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AGENT ORANGE: a maior guerra química que o mundo conheceu.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch





Passados trinta anos do fim da Guerra do Vietnã, a Europa resolveu abrir o armário das crueldades e apresentar os fantasmas da maior guerra química até hoje conhecida.

Vencidas na guerra, as tropas norte-americanas deixaram o Vietnã em 1975. Atrás ficaram 4 milhões de vietnamitas diretamente atingidos pelo conhecido "agente laranja".

O "agente laranja" derramado no Vietnã é a letal dioxina. Ela chegava a Saigon (Vietnã do Sul) em barris de cor preta. Nesses recipientes havia uma faixa laranja e o registro "agent orange". Como os militares não sabiam qual era o insumo químico, passaram a chamá-lo de "agente laranja", como escrito no barril.

A primeira discussão sobre a guerra química no Vietnã - que já foi colônia francesa - acaba de ocorrer em Paris. Chamou-se Primeira Conferência sobre o Agente Laranja e as Vítimas da Guerra do Vietnã. Contou a Conferência com a participação da Associação das Vítimas Vietnamitas do Agente Laranja. A dioxina empregada no Vietnã era um potente desfolhante que contamina o solo e a atmosfera.

Seus efeitos podem ser sentidos durante 40 anos. Ou melhor, o efeito residual ainda está presente no Vietnã. O objetivo militar do despejo do "agente laranja" era avistar os guerrilheiros vietcongs, que se escondiam nas florestas e matas. Eliminadas as florestas, os soldados norte-americanos poderiam ver o inimigo e, --como aconteceu, queimá-los com a incendiária bomba napalm.

No Vietnã, entre 1961 e 1975, foram despejados 80 milhões de litros do "agente laranja". O derrame desse potentíssimo veneno atingiu, diretamente, os moradores de 20 mil vilas. O agente laranja - --nos vietnamitas e também nos soldados americanos-- - causou câncer, esclerose múltipla e comprometeu o sistema imunológico, a ponto de abrir portas para mortes por malária e infecções em geral.. Muitas mulheres perderam a fertilidade, como, por exemplo, a atual presidente da Associação das Vítimas Vietnamitas do Agente Laranja. As que conseguiram conceber, deram a luz crianças com síndrome de Down, malformações físicas, deficiência imunológica, etc. Enquanto em Paris se discutia sobre as vítimas e os resíduos ainda presentes do "agente laranja", era anunciado no Iraque o julgamento do sanguinário Saddan Hussein. Uma das acusações é o genocídio de 5 mil curdos, com emprego de químicos. Só para lembrar, no Vietnã foram 4 milhões de atingidos diretamente pelo agente químico.

À época da guerra do Vietnã, o governo norte-americano encomendou a feitura de desfolhantes para a Dow Chemical, Monsanto, Uniryal, Thompson e a Occidental Chemical Corporattions. E o produzido acabou sendo a mortal dioxina.

No curso da Conferência de em Paris, recordou-se a trágica decisão da Corte de Justiça de Nova Iorque. Isso, na ação indenizatória proposta contra os laboratórios químicos. A Corte de Justiça entendeu que os laboratórios receberam ordem do governo dos EUA.

Quanto à responsabilidade do governo dos EUA e uma ação indenizatória voltada contra o Estado, a lei norte-americanaafasta qualquer possibilidade de indenizações por fatos ligados às guerras.

Sobre mais detalhes, o internauta poderá consultar a revista Carta Capital desta semana (11 de junho de 2005) ou a trsncrição da matéria no site do IBGF, em breve.


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