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PARAMILITARES: apoio da OEA. Críticas do New York Times.

Por IBGF/WFM

OLHO

Jose Miguel Insulza chega a Bogota debaixo de críticas. Seu objetivo é dar respaldo ao Plano de Paz costurado pelo presidente Uribe com os Paramilitares (AUC).

Pelo alinhavado os paramilitares ganharão impunidade pelos genocídios e tráfico internacional de drogas. O jornal New York Times criticou o acordo (veja Retrospectiva abaixo). Paramilitares apostam no sucesso, até para se livrar de extradições para os EUA, onde condenados por tráfico de cocaína e heroína.

OEA: apoio ao Plano de Paz com os Paramilitares colombianos.


MATÉRIA

Em entrevista à correpondente do jornal El Tiempo, o secretário Insulza, da OEA, revelou que o principal ponto da agenda com Uribe será a "desmobilização dos paramilitares". E para isso disse estar a OEA disposta a exercer a supervisão e a fiscalização do cumprimento do estabelecido no Plano de paz.

Sobre as críticas, respondeu: -"Creo que la mayor parte de las críticas que han surgido son en torno a temas internos de Colombia como es la ley reciente, pero eso es algo en lo cual nosotros no estamos para nada involucrados. Nosotros tenemos que verificar un proceso sobre la base de las leyes que hay, no dictar las leyes, así que críticas sobre esa parte no las descarto."

A respeito de como será a fiscalização, o secretário respondeu: -" Quisiera que se cumpliera también eso que mandó el Consejo que es asesorar. La OEA, en materia de derechos humanos, no tiene sólo que ser un organismo que juzgue y que critique, sino también que haga aportes, proponga ideas y sugiera cosas".

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RETROSPECTIVA

OLHO: Uribe quer apagar o incêndio. Sua lei de anistia para os paramilitares de direita, - considerados seus velhos aliados-, foi criticada em editorial do The New York Times. O título do editorial foi a "Capitulação da Colômbia". Agora, Uribe nomeou o ex-presidente Andres Pastrana, conservador, embaixador nos EUA. Sua missão é cosolidar o apoio da Casa Branca à lei que, na verdade, estabelece impunidade aos paramilitares.

MATÉRIA.

É inegável a simpatia do presidente Álvaro Uribe aos paramilitares de direita que lutam contra as Farc e o Exército de Libertação nacional.

Os EUA começaram a exigir a extradição dos principais líderes das Auto Defesas Unidas de Colombia (AUC), a maior organização de paramilitares em atividade na Colômbia. Atualmente, as AUC estão sob comando de Felipe Mancuso, um italo-colombiano.

No final do ano de 2004, para reduzir as pressões e tentar brecar as extradições, Mancuso prometeu depor as armas e atuar na legalidade, fundando um partido político.

New York Times: critica Uribe pelo acordo com os paramilitares.


Várias fotografias e filmes mostraram colunas das AUC realizando a entrega de armas para os seus líderes.

Paralelamente, o presidente Uribe lançou o seu projeto de pacificação da Colômbia, prometendo anistia pelos crimes anteriores. As Farc não aceitaram, ao contrário dos paramilitares chefiados por Mancuso.

O projeto "pacificador" de Uribe levou o nome de Lei, Justiça e Paz .

O jornal The New York Times, em editorial, criticou pesadamente o projeto de Uribe. O editorial levou o título de "A Capitulação da Colômbia" .

Para o jornal The New York Times, o projeto de Uribe é conferir impunidade a assassinos, narcotraficantes e terroristas, que são os paramilitares.

Observa o editorial que os paramilitares colombianos traficam cocaína para os EUA e são responsáveis pela oferta de 40% da droga que é comercializada no país. Também destaca que os paramilitares executaram e massacraram milhares de pessoas inocentes.

Consta do editorial, ainda, que o governo de Uribe impede a extradição para os EUA de vários chefes do tráfico de drogas que são paramilitares: -" A nova lei reflete o considerável poder políticos dos paramilitares".

Não esquece o jornal de consignar que o projeto de lei de Uribe foi aplaudido pelo embaixador norte-americano em Bogotá, Willian Wood, ou seja, a Casa Branca deve ter dado sinal verde.

Para afastar o mal-estar e a repercussão negativa nos EUA, resolveu Uribe nomear o seu antecessor na presidência da Colômbia, o conservador Andres Pastrana (1998-2002). Pastrana aceitou o convite e terá a tarefa de convencer os norte-americanos do acerto da proposta de paz de Uribe.

Pastrana terminou o seu mandato magoado com as Farc, por ter se aproveitado do "plano de paz" do seu então governo. No governo Pastrana, reservou-se áreas territorias desmilitarizadas (maiores do que a Suíça) para as Farc. Essas áreas ficaram sob controle exclusivo das Farc. Para Uribe e Patrana a nova lei irá beneficiar aqueles com a intenção de abandonar as armas e a guerrilha. Mais, afirmam que a guerrilha está metida com a droga, sendo difícil estabelecer um processo de paz sem esquecer os crimes referentes ao tráfico de drogas. ...................................................................
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RETROSPECTIVA PARAMILITARES COLOMBIANOS: como começou.

