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Terror//Insurgência

 

LÍBANO. Auto-bomba para alcançar maioria parlamentar.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

22 setembro 2007. FUNERAIS EM BEIRUT. Atentados para destruir a maioria parlamentar. Eleição presidencial começa 25/9/2007, no Parlamento.

Beirut, 19/9/2007.


Dentre os políticos, o ex-presidente Amin Gemayel e o líder durso, Walid Jumblatt, eram os mais abatidos.

Amin Gamayel não conseguiu segurar as lágrimas. Em novembro passado, naquele mesmo cimitério, Gamayel enterrara o filho Pierre, ministro da Indústria, dinamitado por grupo de perfil pró síria e hezbollah.

O primeiro a ser assinado foi Rafiq Hariri, premier e líder da frente contrária à presença e influência da Síria no Líbano. Hariri morreu em atentado ocorrido em 14 de fevereiro de 2005. Os assassinos ainda não foram identificados e a ordem de execução pode ter partido da Síria, que apóia o xiita Hezbollah.

Depois de Hariri, foram executados em atentados (1) George Hawi (21/6/2005), ex-líder do partido comunista e crítico da Síria, (2) Gebran Tueni (12/12/2005), deputado e jornalista antisírio, (3) Pierre Gemayel, ministro e membro do partido maronista (cristão), (4) Walid Eido (13/6/2007), deputado, de postura antisíriana e auxiliar quando Hariri era primeiro ministro, (5) Antoine Ghamen (19/9/2007).

O líder dos dursos, Walid Jumblatt, íntimo amigo do dinamitado Antoine, parecia ter perdido a força de reação. Apesar do abatimento, sentiu força para atacar a Síria aos jornalistas presentes nos funerais:
-“ Nós, parlamentares da maioria, tínhamos 69 votos até três dias atrás. Agora, somos 68. Se entre 24 de novembro (ocorrerá o fim do mandato do presidente libanês, apoiado pela Síria e o hezbollah e considerado traidor pelos cristãos-maronitas por ter mudado de lado) a Síria e os seus aliados ( referência aos Hezbollah) matarão outros quatro de nós. Aí, não termos mais a maioria e eles colocarão um “pau-mandado” como Lhoud na presidência do país”

Enquanto Amin Gamayel, com a alma destruída (o filho assassinado em 2006 tinha 34 anos e era considerado seu sucesso na vida política libanesa), foi ao púlpito da lotada igreja onde estavam os esquifes de Antoine Ghanem e dois homens da sua escolta (9 pessoas morreram no atentado da última quarta feira) para dizer: A tua morte, Antoine, nos empurra a andar para frente a fim de dar ao Líbano um presidente livre, independente.” Os palusos durante muito tempo

Durante o cortejo, mulheres jogavam, como é da tradição, pétalas de rosas e arroz.

Pano Rápido. Tem razão o líder durso Walid Jumblatt, que vive sem poder sair de casa em razão das ameaças do Hezbollah, ao cobrar uma atuação segura do Tribunal, que a nível internacional, apura as reais causas do assassinato de Rafiq Hariri. E ele relembrou que, como sabem todos, os sírios, com apoio dado a Nasrallah (líder máximo do Hezbollah), controlam o sul. As tropas da Inifil (pós conflito Israel-Hezbollah) já perderam soldados espanhóis executados.

Walter Fanganiello Maierovitch. ...........

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Retrospectiva: Justiça e Cidadania de quinta feira (20/9/2007).

ROMA. O clima europeu não é de fim de verão, mas de intranqüilidade.

Nesta quinta-feira, na hora do almoço, os telejornais mostraram cenas de virar os estômagos.

A bomba que explodiu ontem em Beirut, num bairro cristão, não quebrou apenas as vitrinas da Doceira La Galette.

Aos doces expostos foram misturados restos de corpos humanos (braços, pernas, olhos, orelhas). E também de sangue das oito pessoas que foram dinamitadas junto com o deputado Antoine Ghanem.

Antoine era do partido falangista, contrário à interferência da Síria no Líbano e de perfil filo-ocidental.

Os europeus percebem um Oriente Médio em chamas. E, do outro lado, um imprevisível e imperialista Bush, que entra no último ano do seu mandato.

O dinamitado Antoine Ghanem é o sexto parlamentar assassinado e que integrava a maioria de perfil ocidental e de sustentação ao premier Fuad Siniora.
O suplente que assumirá a cadeira de Antoine apóia o Hezbollah xiita e a dissidência cristã encabeçada pelo deputado-general Aoum.

Com a morte de ontem, a maioria ainda detém 68 das 128 cadeiras do parlamento libanês.

E na próxima terça-feira (25/9/2007) começará, no Parlamento, o processo de escolha do novo presidente do Líbano.

Só para recordar, a maioria parlamentar começou a experimentar baixas a partir de fevereiro de 2005, com o assassinato do moderado e anti-sírio premier Rafiq Hariri, contrário à invasão e interferência síria no Líbano.

-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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