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Drogas Ilícitas

 

MACONHA: A nova explosão comercial da erva canábica

Por Walter Fanganiello Maierovitch-Correio Brasiliense

O mercado movimentado pela maconha sempre surpreende. No Primeiro Mundo, o lucro anual obtido com a venda ilegal da erva canábica alcançou US$24 bilhões.

Spray canábico nas farmácias.


Numa pesquisa recente, constatou-se que 33% dos jovens europeus tinham fumado cigarros de marijuana pelo menos uma vez.

O Marrocos permanece o maior produtor mundial, capaz de colocar no mercado consumidor 120 toneladas de maconha. Com isso, o PIB desse país e o bolso dos camponeses do Vale do Rif tornaram-se dependentes da oferta de marijuana e do deriva haxixe.

A economia acessória movimentada pela maconha há muito suplanta a principal. Um exemplo ajuda a compreender melhor o chamado mercado acessório da cannabis. Na Inglaterra, a Imperial Tobacco contabiliza lucros elevadíssimos com a venda, em pequenas caixas, de folhas de papel gomado cortado, vendidas em todas as partes. Para essa empresa comercial, cada papel se destina à confecção de cigarro feito com tabaco picado.

Ocorre, todavia, que, em 2005, a venda do tabaco picado voltou a cair 11% e os negócios com o papel gomado cresceram 16%. Como até os uniformes dos guardas da rainha sabem, o papel vendido pela Imperial Tobacco é usado para enrolar maconha e haxixe.

Numa recente pesquisa comportamental, constatou-se que os jovens britânicos preferem fumar a droga em casa, com a (o) namorada(o) ou amigos. Aí entram a compra da pizza, a locação do filme, a assinatura do pay-per-view e a televisão a cabo, fora o DVD, o chocolate e o sorvete.

O último boom canábico ocorreu nas bolsas de valores, com as ações em expressiva alta, conforme revelado pelos indicadores oficiais.

A sociedade Cannasat Therapeutics, que vende o produto e investe em pesquisas sobre o emprego terapêutico da maconha, colocou suas ações na Bolsa do Canadá, neste abril.

Como se sabe, o governo do Canadá cultiva e fornece maconha para os portadores de doenças graves e sob prescrição médica. O programa canadense da Marijuana Medical Acess Regulation abastece os pacientes com câncer, esclerose múltipla,HIV,etc. Muitos fumam para espantar a náusea após as sessões de quimioterapia. Outros, para despertar o apetite (HIV) ou para o controle da esclerose múltipla.

Ações em Bolsa de Valores.


Nesta semana, a Food and Drug Administration (FDA), agência federal dos EUA, levou os norte-americanos a investir nas ações da empresa GW Pharmaceutical. Na quarta-feira 19, a porta-voz da FDA, Susan Bro, divulgou um boletim sustentando a inexistência, nos EUA, de pesquisas e estudos confiáveis a confirmar resultados positivos nas terapias com maconha: “Fumar marijuana não produz nenhum benefício médico aceitável ou de eficácia comprovada nos EUA e não é premitido em tratamento médico”.

O comunicado da FDA repercutiu negativamente nos 11 estados federados que, por leis estaduais, permitem o uso terapêutico da maconha.

A propósito, muitos estados desconsideraram a interpretação da Suprema Corte, provocada pelo presidente Bush. A Corte declarou, no chamado Caso Angel Raich, verificado na Califórnia, a exclusiva competência legislativa federal para disciplinar a questão das drogas ilícitas. No Caso Angel, a paciente usava maconha conforme prescrição médica, pois apenas com essa droga conseguia alívio às dores provocadas por um tumor no cérebro.

O referido comunicado da FDA acabou antecedido de uma apreensão, realizada por agentes federais, numa empresa de fabricação e venda de doces, todos elaborados com a erva canábica natural.

Pelas leis da Califórnia a empresa era a única autorizada a cultivar e utilizar o produzido na confecção de doces, pois muitos pacientes não fumam ou estão proibidos de fumar maconha. Assim, abria-se uma forma alternativa para o tratamento médico-terapêutico.

Na segunda-feira 24, a porta-voz da FDA admitiu que o comunicado deveu-se a pressões políticas, provindas do governo Bush e dos congressistas conservadores. Assim, o boletim nada tinha de científico. Para a conceituada professora doutora Jerry Ayron, da Havard Medical, “este foi, infelizmente, o último exemplo pelo qual a FDA pronuncia-se com base mais na ideologia política do que na ciência”.

Diante da avalanche de críticas, na quarta-feira 26, a FDA liberou, a título experimental, a venda do Sativex, um spary de uso oral, à base de princípios ativos da cannabis, para portadores de esclerose múltipla.

Nas Farmácias.


O boletim da FDA e a liberação para venda do Sativex foram suficientes para fazer subir as ações nas bolsas da GW Pharmaceutical, que comercializa o produto.

Enquanto o insensível Bush e seus parceiros fundamentalistas, nos EUA e nas Nações Unidas, condenam a maconha terapêutica, vendida sob prescrição médica para enfermos graves, a economia da maconha experimenta um novo boom, agora no mercado de ações.


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