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Terror//Insurgência

 

Al Yazid (foto) e Zawahiri disputam liderença. Risco setembro, com Al Qaeda reorganizada.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

No auge da Guerra Fria comentava-se que no campo da geoestratégia os soviéticos jogavam xadrez e os norte-americanos, damas.

Al Yazid, acima de Zawahiri ?


Hoje, diante de outro cenário, o governo George W. Bush entregou ao novo contendor, de bandeja, a bandeira capaz de unir extremistas religiosos dispostos à promoção de uma Jihad planetária, de matriz terrorista-wahabita.

A invasão e ocupação do Iraque serviram para oxigenar e reestruturar a Al-Qaeda. Ela sentiu a forte repressão e se desestabilizou, em especial no Afeganistão e logo em seguida aos ataques às torres gêmeas e ao Pentágono.

Para Bush e a alta direção da CIA, a Al-Qaeda, neste 2007, conseguiu recuperar terreno e reúne condições operacionais iguais às ostentadas em setembro de 2001. Além disso, pode-se acrescentar, ela virou, pós-invasão do Iraque, fonte de referência e inspiração, como uma Casa Mãe, a uma centena de grupos regionais. Um dos últimos é o grupo salafita da Al-Qaeda na Argélia.

Diante desse quadro e com Bush tendo acabado de apresentar ao Congresso relatório de avaliação positivo em oito dos 18 indicadores de progresso no Iraque, a Casa Branca e o quartel-general da CIA em Langley já dão como certo um megaataque terrorista para setembro.

Os 007 da CIA concluíram que entre experientes combatentes no Afeganistão e Iraque foi selecionado o substituto de Mohammed Atta, o camicase que comandou os ataques e explodiu em um dos aviões atirados contra as torres gêmeas.

Informações da área da espionagem revelam que no sul do Iraque o recém-falecido mulá Dudallah deixou treinada uma centena de camicases prontos para o “martírio”, para usar a terminologia de predileção de Osama bin Laden. Fora isso, cerca de 50 candidatos a homem-bomba atravessam mensalmente a fronteira da Síria.

Com o terrorismo regional cada vez mais feroz, a CIA e o FBI deliberaram, na semana passada, acionar os alertas amarelo (elevado) e abóbora (alto) para, respectivamente, ataques por terra e ar.

Enquanto a CIA e o FBI lembram que Atta começou a executar, a partir de Hamburgo (Alemanha), o plano que culminou nos ataques de setembro de 2001, agora procuram aumentar a troca de informações com os equivalentes europeus.

Por seu truno, o Pentágono teme por ataques espetaculares fora dos EUA, em diferentes regiões do planeta, quase que simultaneamente.

Al Zawahiri, busca estabelecer liderança.


O Pentágono trabalha com um quadro complexo, com destaque a alguns terroristas em particular. Na América Central, por exemplo, Adnan el-Shukrijumah, de pai nascido na Jamaica e mãe na Arábia Saudita, é visto como importante operador de redes de comunicação e, por isso, conseguiria coordenar à distância ataques simultâneos.

Apesar da resistência do Hamas e do Hezbollah, de aceitarem o apoio da sunita Al-Qaeda, o grupo Fatah al-Islam, liderado pelo palestino Shakr al-Absi, já deu mostras, nos campos libaneses de refugiados de Nahr e Bared, de estar ligadíssimo ao al-qaedismo.

Na semana passada, o quadro de análise de situação confundiu os 007. O vídeo em rede norte-americana de televisão a mostrar Bin Laden era uma grosseira montagem.

As imagens joviais de Bin Laden foram extraídas de um clip mostrado em 2002. No último vídeo mostrado pela Al-Jazira, em outubro de 2004, Bin Laden estava bastante envelhecido. Em vez de uniforme de campanha militar, vestia e investia na imagem de líder político-espiritual.

Dois fatos não passaram despercebidos. Na montagem, destacou-se Abu Al-Yazid, fundador da Al-Qaeda e “ministro das Finanças”.

Al-Yazid sempre ficou à sombra de Bin Laden. Fora ele o arrecadador de dinheiro do 11 de setembro. Também conseguiu disponibilizar 1 milhão de dólares para as operações de Atta.

O próprio Al-Yazid, na véspera do atentado, recebeu, por meio de depósito realizado por Atta, 300 mil dólares. Era a sobra e Atta, por evidente, não iria levá-la no avião jogado contra as torres gêmeas.

Para a CIA, Al-Yazid controla o dinheiro empregado para custear o terror de setembro próximo.

O segundo fato diz respeito à desesperada tentativa de Al- Zawahiri de apresentar-se como porta-voz da Al-Qaeda. Na semana passada, ele apareceu na mídia três vezes. Isso representa risco alto à segurança de um terrorista.

Al-Zawahiri, ao contrário de Al-Yazid, que pediu ajuda financeira, deixou uma mensagem em código, decifrada como ordem de ataque.

Como se percebe, há uma disputa de liderança na Al-Qaeda a envolver Al-Zawahiri e Al-Yazid, o que pode indicar que Bin Laden já faleceu. Do lado dos jogadores de dama, continua-se a justificar a guerra, sem perceber que a recuperação da Al-Qaeda deveu-se ao próprio governo Bush.

WFM, 23 de julho de 2007.


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