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Colaborador- Carta Aberta.

 

Da primeira à última página

Por Luciano Martins Costa

A globalização da economia, ou globalocalização, como preferem alguns, embora saudada como fenômeno auspicioso pela possibilidade de levar investimentos e tecnologia a todas as curvas do planeta, carrega também o efeito perverso de abrir caminho para a expansão das organizações criminosas de todos os tipos, ampliando seus mercados e dificultando o controle de suas ações.

O tema tem frequentado congressos de criminalistas e magistrados e coloca os comunicadores diante de um novo desafio: como rastrear as máfias modernas e o envolvimento de agentes de serviços públicos que se colocam a soldo do crime, com esta ampla variedade de relações, que envolvem sistemas interbancários virtuais, recursos eletrônicos de ficção científica e planejamento digno de grandes estrategistas?

Recentemente, em conversa com estudantes do curso de Correspondente Estrangeiro na Faculdade de Comunicações da Universidade do Texas, em Austin, fui colocado diante da questão sobre o papel da imprensa nessa batalha entre a Lei e as corporações criminosas. Ocorreu-me, então, que os jornais e os jornalistas têm passado ao largo dessa nova realidade: em geral, a mídia trata o crime globalizado com as mesmas medidas utilizadas nas tradicionais páginas policiais sobre o crime circunstancial.

Já não pode ser assim. Se é senso comum que o jornalismo deve se tornar cada vez mais afirmativo e crescentemente colocado a serviço da civilidade, não cabe outra condição: o noticiário a respeito da empresa-crime deve deixar o exílio da seção específica e se espalhar por toda a mídia, da Economia à Cultura. Dessa forma, a imprensa estará cum-rindo seu papel pedagógico de ensinar que o combate ao crime organizado não é tarefa exclusiva do Estado, mas de toda a sociedade, com todos os riscos que isso possa implicar.

*Luciano Martins Costa é jornalista e membro do Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone.


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