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TERRORISMO DE ESTADO: Síria na mira da ONU.

Por FOLHA ONLINE- Folha de S.Paulo

Relatório da ONU deixa a Síria acuada.
LIN NOUEIHED.
DA REUTERS, EM BEIRUTE.
Apontada por um inquérito da ONU como implicada na morte do premiê libanês Rafik Hariri, a Síria baathista está isolada e luta por sua sobrevivência.

Assad: igual ao pai.


"Este é mais um prego batido no caixão do regime sírio", comentou Volker Perthes, diretor do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança e especialista em Síria. "O regime está abalado, sem dúvida, porque agora foi claramente documentado o que todos no Líbano e na Síria já desconfiavam: que a Síria estava envolvida, de alguma maneira (na morte de Hariri)."

Um relatório da ONU divulgado anteontem apontou o envolvimento do poderoso cunhado do presidente sírio, Bashal al Assad, e outros altos funcionários de segurança sírios e libaneses no assassinato de Hariri, em 14 de fevereiro, um ato que redesenhou a paisagem política do Líbano.

As revelações não causaram grande surpresa. Havia meses já se especulava que o inquérito presidido pelo promotor alemão Detlev Mehlis iria atribuir a culpa a Damasco. Mas isso não alivia o dilema em que se encontra Assad. Analistas aventam que ele pode tentar acalmar a crise, entregando à Justiça os sírios apontados e cedendo às exigências que os EUA vêm fazendo de longa data de que a Síria impeça combatentes estrangeiros de atravessar para o Iraque, além de expulsar grupos militantes palestinos que têm seus QGs em Damasco.

A outra alternativa é que Assad se retraia e enfrente pressões crescentes que podem colocar em perigo o regime baathista que ocupa o poder na Síria desde um golpe de Estado, em 1963.

Em entrevista à CNN na semana passada, Assad disse que está disposto a cooperar com relação ao Iraque, insistiu que não ordenou o assassinato de Hariri e afirmou que quaisquer sírios envolvidos no crime serão considerados traidores e enfrentarão a Justiça síria ou internacional. Ontem, porém, Damasco rejeitou as acusações feitas no relatório da ONU e criticou a investigação, dizendo que sofreu influências políticas.

Mudança de cara.

O Conselho de Segurança da ONU vai se reunir na próxima terça para discutir as medidas a tomar. Para alguns analistas, é possível que surjam divergências.

Os Estados Unidos e seus aliados parecem estar deitando as bases para a aplicação de sanções econômicas contra Damasco, que, em abril deste ano, foi obrigada a pôr fim a seus 29 anos de presença militar no Líbano, sob intensa pressão internacional.

Mas analistas sugerem que alguns países europeus podem relutar mais em impor tais sanções amplas antes de um tribunal de justiça comprovar o envolvimento sírio. Eles temem um mergulho no caos e ilegalidade, ao estilo do Iraque, no caso de o governo de Damasco desabar.

A Síria pode se dispor a sacrificar alguns funcionários de escalão menor para assegurar sua segurança, mas, segundo analistas, não existem precedentes para um julgamento internacional que pode exigir que um governo entregue alguns de seus mais altos representantes.

Washington diz que quer promover "mudança de comportamentos", e não mudança do regime de Damasco, mas suas exigências envolveriam o descarte de políticas cruciais à posição nacionalista árabe do regime sírio e sua disputa com Israel, que ainda ocupa as colinas de Golã.

Tradução de Clara Allain.


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