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Urnas Proibidas para Condenados por Drogas

Por IBGF/Jornal do Terra

Mais de um milhão de americanos não vão poder escolher entre Bush e Kerry. Muitos desses excluídos acabaram perdendo o direito de votar por causa de um cigarro de maconha. Em outras palavras, deram uma tragada ("tapa" como dizem os jovens) em lugar errado, por onde passava a polícia.

No caso, a perda da cidadania decorre de condenações definitivas por consumo de drogas ilícitas ou por autoria de crimes conexos às drogas, sem emprego de violência ou de grave ameaça.

Esse contingente de um milhão de impedidos de votar na próxima eleição americana é composto por pessoas que gozam de liberdade de locomoção. Ou melhor, não estão na cadeia. Mais ainda, trabalham regularmente e recolhem impostos. Na verdade, essas pessoas perderam o direito de cidadania, que consiste na capacidade legal de votar e ser votado. Esses americanos viraram "mortos civis", indivíduos de segunda classe. Nesse quadro, o pior é que os condenados por envolvimento com drogas estão impedidos de votar por toda a vida.

O levantamento dos que ficarão longe das urnas foi realizado pela Drug Policy Alliance, que possui site na internet. Do site consta um protesto, pela violação ao princípio democrático da igualdade de tratamento. Essa desigualdade de tratamento deriva das políticas de "war on drugs"(guerra às drogas) e de "tolerância zero", idealizadas pelos antigos presidentes Richard Nixon e Ronald Regan.

Apesar do alerta e do protesto da associação civil Drug Policy Aliiance, a preocupação americana é outra. Ou seja, com uma eventual fraude eleitoral no Estado da Califórnia. A respeito, o ex-presidente Jimmi Carter renovou suas preocupações com a Flórida, onde, na eleição de George W.Bush, houve fraude.

Ethan Nadelmann, presidente da Drug Police Alliance, lembrou: ¿os impedidos de votar são pessoas adultas que nunca fizeram mal a ninguém e que jamais roubaram. Deles se tirou o mais fundamental dos direitos democráticos, graças à war on drugs¿. Pelos levantamentos de Nadelmann, de quatro a cinco milhões de pessoas não votarão por causa de antecedentes criminais. Desse universo, de um a um milhão e meio de usuários condenados por posse de drogas para uso pessoal ou por crimes não violentos conexos ao de drogas proibidas.

A política de guerra às drogas, além da discriminação odiosa, permitiu aos Estados Unidos à conquista do título de país campeão de consumo de drogas. E FHC e Lula construíram suas políticas de drogas inspirados no modelo norte-americano: lamentável.


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