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Terror//Insurgência

 

Aperta-se o cerco a Bin Laden

Por IBGF/WFM

No imaginário dos seus fanáticos admiradores, Osama Bin Laden, pós 11 de setembro, aparece sempre cavalgando pelo deserto num puro-sangue árabe.
Galopa em ziguezague pelos confins do Iêmen com a Arábia Saudita. Nesse fantasioso bailado eqüestre, aparece e some a cortar tempestades de areia, num misto de fantasma e príncipe, a confundir os seus perseguidores norte-americanos, em uniformes de marines.
Entre os fundamentalistas paquistaneses, corre a notícia de Bin Laden ter retornado à região desértica de Hadhramawt, no Iêmen, onde seu pai viveu num lugarejo chamado Wadi Diwan, deixado por volta de 1930 para fazer fortuna na Arábia Saudita.
Fala-se, também, estar Bin Laden sob proteção de tribos nômades descendentes de Noé, capazes de captar todos os movimentos do deserto.

Para a direção da CIA, Bin Laden está mesmo no Iêmen, onde a Al-Qaeda sempre manteve ativas células terroristas a atormentar o pressionado presidente Ali Abdallah Salih, aliado norte-americano e no cargo desde 1990. Diversos integrantes da Al-Qaeda fugiram do Afeganistão e passaram a engrossar as mais de 50 células estabelecidas no território do Iêmen.
As informações sobre Bin Laden e a sua Al-Qaeda são recolhidas e processadas em Bagram, uma base de serviços de inteligência montada pela CIA no Afeganistão. Nela são realizadas interceptações telefônicas e monitoramentos de celulares por meio de satélites.
No seu interior, são pendurados suspeitos, colhidos relatos de testemunhas e ouvidos colaboradores movidos a dólar. Luta-se contra o tempo, pois se sabe que Bin Laden, acometido por sérios problemas renais, continua a comandar o terror pelo planeta. Assim, as escutas ambientais promovidas pela CIA são realizadas até no período de prédicas do Ramadã.
Os potentes computadores da base de Bagram operam programas de cruzamento de dados, que já permitiram à CIA traçar a rota de fuga de Bin Laden.
Uma fuga iniciada pouco antes do bombardeio da afegã Tora Bora e finda no seguro Iêmen. A geração de dados produzidos pela base de Bagram serve, muitas vezes, para orientar, na Ásia Ocidental, os chamados vôos invisíveis da frota de predadores norte-americanos. Ou seja, dos programados aviões que voam sem piloto, manobrados de uma base terrestre e equipados com o desintegrador míssil Hellfire.