Por WFM-CARTACAPITAL.

PARAMILITARES: MISTÉRIO E SANGUE.

O mercenário israelense Yar Klein chegou à Colômbia com uma turma da pesada, em fevereiro de 1988: Eitan Koren, Miachael Harari e Arik Afek.

Koren presidia a empresa privada de segurança militar de nome Israel Security Defense Sistem e trazia no currículo a chefia da segurança do premier Menachem Begin. Quanto a Harari, atuou como guarda-costa do narcoditador e general panamenho Manuel Noriega. Arik ficou famoso depois, pelo seu envolvimento no escândalo dos “Contras”, na Nicarágua: armas e drogas.

Uribe: apoios de Bush e da OEA.


Todos os acompanhantes de Klein prestaram serviços para a agência central de inteligência norte-americana (CIA). E na rica região colombiana de Urabá, fronteira com o Panamá, ministraram um curso de formação de combatentes às guerrilhas. Diplomaram 40 paramilitares e prepararam o ambiente para o nascimento das Autodefesa Unidas de Colômbia (AUC).

Urabá tornou-se território das AUC, sob comando de Carlos Castaño e Salvatore Mancuso. O curso de preparo de paramilitares foi bancado por latifundiários, que se diziam cansados de pagar para as Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) a “taxa de proteção”, chamada “vacuna ganadera”.

A indicação de Klein partiu do ministério colombiano do interior, dadas as boas relações com a indústria bélica israelense, especialmente pela compra de armas, estimada em US$500 milhões.

Coube ao fazendeiro e narcotraficante colombiano Gonzalo Rodríguez Gacha, apelidado “mexicano”, servir de anfitrião a Klein. Naquele ano de 1988, Gacha virou capa da revista Forbes e a Fortune o relacionou entre os homens mais ricos do mundo.

O “mexicano” fundou o Cartel de Medellín com Pablo Escobar, este eleito deputado em 1982 pelo partido liberal. Gacha dizia-se anticomunista e corrompeu generais colombianos formados nas academias militares norte-americanas do Panamá e de Fort Bragg.

A formação de forças privadas na Colômbia ( as Autodefesas Unidas de Colômbia-AUC- começaram a atuar em 1996) interessava à Texas Petroleum Company, conhecida por Texaco. Essa empresa estava autorizada a explorar petróleo na zona média do rio Magdalena. A direção da Texaco preferia a segurança privada, apesar de a Corte Constitucional Colombiana haver dado autorização para ela negociar, com o Exército, a contratação de proteção às instalações, pelo batalhão militar estacionado no Médio Magdalena.

Outra interessada era a United Fruit. Essa multinacional explorava na região de Urabá, além de trabalhadores, o plantio de bananas, terceiro produto legal de exportação colombiana, depois do café e do petróleo.

Para a United Fruit trabalhavam trinta mil rurícolas, que se organizaram em sindicatos e passaram a receber apoio das Farc. E convém lembrar que as FARC nasceram em maio de 1964, quando o exército colombiano, sob supervisão norte-americana, atacou um grupo de pequenos proprietários rurais, organizado por Manuel Marulanda, apelidado Tirofijo e que ainda lidera a insurgência.

A guerra civil colombiana mistura interesses internos e externos, ideologias conflitantes, corrupção institucionalizada, e desigualdades sociais. Tem como causa remota o assassinato do líder popular Jorge Eliécer Gaitán, em abril de 1948. O narcotráfico, a partir da década de 80, virou combustível de sustentação financeira dos paramilitares e das duas guerrilhas de esquerda.

Neste 16 de maio de 2004, espalhou-se a notícia do assassinato de Carlos Castaño, narcotraficante e líder político da AUC. Ele está condenado a 40 anos de reclusão pelo massacre de 49 camponeses da aldeia de Mapiripán, que considerou esquerdistas. Segundo circulou, o assassinato deveu-se a um acordo celebrado entre a norte-americana Drug Enforcement Agency (DEA) e diversos líderes paramilitares, ameaçados de extradição para os EUA por tráfico internacional de cocaína e heroína. A cabeça de Castaño os livraria da formulação de pedidos de extradição.

Uribe: suspeita de proteger paramilitares.


O estranho sumiço de Castaño ocorreu seis dias antes de a Corte Superior de Justiça autorizar o processo da sua extradição aos EUA. Para especialistas, o assassinato, --ainda sem cadáver- representa uma farsa montada e antecedida da divulgação de um escrito de Castaño: “ni um dia del cárcel, ni in Colombia ni en el exterior”.

Enquanto isso, o presidente colombiano Álvaro Uribe exteriorizou o seu ânimo bélico no Fórum Nova Economia (2004), promovido pelo “The Wall Street Journal Europe”, em Madrid. Declarou torcer pelo fim dos conflitos no Iraque e na Palestina. Isso para conseguir mais ajuda financeira internacional. Dinheiro para turbinar a guerra civil na Colômbia. Claro, no papel de Bush latino-americano.


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