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Colaborador- Carta Aberta.

 

A GUERRA E AS METÁSTASES

Por DANIEL FLEMING

Enquanto destinamos doses diárias de preocupação à Guerra do Iraque, noticiada insistentemente por nossos jornais, fechamos os olhos para a guerra velada que acontece dentro da América Latina, provocada pelos mesmos culpados por assassinar a população à margem dos rios Tigre e Eufrates.

BUSH: o presidente das guerras interesseiras.


Se a desculpa das armas de destruição em massa foi a justificativa para uma invasão estadunidense ao Iraque, aqui, a Guerra às drogas tem sido motivação para uma invasão silenciosa, que tem matado feito câncer e se espalhado como metástases por todos os países, desde a Colômbia, Bolívia, Equador e Peru, produtoras da demonizada folha de coca, até Brasil e Argentina, vítimas dos efeitos colaterais dos conflitos impostos pelo império.

O Plano Colômbia e o Plano Dignidade (na Bolívia) recebem bilhões de dólares direto do Tio Sam (U$1 bilhão por ano nos últimos 25 anos segundo o Instituto Brasileiro Givanni Falconi) e, apesar de não mostrarem resultados, já que o preço internacional da cocaína tem caído ao contrário de sua oferta, se propõe sua ampliação através da IRA, a Iniciativa Regional Andina, que englobaria o combate à produção de coca e papoula em todos os países andinos, a origem do dinheiro não é preciso mencionar.

Dois levantamentos feitos pelo Washington Office on Latin América (Wola) mostraram que o preço do grama de cocaína, nos grandes centro urbanos dos Estados Unidos, caiu de U$55 em 1981 para U$37 em 2003, o que deveria provocar mudanças na política repressiva imposta pelos Yankes às convenções da ONU.

Esse financiamento do caos é visto como bênção por alguns, mas tem se mostrado ineficaz em diminuir a crise econômica e social vivida pelos países envolvidos. Ao contrário, só tem intensificado-a.

Na Colômbia, para erradicar as plantações de coca, folha utilizada há mais de cinco mil anos em rituais de populações indígenas, é despejado em aviões da empresa DynCorp o herbicida glifosfato, produzido pela Monsanto. O problema é que o glifosfato atinge não só as plantações de coca, mas outras plantações de subsistência, o que tem condenado milhares de latino-americanos à fome. Isso sem contar com os danos ambientais provocados pelo produto da Monsanto que tem contaminado rios com afluentes na Amazônia.

As plantações de coca foram migradas para áreas desmatadas dentro da floresta amazônica colombiana e as plantas ou se tornaram mais resistentes ao herbicida ou são provenientes de novas sementes modificadas em laboratório, pois têm quase o dobro da estatura normal da planta (1,60 metros).

Na Bolívia, apesar da diminuição do uso do processo de fumigação de herbicidas nas plantas, a erradicação forçosa continua e os planos de desenvolvimento alternativo fracassam. O único sucesso é a intervenção dos EUA que definem toda política para o fenômeno das drogas no país.

O coronel boliviano Jaime Cruz Vera, da Unidade Móvel de Patrulhamento Rural (Umopar), disse em entrevista ao site Narconews.com ser os Estados Unidos responsáveis por quase todo dinheiro do exército de erradicação boliviano. E a influência não para na esfera da Guerra às drogas. A exemplo de muitos outros golpes de estados na América, o golpe fracassado de 2002 na Venezuela teve auxílio estratégico de órgãos de inteligência dos Estados Unidos, que têm interferido também nas decisões políticas e econômicas dos países latino-americanos. Assim é injustificável que o Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, em visita ao Brasil, questione a suposta aquisição pelo presidente Hugo Chávez de 100 mil fuzis junto à Rússia.

O vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel, emitiu um comunicado em repúdio à declaração de Rumsfeld. " Nós da Venezuela estamos preocupados pelo elevado gasto militar que os Estados Unidos levam a cabo e que ronda os 450 bilhões de dólares, o que representa um gasto muito superior à soma dos dispêndios das 18 potências que se seguem.

Somente os Estados Unidos absorvem 36% do gasto militar mundial. "retrucou. A Venezuela precisa dessas armas para garantir sua soberania ameaçada, assim como pacientes com câncer dependem de terapias invasivas para conter suas metástases.

*o autor é membro da NARCONEWS e jornalista em Campinas (São Paulo-Brasil).


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