O Iêmen, apesar da boa vontade do seu presidente Abdallah Salih e do premier Bagammal, sempre teve a predileção de Bin Laden. No porto de Áden, em 17 de outubro de 2000, um grupo da Al-Qaeda comandado por Abu Ali Al atacou o destróier Cole, matando 17 marinheiros norte-americanos.
No recente novembro de 2002, ainda no Iêmen, o grupo de Abu Ali Al, associado ao terrorista kuwaitiano Moshem al Fadli, bombardeou depósitos da petrolífera francesa Limburg. Um dos Predators americanos, em dezembro passado, disparou um míssil Hellfire na região de Marib (Iêmen). Morreram seis membros da Al-Qaeda. Dentre eles estava Abu Ali Al. Suspeita-se que o seu esconderijo tenha sido revelado pelo acima citado terrorista kuwaitiano Moshem al Fadli, preso na Arábia Saudita depois do ataque à empresa petrolífera francesa Limburg.
A mistura de informações, crenças e dados sobre o paradeiro de Bin Laden no Iêmen levou George W. Bush e Tony Blair a deslocarem suas tropas de elite (Delta Force e SAS) para as areias e rochas de referida Hadhramawt. E por lá circulam as tribos nômades de Al Murrah e Saudi Ban Yam, as quais, pela tradição oral, contariam em suas fileiras com descendentes diretos de Noé.
No início de dezembro de 2002, a CIA, reservadamente, repassou aos serviços de inteligência do Paquistão, de Omã, do Iêmen e da Arábia Saudita, a rota de fuga de Bin Laden. Segundo a CIA, em novembro de 2001, pouco antes dos ataques a Tora Bora, Bin Laden rumou para Jalalabad. De lá ingressou em território iraniano.
Entre dezembro de 2001 e setembro de 2002, circulou pelo território paquistanês. De Islamabad, desceu até o Porto de Gwador. Tomou uma embarcação e cruzou o Mar Arábico até o porto de Salalah, em Omã.
No início de outubro de 2002, usando outra embarcação, atracou no porto de Al-Mukalla, no Iêmen. De lá, sempre segundo a CIA, subiu para a região de Hadhramawt. Com seus sequazes, Bin Laden foi conduzido por beduínos até a fronteira com a Arábia Saudita, passando pelo vilarejo de Wadi Diwan, onde seu pai viveu.
Os serviços de inteligência suspeitam que a permanência de Bin Laden no Iêmen é apenas temporária. Teria a intenção de girar pelo Kuwait antes de voltar ao Paquistão. No Kuwait, apesar do auxílio recebido em face da invasão iraquiana iniciada em 2 de agosto de 1990, o sentimento antiamericano é muito forte.
O porta-voz de Bin Laden, Abu Gaith, é do Kuwait, como o terrorista Moshem al Fadli (caso da petrolífera Limburg) e os dois integrantes da Al-Qaeda que, há pouco, mataram um marine americano na ilha de Failaka. Vale lembrar que os norte-americanos mantêm no Kuwait, desde o fim da televisiva operação Tempestade no Deserto, 12 mil soldados, 80 aviões de caça, 62 mísseis interceptadores Patriot, 75 helicópteros e 115 tanques blindados.

A situação política no Kuwait é preocupante e o crescimento do fundamentalismo islâmico está atraindo a juventude, pronta a perpetrar os chamados martírios, a exemplo dos tripulantes dos aviões que se chocaram contra as Torres Gêmeas de Nova York.
O emir Jaber al Sabah, com mais de 80 anos, foi acometido de um ictus cerebral. O príncipe herdeiro, Saad al Sabah, de 72 anos, tem câncer. Assim, o Kuwait é precariamente governado pelo vice-ministro, Sabah al Amad, de 73 anos e pouca popularidade. Sua grande esperança está na queda de Saddam e numa abertura comercial das fronteiras do Iraque, ou melhor, um mercado com milhões de consumidores reprimidos pelo ditador.
Outro canal da inteligência apontou para uma futura passagem de Bin Laden pelo Catar, sempre no caminho de volta ao Paquistão. Evidentemente, a passagem pelo Catar soa mais uma provocação. Da base norte-americana de Bahrein, o supergeneral Tommy Franks comandará uma eventual invasão ao Iraque. Só no Catar os americanos mantêm 3 mil homens, 175 tanques, 5 caças aéreos e armazenam 7 mil minas terrestres.

Tommy Franks controla a armada norte-americana espalhada pela ilha Diego Garcia (Oceano Índico), por Omã, Djibuti, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Kuwait e Turquia.
No Golfo Pérsico o general Franks conta com o apoio do porta-aviões Lincoln. No Mediterrâneo, terá o suporte do Washington e, em águas próximas ainda não reveladas, estão os porta-aviões Truman, o Constellation e o Kitty Hawk.
Enquanto o general Franks espera a ordem de Bush, está tendo tempo de pensar na ventilada hipótese de a Guarda Nacional de Saddam partir, no caso de invasão, para a guerrilha urbana, em Bagdá. Uma Bagdá onde, em 1995, a CIA calculou em mais de 4 milhões de habitantes. O combate de casa em casa poderá resultar em muitas mortes e os cadáveres causam, na comunidade internacional, reação diversa da produzida pelo espetáculo televisivo de um Patriot interceptando um míssel de Saddam.


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