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Terror//Insurgência

 

MÁFIA e TERRORISMO.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

Osama bin Laden, chefe do terrorismo neowahabita, e Bernardo Provenzano capo dei capi da Cosa Nostra siciliana, emplacaram mais um ano longe das grades e dos tribunais.

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O primeiro deve ter-se divertido muito em 2005 com as confusões da dupla Bush-Blair, os programas da Al-Jazzira e o medo do premier Berlusconi, que já deve ter comprado todo o estoque de fraldões das imediações do Palazzo Chigi, transformado em palco cênico para comédias bufas, despachos e escritório onde confunde o público com o privado, no mais descarado conflito de interesses desde os tempos, antes de Cristo, do último rei etrusco de Roma.

Provenzano está foragido há mais de 40 anos e a polícia só tem uma fotografia sua, da época do alistamento militar. Ele só saiu da Sicília para ser internado num hospital em Marselha, com problemas na próstata. De posse dessa informação, o Ministério Público e a polícia italiana, no curso de 2005, correram a Marselha, convocaram os agentes de inteligência da França e descobriram que Provenzano havia passado pelo hospital fazia cinco anos. Bin Laden, depois do covarde ataque ao World Trade Center (WTC), em 11 de setembro de 2001, continua nas montanhas, cavernas e deserto, ora no Afeganistão, ora no Paquistão.

Os agentes da CIA e os militares não conseguem comprar informações sobre a sua localização. Aliás, não conseguem atrair nem a simpatia dos camelos do deserto. Quando deseja, Bin Laden transmite mensagens por meio de vídeos transmitidos pela Al Jazzira. Recentemente, propôs um acordo ao governo norte-americano, onde a Al Qaeda tomaria conta do Iraque e do Afeganistão. Logicamente, não vai obter resposta positiva e a proposta soa gozação.

Assim, sai ano, entra ano, esses dois chefões de espécies diferentes de um mesmo gênero de criminalidade organizada usam da mesma estratégia. Mantêm-se nos territórios que controlam. Portanto, nenhum chefe de Estado delinqüencial, terrorista ou mafioso, deixa o seu hábitat, onde se sente seguro, para aventurar-se a colocar os pés nas veredas do mundão.

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O ano de 2005 serviu para a criminalidade organizada migrar de uma estrutura verticalizada e gestão centralizada para um sistema de rede sinérgica, tipo neuronal, sem fronteiras e de autonomia celular. Apenas a Cosa Nostra siciliana, a N’drangheta calabresa e a máfia albanesa mantêm a velha estrutura. A Al-Qaeda virou holding.

Para muitos especialistas, a transformação sentida é irreversível e, para 2006, está projetada uma expansão maior das redes mafiosas, a representar crescimento em ousadia, aumento nos lucros financeiros e maior poder corruptor.

A maioria dos países ocidentais não deu nenhuma importância às transformações operadas, haja vista o número baixo de Estados que ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre Criminalidade Organizada Transnacional, conhecida por Convenção de Palermo.

Desde setembro de 2003, a Convenção de Palermo está em vigor, com 41 artigos e enquadramento das associações delinqüenciais reticulares, por meio de uma definição minimalista. Essa Convenção de Palermo representa o primeiro instrumento jurídico marcadamente internacional em matéria de prevenção e repressão ao crime organizado.

Provenzano: foto de laboratório. Será que acertam?


Apesar da importância da Convenção de Palermo, nem a Itália a subscreveu. Também ficaram fora os Estados Unidos e o Reino Unido.

Poucas associações criminosas mantêm a estrutura tradicional, com órgão de cúpula, aparato administrativo, rígida hierarquia, código de ética, ritos de iniciação, poder real em territórios pelas famiglie e influência eleitoral.

O novo figurino rejuvenesceu e encheu os bolsos dos cartéis mexicanos de Benito Juárez (dirigido por um jovem estudante de medicina, apelidado de Doctor), Tijuana, Laredo, Sonora, das tríades chinesas e das máfias sul-africana, nigeriana, turca e russa.


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