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Segurança não é brincadeira de Garotinho

Por IBGF/Jornal do Terra

O Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica foi criado em 1559 durante a Inquisição. Caro internauta, será que no seu índex particular haveria veto para algum livro brasileiro sobre segurança pública, criminalidade e violência? Devo esclarecer que na minha estante o livro de Garotinho nunca mereceu lugar. A obra foi lançada para campanha eleitoral e Garotinho passou a se auto-intitular especialista em segurança pública.

Aliás, está aí o seu trabalho como governador, secretário e marido em atividade de primeira-dama a comprovar a infantilidade no trato da questão. No caso Staheli, por exemplo, as suas suspeitas começaram com a máfia. Agora, recaem num caseiro, que inquiriu e apresentou como autor dos crimes. Apesar da certeza de Garotinho, a Justiça não decretou a prisão do incriminado por absoluta falta de prova confiável.

O grave problema da segurança no Rio, convém lembrar, não nasceu com Garotinho. Com ele apenas se agravou. Por exemplo, criou um sistema penitenciário, auto-avaliado como exemplar em termos de segurança máxima, que Beira Mar acabou mostrando como não funcionava.

Em síntese, a criminalidade organizada no Rio conquistou territórios. Pelo seu poder difuso de intimidação, estabeleceu o controle social, ou seja, escravizou comunidades. A prosperidade econômica das associações criminais foi conseguida, principalmente, com o tráfico de drogas. Com o dinheiro no caixa, nasceu o poder corruptor, a ensejar expansão, ousadia e a integração sul-americana. Para se ter idéia dessa integração, basta notar que o Rio já é abastecido pela maconha transgênica produzida no Paraguai - ela cresce mais rápido que a comum, tem odor de menta e, por isso, escapa ao faro de cães policiais.

A barata cocaína colombiana, refinada com cimento cinza, circula pela periferia. E uma pura, bem refinada pelo emprego de insumos de qualidade, sai do Peru e da Colômbia para as narinas fluminenses privilegiadas. Até agora, nenhuma medida eficaz e inteligente foi idealizada pela dupla Rosinha-Garotinho para afetar a economia movimentada pela criminalidade, cujas associações estão em guerra hegemônica.

Diante desse quadro, Garotinho usa diversionismo e procura transferir a culpa aos usuários de drogas, que representam o elo mais fraco dessa cadeia. Como se estivesse num festival de insensatez, o vice-governador do Rio bradou por murar as favelas. Um apartheid à carioca, a invejar Ariel Sharon e a fazer tremer Nelson Mandela.

No falido Plano Nacional de Segurança Pública, implantado no governo FHC, a prioridade era para iluminação pública e a navegação em canais usados como narcovias. Veio o apagão e FHC descobriu que os calados dos barcos da Marinha e da Polícia Federal não permitiam navegação nos canais fluminenses.

O governo Lula reservou-nos o chamado SUS para a segurança pública, que está em estágio pré-falimentar. Não passou do armazenamento de dados papilares, quando a Constituição de 1988 já aboliu a identificação datiloscópica criminal (todos os dedos) aos portadores de cédula civil (só o polegar direito).

Para completar, o ministro da Justiça levou mais de ano para publicar editais destinados à construção de presídios federais e não percebe que o problema relativo à segurança está na organização em Federação. As 27 unidades federativas as autoridades não se comunicam entre si.

Portanto, mais uma vez vamos ouvir falar em Exército nas ruas do Rio e Estado de Defesa. Tudo alimentado pelas artes de Garotinho, pelos factóides de César Maia e pela postura insegura do ministro Bastos, especialista em defesa de réus acusados de crimes, mas sem cacoete para projetar uma eficiente defesa para a sociedade.


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