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Terror//Insurgência

 

TERROR. Ditadura Zawahiri. Bin Laden fora de cena.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

.julho de 2007.



O silêncio do fundamentalista sunita Osama bin Laden continua a gerar especulações sobre sua morte.

A última aparição de Bin Laden ocorreu em 12 de outubro de 2004, em vídeo transmitido pela Al-Jazira. Desde que, em 1988, fundou a Al-Qaeda para promover a Jihad global, Laden nunca ficou tanto tempo fora do ar.

Motivos para reaparecer não faltaram. No momento, os al-qaedistas e simpatizantes estão incomodados com a notoriedade dos grupos islâmicos xiitas, em especial o Hezbollah e o Hamas. Esses grupos desprezam a Al-Qaeda, que é sunita.

O médico egípcio Ayman al-Zawahiri ocupou o lugar de Bin Laden. No fim de junho, Zawahiri posicionou-se como o único chefe islâmico, isso logo após os ataques consumados no sul do Líbano contra capacetes azuis das Nações Unidas. A ação resultou em seis soldados mortos.

Zawahiri pediu dinheiro e armas para o xiita Hamas, que recebe suporte material do Irã e da Síria. Também propôs a união dos mujaheddin contra iminentes ataques do Egito e da Arábia Saudita. Para rematar, recomendou a adoção da lei islâmica que, na sua boca, representa a certeza de os xiitas estarem na contramão.

A proposta de Zawahiri recebeu rejeição expressa do Hamas. O porta-voz Sami Abu Zuhri deu o seguinte recado: “O nosso movimento tem um programa e prescinde da pregação de outros grupos”.

No varejo, no entanto, Zawahiri ainda empolga fanáticos. Para ele, cada islâmico, onde estiver, deve promover o terror contra o Ocidente, independentemente do apoio material da Al-Qaeda.

Uma prova disso acaba de ocorrer em Londres e em Glasgow (Escócia). Os agentes do MI-5 e os policiais da Scotland Yard desarticularam, entre 28 de junho e 3 de julho, uma célula terrorista formada por médicos. Mas, por acaso, abortaram ataques que resultariam em tragédias.

Até o momento, sete médicos estrangeiros foram presos, todos admiradores de Zawahiri. Eles trabalhavam em hospitais do Reino Unido. A célula quis empregar a tática dos al-qaedistas do Iraque: carros-bomba contra civis inocentes.

Como comprar dinamite na Grã-Bretanha não é tão fácil como no Iraque, os médicos-terroristas rumaram ao supermercado e ao posto de gasolina. Aí, duas velhas Mercedes-Benz foram carregadas com botijões de gás, aparelhos celulares, caixa de pregos e galões.




Na quinta-feira 28, uma dessas Mercedes, com celular na função de detonador e pronta para explodir, ficou estacionada na zona do Piccadilly Circus, defronte à danceteria Tiger-Tiger. Na ocasião, mais de 1,5 mil pessoas lotavam o nightclub da Haymarket Street.

Por ironia do destino, uma ambulância estacionou ao lado da Mercedes e percebeu-se fumaça no interior do veículo. O policial acionado desligou o celular-detonador e abortou uma explosão.

Na sexta-feira 29, outra Mercedes, estacionada em local proibido da Trafalgar Square (próximo à Haymarket), foi guinchada até uma garagem no Park Lane. Os garagistas sentiram odor de gasolina provindo do seu interior. Em resumo, era a segunda Mercedes programada para explodir, com igual material: gás, gasolina, celular e pregos.

No sábado 30, defronte ao aeroporto internacional de Glasgow, dois médicos, estrangeiros e radicais fundamentalistas islâmicos, lançaram um automóvel da marca Jeep, em chamas, contra o terminal de embarque.

Eles trabalhavam no Royal Alexandra Hospital, próximo ao aeroporto. Para os agentes do MI-5, agência britânica de inteligência interna, os principais cabeças são o jordaniano Mohammed Asha e o indiano conhecido pelo prenome de Hanef.

Muitas projeções estão sendo realizadas pelos 007. Não se descarta que as Mercedes aguardavam novos motoristas, pois permaneceriam escondidas até 7 de julho. Ou seja, explodiriam na data do segundo aniversário do ataque terrorista ao metrô, que resultou em 52 mortes.

Outra hipótese seria por ocasião do trajeto londrino do Tour de France, no mesmo 7 de julho. A concorrida prova ciclística passa pelos locais onde estavam estacionadas as Mercedes.

Especulações à parte, o certo é que os policiais identificaram os médicos-terroristas pelas chamadas registradas nos dois celulares apreendidos.

A casual descoberta deu-se no primeiro dia de governo do premier Gordon Brown, que desprezou o estilo Tony Blair e os britânicos gostaram. O novo premier não saiu a prometer aumento de penas. Nem a postular limitações às liberdades individuais e públicas. Tampouco disparou discursos apavorantes.

Gordon alertou que o terror não mudaria a vida dos britânicos. A Parada do Orgulho Gay realizou-se normalmente e o novo Estádio de Wimbledon recebeu 70 mil pessoas, num concerto em homenagem à memória da eterna princesa Diana.


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