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Terror//Insurgência

 

Os 40 anos das FARC

Por IBGF/WFM

De orientação marxista, as Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (Farc) completaram 40 anos em maio. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, colocou suas forças em alerta para evitar ser surpreendido por ações violentas, de matriz terrorista.

No curso do temido mês de maio, o governo Uribe noticiou a prisão de dois líderes regionais das Farc. E circulou um boato sobre a morte do seu principal líder, Manuel Marulanda, vítima de câncer.

A guerra civil na Colômbia é bem mais antiga que as Farc. Ela foi desencadeada em 9 de abril de 1948, quando do assassinato do líder popular Jorge Eliécer Gaitán. A partir daí, a Colômbia estreitou laços com os EUA. Para se ter idéia, em 1951, foi o único país sul-americano a enviar tropas para a Guerra da Coréia. Sob a Presidência de Uribe, a Colômbia apoiou a invasão do Iraque.

Em 1964, os norte-americanos pressionaram o Exército colombiano para eliminar um grupo rebelde, formado por pequenos proprietários rurais, tidos como influenciados pelo sucesso de Fidel Castro em Sierra Maestra. Resultado: os rebeldes reagiram e o pequeno sitiante Manuel Marulanda, apelidado Tirofijo, criou as Farc.

Por lei, a porta foi aberta aos paramilitares em 1968. Essa lei autorizou a constituição de milícias civis para enfrentar guerrilheiros. Com o tempo e já com a lei revogada, os diversos grupos de paramilitares juntaram-se e fundaram, em 1996, as Autodefensas Unidas de Colombia (AUC), sob o comando do narcotraficante Carlos Castaño – que atualmente se finge de morto – e do latifundiário ítalo-colombiano Salvatore Mancuso.

A respeito dos conflitos colombianos, Andrés Pastrana, logo depois de eleito presidente (1998), apresentou um diagnóstico sobre o seu país: “A Colômbia convive com duas diferentes guerras: a do narcotráfico e a da guerrilha contra um modelo econômico, social e político que considera injusto, corrupto e gerador de privilégios”.

Faltou a Pastrana revelar como os interesses estratégicos, hegemônicos, econômicos e políticos dos EUA serviram para fomentar a guerra civil. Uma guerra sangrenta, com o emprego de métodos terroristas pelas Farc e massacres de civis promovidos pelos paramilitares.

Após o trágico 11 de setembro, o governo Bush incluiu as AUC na sua lista de organizações terroristas internacionais, com uma significativa ressalva: “Não atentam diretamente aos interesses dos Estados Unidos e dos cidadãos norte-americanos”. Em outras palavras, elas podem, desde que disfarçadas, continuar como força auxiliar a Uribe, à DEA, à CIA. E, também, servir às empresas de petróleo norte-americanas estabelecidas na Colômbia.

A exploração das reservas petrolíferas da Colômbia demonstra como a questão das drogas é usada para legitimar a interferência norte-americana. Para o presidente Bush, frise-se, não há insurgência, mas narcoterrorismo. Com poços e dutos instalados na Colômbia, as empresas petrolíferas aplaudem Bush. E as empresas são muitas: OXY, Texaco, Harken, Chevron, BP, Reliant, Eron, Global, Halliburton.

A respeito da Harken Energy, ela teve o presidente Bush no seu conselho administrativo e lhe pagava US$ 122 mil por ano. Na Colômbia, a Harken atua associada à Global Energy Development. Com efeito, não foi sem causa que o Plano Colômbia contemplou com milhões de dólares o batalhão do Exército da região petrolífera de Arauca.

O batalhão de Arauca guarda os dutos petrolíferos que ligam os poços de extração aos portos do Caribe. Dentre as principais beneficiárias estão a Harken, a Halliburton – que pertenceu ao vice-presidente Dick Cheney, e a OXY, do acionista Al Gore, formalmente derrotado nas últimas eleições por Bush.

Por outro lado, o cartel do Valle Norte – único remanescente depois do desmanche dos cartéis de Cali e de Medellín – sustenta e trafica drogas em conjunto com organizações paramilitares. Quanto às guerrilhas, fortalecem-se economicamente com seqüestros, extorsões, roubos e furtos. Nos territórios controlados, cobram ainda a “taxa” de proteção dos camponeses (cocaleiros) e dos laboratórios de refino de cocaína e heroína.

Num dado pouco confiável, o general Barry MacCaffrey, ex-czar antidrogas do governo Bill Clinton, estimou que as Farc recolhem anualmente US$ 500 milhões, por meio dos “impostos” sobre as drogas.

Nos 40 anos das Farc, só há uma certeza: a guerra civil colombiana está longe do fim. E o presidente Uribe só espera o sinal verde da Casa Branca para pôr em prática o plano de armar 1 milhão de civis, a fim de contrastar a guerrilha insurgente.


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