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Drogas Ilícitas

 

DROGAS: o presidente Evo Morales muda o discurso.

Por IBGF/WFM

IBGF, 25 maio de 2006. OLHO.

A Bolívia, por lei, está dividida em duas zonas cocaleiras: Yungas e Chapare. Em Yungas, o cultivo da folha (matéria prima na elaboração do cloridrato de cocaína) de coca é permitido. No Chapare, é ilegal, mas real.
MATÉRIA.

A Lei boliviana 1008, de 19 de junho de 1988, sofreu várias emendas, mas ainda vigora. Ela estabelece que a área de plantio de coca não pode ultrapassar 12 mil hectares, considerada suficiente para o consumo tradicional.

Pela lei, apenas em Yungas admite-se o plantio da coca. Só que o plantidio, no início dos anos 80, desenvolveu-se também no Chapare, localizado na região conhecida por Trópico de Cochabamba.
Hoje, o Chapare é uma grande produtora de coca, suplantando a macadâmia, maracujá, soja, café, coco, chá, cana de açúcar, etc. O aumento do plantio é preocupante, pois ele está a gerar uma maior oferta de pasta-base para os traficantes, que transformam a pasta-base em cloridrato de cocaína. Para o presidente Evo Morales, em visita à amazônica cidade de Caranavi (160 km de La Paz), o aumento do cultivo preocupa e não será tolerado. Em discurso, advertiu:"- Os cultivos ilimitados não serão mais tolerados. A distruição voluntária das plantações é o melhor caminho para se combater o comércio ilegal de drogas"

Apesar de presidente da Bolívia, Evo Morales foi recentemente reeleito presidente do Sindicato dos Cocaleiros do Chapare.

No supracitado discurso, presentes centenas de cocaleiros, Morales arrematou: "-Um patamar mínimo de cultivo de coca existirá sempre, mas, do mesmo modo, não poderemos ter cultivos ilimitados. Graças aos sindicatos de cocalieros conseguimos eliminar as políticas voltadas à erradicação, mas é necessário, agora, racionalizar a produção"

Os cocaleiros da região rural da cidade de Caranavi, visitada por Morales, concordaram em limitar os cultivos de coca a "um cato" para cada família (cerca de 1.600 metros quadrados). ..................................

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RETROSPECTIVA

IBGF,20 dezembro 2005.
O líder cocaleiro, Evo Morales, bem sabe que a Lei 1008/1988, --editada sob influência norte-americana e logo depois da saída da Bolívia da ditadura militar--, dividiu o país em duas regiões, quanto ao plantio da coca.

Na região do Yungas de la Paz, o plantio é permitido, até 12 mil hectares. É para atender ao milenar uso pelos nativos. A folha da coca é um símbolo de identificação cultural dos indígenas bolivianos (55% da população). Em toda a Bolívia, a coca é usada como estimulante, quer seja mascada, quer bebida como chá.

No Chapare (Cochabamba), o plantio é ilegal, ou seja, proibido. Essa proibição, no entanto, não é real. O plantio de coca no Chapare existe. Todo mundo vê e nada é escondido. E o plantio proibido de coca no Chapare é maior do que o permitido em Yungas. Estima-se em cerca de 300 mil hectares.

O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, ao afirmar que irá legalizar o plantio de coca está se referindo ao Chapare, ou seja, vai legalizar o que já existe de fato e há séculos.

A reticência de Morales está no real aumento do cultivo de coca na Bolívia. No Yungas, onde é admitido, a área do plantio de coca tem bem mais dos 12 mil hectares permitidos legalmente para as famílias. Cresce anualmente. Como até as taturanas que se alimentam dessa planta sabem, a folha de coca é a matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína. Com o aumento atual do plantio, em especial pelo declínio na Colômbia, mantêm-se até agora,-- em toda a Região andina---, os tradicionais 200 mil hectares de coca. Ou seja, continua a não faltar matéria prima (folha de coca) para a indústria da cocaína.

Por outro lado, a Bolívia não tem indústria química. Não conta com insumos (eter, acetona, etc) para o refino. Em face disso, deverá continuar a contar com os insumos químicos brasileiros e norte americanos, que chegam à Bolívia.

Essa é a radiografia da cocaína, que nem Brasil ,nem Bolívia e nem EUA, conseguem mudar. Os múltiplos interesses não permitem. E o lider cocaleiro Morales sabe dos interesses e dos caminhos para mudar. Resta saber se irá querer e conseguir.

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................................ RETROSPECTIVA.

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