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Terror//Insurgência

 

TERROR. A Al Qaeda do Maghreb é uma Franchising.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

22 de setembro de 2007.
Maghreb é o Norte da África.




ROMA. Conforme “post” de ontem, enquanto Osama bin Laden, por áudio, dava ordem para atacar o Paquistão e começar a sua jihad contra o ditador Pervez Musharraf, na outra ponta da linha “qaedista” Al Zawahiri, em vídeo, determinava a morte aos franceses e espanhóis na Algéria.

. Menos de 24 horas do ordenado em vídeo e por via internet, a Al Qaeda do Maghreb ( antiga Gspc) atacou em Lakadaria (70 km da capital da Algéria).

Foram atacados três trabalhadores, dois franceses e um italiano, da multinacional CMC, que constrói uma grande barragem em Lakadaria.

Como eles trabalhavam escoltados, cinco policiais algerianos também saíram feridos.

Logo após o atentado, a Al Qaeda enviou um comunicado detalhado sobre o ataque, incluído o número de feridos, para a televisão Al Arabiya, que mandou ao ar a informação.

Na semana passada, a Al Qaeda do Maghreb assumiu a autoria do atentado a um posto policial distante 30 km da capital algeriana. O ataque foi com bombas e três policias morreram.

A Al Qaeda do Maghreb é o novo nome do grupo terrorista salafita, adotado depois de se conectar à rede da Al Qaeda. Ocorreu o mesmo com a Al Qaeda no Iraque, quando Al Zarqawi (morto pelos norte-americanos) estabeleceu um acordo de apoio e financiamento com a Al Qaeda de Bin Laden e Al Zawahiri.

Nos últimos 15 dias, a Al Qaeda do Magreb, cujo principal líder é Abou Moussab, engenheiro especializado em explosivos, promoveu dois atentados usando homens-bombas e 50 pessoas morreram.

Pano Rápido. A Al Qaeda virou franchising. E essa marca pode ser negociada.
No Iraque, os emissários de Bin Laden fecharam acordo com o grupo de Al Zarqawi, um jordaniano que não pertencia à Al Qaeda.
Em troca de apoio financeiro e em armas, qualquer grupo pode se ligar à rede da Al Qaeda. As divulgações dos atentados ficam por conta da Al Qaeda, bem como o crédito fica a ela atribuído.

Como se percebe, a Al Qaeda faz seu marketing em cima de atos de seus aliados, que usam a marca e se posicionam como sucursais do terror.

Os discursos políticos ficam reservados à Al Qaeda, daí o litígio com Zarqawi, poucos meses antes de ser caçado e atingido por bombas atiradas por avisões (foi descoberta a casa onde se escondia).

Zarqawi começou a dar entrevistas e era apresentado como líder de um grupo que promovia a eversão no Iraque. Isso desagradava Bin Laden e Zawahiri, pois evidenciado que Zarqawi atuava por conta própria e os seus pronunciamentos contrariavam o da cúpula da Al Qaeda.

Em resumo. Operativamente, os grupos que se ligam à rede são independentes da Al Qaeda, que não conta com estrutura para estar a combater em vários pontos do planeta.

O movimento salafina na Algéria ganhou força nos anos 80, portanto não se trata de criação da Al Qaeda, de Bin Laden ou de Al Zawahiri que quer a morte de franceses e espanhóis para, como frisam, “a retomada islâmica do norte da África.”
Em 1990, como explica Jason Burke no seu livro sobre a Al Qaeda, o sunita Bin Laden tentou uma aliança com o antigo Gspc, que não manifestou interesse em ser apenas uma filial.

O acordo foi possível graças às mudanças internas, com a assunção ao poder de Abu Musab Abdel Wadoud. Com Abu Musab a Gspc passou a Al Qaeda do Maghreb.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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