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Terror//Insurgência

 

CHECK POINT PARA MATAR

Por Wálter Fanganiello Maierovitch





A Itália está em pé de guerra. E os italianos estão furiosos. Não engolem o considerado “tapa-na-cara”, que levaram do governo Bush.



A ofensa partiu do Pentagono, que se adiantou ao combinado com o governo italiano e apresentou um relatório sobre a morte do italiano Nicola Calipari, no Iraque.

Calipari era alto dirigente do Serviço Italiano de Inteligência (Sismi). Na noite de 4 de março passado, Calipari foi metralhado no “check-point 541”, da estrada de acesso ao aeroporto de Bagdá, transformado em base militar norte-americana.

Morto em nobre missão a serviço do Estado, Calipare tornou-se herói italiano. O seu corpo metralhado foi recebido pelo presidente Ciampi, da República Italiana.

Calipari encontra-se sepultado no centro de Roma, ou melhor, no Altar da Pátria, que consiste num monumental conjunto arquitetônico a abrigar os heróis italianos. Isso desde Vittorio Emanuele II, responsável, junto com Garibaldi, pela unificação do Estado-italiano.

Calipari, metralhado em Bagdá.


Constou do relatório do Pentágono,-- tornado público--, que a morte de Calipari, metralhado por onze disparos feitos por um soldado norte-americano, deveu-se à sua própria incúria e imprudência.

Na ocasião, Calipari havia negociado em Bagdá a liberação da jornalista italiana Giuliana Sgrena, que em fevereiro tinha sido seqüestrada por insurgentes iraquianos.

Depois de acertar a libertação da jornalista, Calipari a colocou num automóvel Toyota alugado. Giuliana, Calipari e o motorista Andréa, rumaram imediatamente para o aeroporto de Bagdá, onde os aguardava um avião da Força Aérea Italiana.

Quando dos disparos, Calipare colocou o corpo como escudo da jornalista e morreu no seu lugar.

O relatório do Pentágono afirmou que o automóvel Toyota tinha se aproximado com excesso de velocidade do check-point. Na verdade, uma barreira, não sinalizado por padrões internais e colocado, de surpresa, na seqüência de numa curva, tipo cotovelo, da estrada.

Constou do relatório, ainda, que o condutor do Toyota não atendeu aos sinas de luz verde emitidos pela lanterna do grupo de dez militares que tomavam conta do check-point.

Como argumento final, o Pentágono concluiu que Calipari não havia avisado às tropas do exército que estaria no Iraque, em missão de salvar a jornalista seqüestrada.



O comandante do serviço italiano de inteligência, traído pela violação americana do acordo de elaboração e discussão de um relatório único, apresentou uma crítica ao do Pentágono.

Para começar, Calipari tinha formalmente participado da sua ida a Bagdá, isto feito ao seu interlocutor oficial, que é agente da CIA.

As provas mostraram, até pelo relato da jornalista, que o automóvel desenvolvia velocidade baixa e havia acabado, antes de entrar na curva, de atravessar um banhado.

Os militares do “check-point” eram inexperientes, recrutados entre reservistas e sem preparo militar. Tinham medo da tarefa. E estavam em pânico, desde horas antes, quando esperavam um ataque rebelde. Por ocasião da passagem do automóvel do embaixador dos EUA no Iraque.

Em síntese, mais um ato irresponsável de soldado norte-americano, dentre muitos outros, como os verificados em presídios.

O pior foi macular o ato heróico e responsável de Calipari, que deu a vida para salvar aquela que estava sob sua custódia.

Enquanto a Itália está indignado, Bush e o premier Berlusconi acabam de confirmar, com a “maior cara-de-pau”: “continuaremos aliados e acertamos que Calipari, a partir de agora, é herói na Itália e nos EUA”.

Que coisa lamentável, de uma dupla de verdadeiros patetas.


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