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Jornal Britânico compara Rio ao Sudão e Chechênia

Por IBGF/Jornal do Terra

Num bate-boca de crianças, um dos circunstantes sempre avisa: -"Não vale colocar a mãe no meio". Nós adultos também nos irritamos quando a mãe-pátria (Brasil) é lembrada de forma depreciativa, em comparações inadequadas. Especialmente, quando a observação equivocada vem de outro país e pela mídia.

Para estragar o feriado de terça-feira, o jornal liberal britânico (de esquerda) "The Independent", lembrou, com dados e fatos verdadeiros, incontestáveis, como as políticas nacional e estadual de segurança pública não funcionam no Rio de Janeiro. No entanto, o jornal britânico errou na dose e nas comparações. Isso ao trocar Cidade Maravilhosa por Cidade da Cocaína e da Carnificina, avaliando-a como pior, em termos de violência, à Chechênia e ao Sudão.

O Sudão tornou-se independente do condomínio anglo-egípcio em janeiro de 1956. A partir daí, o país viveu debaixo de sangrentas ditaduras militares. Organizações guerrilheiras combateram as ditaduras fardadas do Sudão. Por exemplo, o movimento Anya-Nya combateu com armas a ditadura militar do general Ibrahim Abboud, de 1955 a 1972.

No ano de 1983, apareceu o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA), organizado por John Garang. O precário acordo de paz entre o governo do presidente Omar el Bashir e o exército de libertação (SPLA) foi celebrado em 2003, em Nairobi (Quênia). Assinado o acordo, começaram os genocídios, na província sudanesa de Darfur. Em menos de um ano, já são contados 50 mil genocídios, com 1,5 milhão de foragidos.

No Rio de Janeiro, a violência urbana não é caracterizada por conflitos étnicos e genocídios. Em 2003, no Rio foram assassinadas 6.624 pessoas. Ou seja, número bem menor do que os 50 mil, da chamada "limpeza ética" no Sudão.

Quanto a Chechênia, o conflito decorre da busca da independência da Federação Russa. Duas fases agudas de "guerra" entre separatistas e o exército russo, verificarem-se entre 1994 e 1996 e entre 1999 e 2003, a provocar milhares de fatais vítimas civis e de refugiados.

Portanto, comparar o Rio de Janeiro com o Sudão ou a Chechênia é forçar a mão. É demonstrar impropriedade diante de conflitos ontologicamente desiguais. Com efeito, nosso problema é de incompetência de governos, isto para contrastar o fenômeno da criminalidade organizada. Uma criminalidade que se abastece do tráfico internacional de armas de fogo. E que trafica cocaína andina, refinada com insumos vindos de diversas partes do planeta, incluída a Inglaterra, em operações triangulares via as caribenhas Trinidad e Tobago, ex-possessões britânicas.

Nossa organização política em federação, por sua vez, impede uma unidade no enfrentamento das organizações criminosas. No Rio de Janeiro, pelo descompasso e incompetência dos governos federal e estadual, 18 pessoas foram assassinadas, por dia, no curso do ano de 2003.

Em resumo. No Brasil não há genocídios nem luta de independência ou de conquistas. E o jornal "The Independent" errou na dose.


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