ofereceram um Estado nacional, conforme a Declaração de Balfour, nome do primeiro-ministro britânico da época.

Terminada a Primeira Guerra Mundial, com os árabes traídos pelos britânicos e a suspeitar dos judeus de participação no engodo, declarou Churchill: “Criei a Transjordânia com um movimento de minha caneta, em uma brilhante tarde de domingo. E ainda tive tempo de pintar a maravilhosa vista de Jerusalém”.


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