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PARAMILITARES COLOMBIANOS: como começou.

Por WFM-CARTACAPITAL

PARAMILITARES: MISTÉRIO E SANGUE.

O mercenário israelense Yar Klein chegou à Colômbia com uma turma da pesada, em fevereiro de 1988: Eitan Koren, Miachael Harari e Arik Afek.

Koren presidia a empresa privada de segurança militar de nome Israel Security Defense Sistem e trazia no currículo a chefia da segurança do premier Menachem Begin. Quanto a Harari, atuou como guarda-costa do narcoditador e general panamenho Manuel Noriega. Arik ficou famoso depois, pelo seu envolvimento no escândalo dos “Contras”, na Nicarágua: armas e drogas.

Todos os acompanhantes de Klein prestaram serviços para a agência central de inteligência norte-americana (CIA). E na rica região colombiana de Urabá, fronteira com o Panamá, ministraram um curso de formação de combatentes às guerrilhas. Diplomaram 40 paramilitares e prepararam o ambiente para o nascimento das Autodefesa Unidas de Colômbia (AUC).

Urabá tornou-se território das AUC, sob comando de Carlos Castaño e Salvatore Mancuso. O curso de preparo de paramilitares foi bancado por latifundiários, que se diziam cansados de pagar para as Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) a “taxa de proteção”, chamada “vacuna ganadera”.

A indicação de Klein partiu do ministério colombiano do interior, dadas as boas relações com a indústria bélica israelense, especialmente pela compra de armas, estimada em US$500 milhões.

Coube ao fazendeiro e narcotraficante colombiano Gonzalo Rodríguez Gacha, apelidado “mexicano”, servir de anfitrião a Klein. Naquele ano de 1988, Gacha virou capa da revista Forbes e a Fortune o relacionou entre os homens mais ricos do mundo.

O “mexicano” fundou o Cartel de Medellín com Pablo Escobar, este eleito deputado em 1982 pelo partido liberal. Gacha dizia-se anticomunista e corrompeu generais colombianos formados nas academias militares norte-americanas do Panamá e de Fort Bragg.

A formação de forças privadas na Colômbia ( as Autodefesas Unidas de Colômbia-AUC- começaram a atuar em 1996) interessava à Texas Petroleum Company, conhecida por Texaco. Essa empresa estava autorizada a explorar petróleo na zona média do rio Magdalena. A direção da Texaco preferia a segurança privada, apesar de a Corte Constitucional Colombiana haver dado autorização para ela negociar, com o Exército, a contratação de proteção às instalações, pelo batalhão militar estacionado no Médio Magdalena.

Outra interessada era a United Fruit. Essa multinacional explorava na região de Urabá, além de trabalhadores, o plantio de bananas, terceiro produto legal de exportação colombiana, depois do café e do petróleo.

Para a United Fruit trabalhavam trinta mil rurícolas, que se organizaram em sindicatos e passaram a receber apoio das Farc. E convém lembrar que as FARC nasceram em maio de 1964, quando o exército colombiano, sob supervisão norte-americana, atacou um grupo de pequenos proprietários rurais, organizado por Manuel Marulanda, apelidado Tirofijo e que ainda lidera a insurgência.

A guerra civil colombiana mistura interesses internos e externos, ideologias conflitantes, corrupção institucionalizada, e desigualdades sociais. Tem como causa remota o assassinato do líder popular Jorge Eliécer Gaitán, em abril de 1948. O narcotráfico, a partir da década de 80, virou combustível de sustentação financeira dos paramilitares e das duas guerrilhas de esquerda.

Neste 16 de maio de 2004, espalhou-se a notícia do assassinato de Carlos Castaño, narcotraficante e líder político da AUC. Ele está condenado a 40 anos de reclusão pelo massacre de 49 camponeses da aldeia de Mapiripán, que considerou esquerdistas. Segundo circulou, o assassinato deveu-se a um acordo celebrado entre a norte-americana Drug Enforcement Agency (DEA) e diversos líderes paramilitares, ameaçados de extradição para os EUA por tráfico internacional de cocaína e heroína. A cabeça de Castaño os livraria da formulação de pedidos de extradição.

O estranho sumiço de Castaño ocorreu seis dias antes de a Corte Superior de Justiça autorizar o processo da sua extradição aos EUA. Para especialistas, o assassinato, --ainda sem cadáver- representa uma farsa montada e antecedida da divulgação de um escrito de Castaño: “ni um dia del cárcel, ni in Colombia ni en el exterior”.

Enquanto isso, o presidente colombiano Álvaro Uribe exteriorizou o seu ânimo bélico no Fórum Nova Economia (2004), promovido pelo “The Wall Street Journal Europe”, em Madrid. Declarou torcer pelo fim dos conflitos no Iraque e na Palestina. Isso para conseguir mais ajuda financeira internacional. Dinheiro para turbinar a guerra civil na Colômbia. Claro, no papel de Bush latino-americano.


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