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Coca provoca euforia em Bush

Por IBGF/Jornal do Terra

Na manhã desta terça-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. O encontro foi marcado por extraordinária euforia. Não faltaram elogios do governo norte-americano à liderança de Uribe na América Latina. Isso, segundo Bush e o seu czar antidrogas John Walters, em face da tenaz luta de Uribe contra as drogas e o terrorismo.

Para a visita de Uribe render na mídia, Bush anunciou a redução das áreas de cultivo de coca na Colômbia. No ano de 2002, essa área era de 144.450 hectares. Agora, segundo levantamentos realizados por satélite e por pessoal de campo da CIA, a área cultivada é de 113.185. Ou seja, houve uma diminuição de 31.265 hectares.

No encontro, o eufórico Bush mostrou a Uribe o pedido que está encaminhando ao Congresso. Pretende aumentar os efetivos militar e de inteligência do Plano Colômbia. E, também, reforçar as verbas para novos contratos, voltados ao despejo aéreo de herbicidas nas áreas de plantio de arbustos de coca.

O Congresso norte-americano, para não repetir o ocorrido no Vietnã, fixou, para o Plano Colômbia, o número de 400 militares de patente superior e de 300 agentes da CIA. Agora, Bush quer duplicar o número de militares e de "arapongas": 800 e 600, respectivamente. Objetiva, ainda, ampliar os contratos com a norte-americana Dyncorp, empresa privada de segurança que despeja, com os seus aviões, glifosato (nome comercial Round Up) produzido pela multinacional Monsanto nos plantios de coca. A Dyncorp mantém um contrato de cinco anos com o governo americano no valor de US$ 170 milhões. Bush quer ampliar as fumigações.

Por seu turno, Uribe anunciou a reconstituição do Bloque de Busqueda, um grupo especial de policiais colombianos, treinados pelos norte-americanos (CIA, DEA e oficiais militares), que conseguiu localizar e matar, há dez anos, o então potente Pablo Escobar. O Bloque de Busqueda vai tentar capturar os líderes das Farc, incluído o septuagenário "Tiro-Fijo" (Manuel Marulanda).

As ONGs ambientais e as ligadas aos direitos humanos já começaram a se organizar para protestar, conforme e-mails enviados pela internet. A fumigação tem causado danos ecológicos irreversíveis na Colômbia. Vem contaminando rios e afetando a floresta Amazônica na porção colombiana. O e-mail do Centro para a Política Internacional (CPI) ressalta: "o aumento de efetivo do Plano Colômbia, desejado por Bush na sua War On Drugs, vai incrementar uma outra zona de conflito internacional, ou seja, a Colômbia".

A dupla Bush-Sharon parece estar mais turbinada do que duplas de "cheiradores de cocaína". Vale frisar que especialistas internacionais ensinam que, na Colômbia, o caso é de insurgência e não de terrorismo. Evidentemente, métodos terroristas são utilizados pelas guerrilhas (Farc e ELN), pelos paramilitares apoiados secretamente pela CIA e pelo próprio Uribe.


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