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Anos perdidos: resultado dos exames da OAB

Por IBGF/Jornal do Terra

Quarta, 1 de dezembro de 2004, 18h24

Exame da OAB deveria envergonhar reitores

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Sem ter bola de cristal, antigos dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestaram preocupação com a proliferação dos cursos jurídicos.

Por isso, lutaram e conseguiram, por força de lei, estabelecer uma forma de controle externo. Ou seja, o bacharel em direito precisa, para exercer a profissão de advogado, ser aprovado no exame da OAB.

A forma trouxe benefícios à sociedade civil e desnudou a péssima qualidade do ensino jurídico no Brasil, por algumas instituições que receberam delegação do governo federal.

Hoje, a sociedade já se movimenta para exigir exame semelhante ao feito pela OAB a outros candidatos a profissionais liberais, como médicos, engenheiros, dentistas, etc.

Em 2004, os resultados dos exames realizados pelas seccionais da OAB foram preocupantes e estão a exigir providências do Ministério da Educação.

No Estado de São Paulo, por exemplo, foram realizadas duas avaliações semestrais. Na primeira, passaram apenas 13% dos candidatos. Na segunda avaliação, o resultado foi ainda pior, ou seja, apenas 8% de aprovados.

Pelo jeito, muitas faculdades transformaram o diploma de bacharel em direito e ciências sociais num produto comercial.

Ainda mais, os exames estão revelando que os candidatos não sabem escrever e não têm capacidade para compreender o enunciado das questões formuladas.

Além da desmoralização do ensino, pesa, também, a frustração do bacharel. Apenas no final, ele toma consciência de não estar qualificado para exercitar a profissão.

Um brilhante jurista uruguaio, com obras de direito editadas em vários países, elencou os "Mandamentos do Advogado". Esse jurista, Eduardo Couture, morreu aos 42 anos de idade. Sua obra, certamente, não é encontrada na biblioteca das faculdades que não conseguem a aprovação dos bacharéis aos quais conferiram grau.

Couture lembrou: "O direito se apreende estudando, porém se pratica pensando. Em outra passagem, Couture lembrou que o direito está em constante transformação. Se não o acompanhas, será cada dia menos advogado".

Se alguns "magníficos" reitores conhecessem o pensamento de Couture, mudariam de ramo. O certo é que, até agora, eles nem ficaram ruborizados com os resultados apresentados pela OAB.

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