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EUA anunciam que a cocaína vai acabar

Por IBGF/Jornal do Terra

Nesta semana e perante o Congresso, o czar norte-americano antidrogas, John Walthers, afirmou que a guerra à coca-andina é um sucesso absoluto. Em outras palavras, Walthers quis dizer que o governo Bush terminará com os narcoprodutores de coca e os narcotraficantes de cocaína, na Colômbia, no Peru e na Bolívia, países que são, pela ordem, os maiores produtores.

Na Colômbia, a estratégia militar de erradicação dos plantios de coca envolve o exército, as agências norte-americanas (DEA,NAS,CIA), as empresas de segurança privada (DynCorp) e, evidentemente, as regras e o dinheiro dos EUA. Essa estratégia de guerra prevê, também, o emprego de policiais na destruição manual dos cultivos e na interdição de áreas. O forte da estratégia está no despejo de veneno desfolhante e no derrame de potentes herbicidas. Pelos cálculos de Walthers, já se conseguiu destruir 47% da área de plantio de coca. Isso desde o início do Plano Colômbia, em 2000. Naquele ano, um levantamento por satélite mostrou que o cultivo colombiano de coca era de 163.000 hectares de coca. Em 2003, os satélites colheram imagens a demonstrar que a área cultivada é de 83.300 hectares.

Como era previsível, os parlamentares pediram para Walthers explicar como estava enfrentando a migração das áreas de plantio. Mais ainda, sobre o emprego de uma nova estratégia pelos narcoprodutores. No caso, os parlamentares estavam se referindo a uma nova espécie de coca. Ainda, às moderna técnicas agrícolas utilizadas e aos micro-plantios na floresta amazônica, onde o despejo de herbicida não é recomendável. E os pilotos dos aviões da DynCorp, que teriam de voar baixo, não se arriscam. A nova espécie permite a aproximação dos arbustos e triplica o número de folhas conseguidas num único pé-de-coca. Ou seja, menor área (até 3 hectares) e maior produção.

Como resposta, o czar Walthers afirmou que o deslocamento para a floresta está implicando num aumento do custo da produção. Exemplificou: os trabalhadores têm de se deslocar e não existe, nessas zonas remotas, infra-estrutura para o escoamento das folhas até os laboratórios de refino. Frisou, ainda, que o novos plantios não suplantam as perdas dos cultivos destruídos pelas fumigações. Em síntese, Walthers decretou o fim da cocaína e a intensificação do despejo de herbicidas. Só fez um apelo ao Congresso, ou seja, precisa de uma injeção de US$700 milhões para chegar ao final, em 2005, o Plano Colômbia.

Evidentemente, os danos ecológico-ambientais nos Andes serão terríveis. Enquanto isso, percebe-se que a indústria da droga expande a oferta das sintéticas, feitas, exclusivamente, com insumos químicos e sem precisar de matéria prima natural (folha de coca,etc). Existem formas mais inteligentes de se combater as drogas. Só que, Guerra às Drogas, é mero pretexto para intervenções e controles imperialistas.


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