São Paulo,  
Busca:   

 

 

Terror//Insurgência

 

TERRORISMO. O Memorial da Tragédia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

Memorial da Tragédia.





Ao lado da estação central de Atocha, no coração de Madri, uma multidão acompanhou a inauguração, pelo rei, Juan Carlos, e presença do premier José Luis Zapatero, do memorial às 192 vítimas fatais dos ataques terroristas de 11 de março de 2004.

Em forma cilíndrica, a torre de vidro possui 11 metros de altura e, no interior, encontram-se gravadas as mensagens escritas por cidadãos comuns. Também estão os escritos de alguns dos mais de mil feridos com as explosões ocorridas no metrô.

Muitos familiares das vítimas presentes ao ato devem ter recordado o iluminista Denis Diderot (1713-1784), que, no chamado século das luzes, escreveu: “Do fanatismo à barbárie, basta um passo”.

A grande surpresa por ocasião da inauguração do memorial, três anos depois dos atentados, ficou por conta dos protestos contra as políticas para a questão dos separatistas do ETA, praticadas pelo primeiro-ministro Zapatero e pelo ex-premier José Maria Aznar, este nos oito anos do seu governo direitista.

Como se percebe, a tragédia de 11 de março de 2004 continua a perseguir Aznar, que, numa esperteza própria de governos populistas latino-americanos em véspera de eleição, mentiu ao povo espanhol quando atribuiu ao ETA os ataques no metrô: ele sabia que se tratava de ato de fanáticos fundamentalistas islâmicos. Pego na mentira, Aznar perdeu o prestígio e o governo.

A política de Zapatero com relação ao ETA é criticada por aqueles que não aceitam qualquer forma de acordo com um movimento eversivo, que é minoritário entre os bascos e nos territórios que eles ocupam na Espanha.

Para a maioria basca que vive na Espanha, a ideologia ultranacionalista de sustentação do ETA está superada: nos anos 70 e início dos 80, o ETA era trotskista e tornou-se ultranacionalista no início dos anos 90. Assim, e na remotíssima hipótese de um Estado em território espanhol, haveria um êxodo de bascos contrários ao ETA.

O nacionalismo basco foi pesadamente reprimido durante a ditadura do generalíssimo Franco, depois de um primeiro ato de sabotagem, em 1961. Em em 1973, o ETA conseguiu matar o delfim de Franco, o almirante Carrero Blanco. Depois da morte de Franco, em 1975, os componentes do ETA fanatizaram-se, partiram para a violência sanguinária, autojustificada pelo fervor nacionalista-separatista. Além dos atentados, dedicaram-se a seqüestros de pessoas.

walter fanganiello maierovitch, colunista da revista Carta Capital.


Com efeito, o recém-inaugurado memorial marca, na vida da Espanha, o enfraquecimento de uma forma de terrorismo separatista, conduzido pelo ETA, que perde espaço por uma outra forma de terror, de matriz fundamentalista islâmica.

Enquanto isso, e pelo planeta, o terrorismo e a insurgência, a seguir o exemplo do ETA, permanecem a seqüestrar pessoas. Na segunda-feira 12, o jornalista Alan Johnston, correspondente da BBC, foi seqüestrado em Gaza, quando retornava para casa, depois de deixar a redação.

Johnston foi atacado num congestionamento de trânsito, arrancado de seu automóvel por homens encapuzados e fortemente armados. Só teve tempo de tirar do bolso e jogar no chão um cartão de visita, na esperança de as testemunhas passarem às autoridades a sua identificação.

Na Faixa de Gaza, jornalistas estrangeiros e agentes humanitários viraram alvo de seqüestro para fim de extorsão e divulgação internacional da instabilidade regional. O último seqüestro tinha ocorrido em janeiro deste ano e a vítima foi um peruano que trabalhava como fotógrafo da agência France Press.

Em 5 de março, no Afeganistão, o jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, do jornal La Repubblica, foi seqüestrado por membros do Taleban, quando se deslocava para Helmand, sede do quartel-general dos talebans e onde atuam os conhecidos mulás Dadulah e Omar. O jornalista Mastrogiacomo tinha uma entrevista agendada com um dos líderes da resistência no sul do Afeganistão.

Segundo a France Press, numa informação considerada precipitada e sem comprovação, o mulá Dadulah concordaria com a libertação do jornalista. Tudo em troca da promessa de retirada imediata dos soldados italianos em ação em Cabul (1.188 soldados) e Herat (750 militares).

Um grupo especial da espionagem militar italiana (Sismi), formado pelo herói Nicola Calipari, negocia com os talebans. Calipari foi fuzilado por um soldado norte-americano quando conseguiu, no Iraque e contra a vontade do governo Bush, libertar a jornalista seqüestrada Giuliana Sgrena: ele colocou seu corpo como escudo para salvar a jornalista italiana e faleceu como herói nacional.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet