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Tragadas globais e o bode da vez

Por IBGF/Jornal do Terra

O ator Marcello Antony foi surpreendido ao comprar 100 gramas de maconha para uso pessoal. Com esses gramas, o ator Global poderia confeccionar 33 cigarros, no máximo. Na Justiça e como critério para distinguir o usuário do traficante, cada "fininho" é feito com 3 gramas da erva canábica.

Por influência americana, a criminalização do porte para uso próprio e o proibicionismo prevaleceram nas Convenções das Organizações das Nações Unidas, a partir de 1961. Essas Convenções estão sendo abandonadas por diversos países europeus, apesar dos protestos de Bush. O Brasil aderiu às Convenções. Considerou o consumo como questão criminal. Nem o Lula pretende mudar, embora tenha prometido. Na verdade, a sociedade brasileira enxerga o usuário recreativo e o dependente químico como criminosos. Num enfoque equivocado, pois a questão deveria ser tratada como de saúde pública e não como criminal.

Com efeito, narizes serão torcidos ao ator Antony e espera-se que a Rede Globo, ao contrário do acontecido certa vez com a TV Cultura, não tenha com ele uma postura perversa. Afinal, o uso lúdico de drogas faz parte da história da humanidade. Até o historiador Heródoto, contou isso no século V aC.

A proibição administrativa é a nova trilha seguida por diversos países europeus. A proibição continua sendo considerada necessária, mas no âmbito administrativo ( não criminal) e diante dos danos à saúde suportados em face do uso e do abuso no consumo de drogas ilegais.

O caso Antony está servindo aos adeptos da tese referente à culpa do usuário de drogas ilícitas pela violência e pelo fortalecimento da criminalidade organizada nas cidades brasileiras. Os seguidores dessa tese partem de um truísmo, da obviedade simplista de que sem demanda não haveria oferta. Não percebem que o usuário é o elo mais fraco da cadeia representada pelo fenômeno das drogas proibidas.

E tantos outros truísmos poderiam ser invocados. Por exemplo, sem insumos químicos não haveria refino de drogas naturais ou elaboração das sintéticas. Da mesma forma, não haveria consumo se não houvesse oferta. E aí os EUA, -campeões mundiais de consumo de drogas-, se sentiram legitimados a derramar herbicidas nos plantios de coca na Colômbia, causando danos ambientais irreversíveis. O elo preocupante dessa cadeia está nos sistemas bancário e financeiro internacionais. Todos os anos, pelo sistema bancário internacional, o narcotráfico movimenta US$400 bilhões. É lavagem de dinheiro que corrompe autoridades e alavanca a oferta. Mais ainda, permite à criminalidade organizada uma atuação sem fronteiras, globalizada.

No Brasil, a informação e a educação sobre os malefícios das drogas são substituídas por "bodes expiatórios". O ator Antony é o bode da vez.


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