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Tráfico de lixo e colonialismo ambiental

O tráfico ilegal de lixo é o mais novo dos filões explorados pela criminalidade organizada de modelo mafioso. Em 2003, as máfias embolsaram 15 bilhões de euros com a transferência transnacional de lixo. Antes e nos anos de 2000 a 2002, o lucro, em moeda norte-americana, variou de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões. O negócio mafioso consiste em transferir toneladas de lixo do Norte industrializado para o Sul subdesenvolvido. Trocando em miúdos, os países industrializados e ricos usam os pobres como latrina.

Segundo o cálculo de especialistas em máfias e na análise do fenômeno do "ecocrime" sem fronteiras, as indústrias dos países ricos já enviam para o continente africano, todos os anos, cerca de 50 milhões de toneladas de lixo, incluído o tóxico. Portanto, não está tendo grande sucesso a Convenção de Bamako, de 1991, que veda a remessa de lixo para diversos países africanos e áreas do Caribe e do Pacífico.

Pelo estimado, todos os anos os países industrializados precisam se livrar de 300 milhões de toneladas de resíduos, desde baterias até resíduos eletrônicos e nucleares. Entre 1986 e 1990, as máfias cobravam para tirar das indústrias do primeiro mundo de US$ 100 a US$ 2.000 por tonelada de lixo. E na África, essa criminalidade organizada pagava de US$ 2,50 a US$ 50 a tonelada despejada, aí incluído o preço da corrupção de autoridades. Os países mais visados são os da África, da Europa Oriental e da Ásia. A propósito, o Greenpeace denunciou, de 1998 a 1999, o descarregamento de 100 mil toneladas de lixo na Índia.

Por outro lado, o "estelionato" faz parte dos "negócios" onde a criminalidade organizada não é chamada para intermediar. Assim, corporações fecham acordos passando a falsa idéia de que "cargas" preciosas estão sendo encaminhadas para reciclagem. E com a reciclagem novos postos de trabalho são abertos, além da nova tecnologia de transformação, a ser desenvolvida nos países do terceiro mundo.

Nos EUA, para se ter idéia, 20 milhões de computadores viram anualmente sucata. A propósito, a China andou recebendo velhos computadores norte-americanos, na esperança de reaproveitar (canibalizar) os componetes. Evidentemente, produziu o lixo do lixo.

Por outro lado, países em via de desenvolvimento resolvem o problema sem exportar ilegalmente o lixo, mas usando a migração para áreas dos seus próprios territórios. Tudo em detrimento da saúde e de gerações futuras. Importante lembrar a respeito do lixo perigoso e do seu ilegal tráfico internacional que a primeira convenção das Nações Unidas ocorreu na Basiléia, em 1989. E os EUA não aderiram à Convenção da Basiléia. Com relação ao "business" do lixo, as corporações corrompem e usam as máfias. É o colonialismo ambiental promovido pelos países do Norte.


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