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Terror//Insurgência

 

Terrorismo Tropical ?

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

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11 de junho de 2007.







Numa interceptação telefônica, garante o FBI, certo terrorista caribenho imagina o dia seguinte do ataque que seria realizado no aeroporto internacional JFK, de Nova York: “É como matar o presidente John Fitzgerald Kennedy pela segunda vez”.

Esse terrorista, membro da organização fundamentalista Jamaat Al-Muslimeen, fundada nos anos 90 nas antigas ilhas inglesas de Trinidad e Tobago, seria, conforme o FBI, um dos planejadores e executores do ataque ao aeroporto JFK.

Evidentemente, não exagerou no caso de êxito. Para ter idéia, pelo JFK transitaram 41 milhões de passageiros em 2006. Operam regularmente no JFK cerca de cem companhias aéreas, originárias de mais de 40 países. Levantamento recente revela que mais de 200 mil postos de trabalho dependem das atividades desenvolvidas no aeroporto.

Abortado pelo FBI, o plano terrorista consistiria na colocação de explosivos nos tanques de armazenamento de combustíveis existentes no aeroporto e em vários pontos de passagem do gasoduto de 65 quilômetros, que sai de New Jersey e desemboca no JFK. Com explosões simultâneas, todo o aeroporto seria destruído, além de grande parte dos bairros do Brooklyn e do Queens, cortados pelos dutos.

Na segunda interceptação liberada pelo FBI, os terroristas avaliam que o atentado faria mais vítimas que o consumado em 11 de setembro de 2001, nas Torres Gêmeas. Para um dos interlocutores, “a economia norte-americana ficaria afetada por muito tempo e a população vestiria luto”.

Na segunda-feira 4, especialistas independentes dedicados ao estudo do terrorismo realizaram análises e não encontraram respostas a certas perguntas, tudo a embaraçar a direção do FBI.

A primeira indagação perturbadora diz respeito à quantidade de terroristas envolvidos nesse pantagruélico projeto de destruição do aeroporto JFK e ao número de prisões realizadas.

aeroporto Kennedy- terminal.


Com efeito, o FBI revelou que os terroristas estavam sendo acompanhados há 18 meses. Acontece que a célula terrorista em questão era composta de apenas quatro pessoas. Os terroristas são: 1. Ressuel de Freitas, prestador de serviços no aeroporto JFK, nascido na Guiana, naturalizado cidadão norte-americano e residente em Nova York; 2. Abdul Kadir, nascido na Guiana e residente em Trinidad e Tobago; 3. Karen Ibrahim, residente em Trinidad e Tobago; e 4. Abded Nur, natural da Guiana e não residente nos EUA.

Desses quatro terroristas, o FBI conseguiu a proeza, depois de 18 meses, de prender três e deixar escapar Abded Nur. Outra questão espanta, à luz da importância que o FBI dá à sua ação. O FBI concluiu que não existiu nenhum risco à população e que o aeroporto e o gasoduto foram permanentemente vigiados. Mais, a célula terrorista ainda não estava na posse dos explosivos e havia absoluta certeza de que o grupo não mantinha nenhuma ligação com a Al-Qaeda.

Para o chefe do Ministério Público de Nova York, o grupo poderia ter “causado uma catástrofe inimaginável”. Apenas esqueceu de dizer como seria isso possível sem recursos, sem explosivos e com três dos terroristas residindo fora dos EUA, dois na Guiana e um em Trinidad e Tobago.

De quando em quando, os 007 e policiais norte-americanos e ingleses alardeiam grandes ações a evitar tragédias. Para tanto, aproveitam-se da máxima disseminada por Ayman Zawahiri, segundo na hierarquia da Al-Qaeda. Ele prega que cada crente deve cumprir o seu papel, ainda que não integrado a grupos.

Do rol de abortamentos, por exemplo, constam os projetos de derrubada da ponte do Booklyn e destruição do túnel que passa debaixo do rio Hudson, a inundar Wall Street, o coração financeiro dos EUA.

Os 007 britânicos tinham levantado suspeitas sobre o recrutamento de caribenhos para ações terroristas, em 2006. E aí é sempre lembrado o caso de Richard Reid, um anglo-caribenho que se converteu ao fundamentalismo islâmico. Reid pretendia derrubar um avião com explosivo que levava na sola do seu tênis de ginástica.



Por outro lado, os 007 da Alemanha em colaboração com seus pares norte-americanos, em maio, advertiram para um plano terrorista avançado, voltado a matar turistas e soldados norte-americanos. Uma das hipóteses seria o iminente ataque, na Alemanha, à base americana de Patch Barracks, nas vizinhanças de Stoccarda.

Como as dúvidas são muitas, os cidadãos norte-americanos ainda preferem acreditar nas autoridades responsáveis pela prevenção e repressão ao terrorismo, pelo menos até o final do mandato de Bush.


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