São Paulo,  
Busca:   

 

 

Drogas Ilícitas

 

MACONHA: Fanatismo anticanábico de Bush.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

O presidente Bush, os políticos conservadores aliados e o czar antidrogas da Casa Branca, John Walthers, resolveram dar uma alavancada na War on Drugs, externa e internamente.


Na segunda-feira 24, no Mar do Caribe, aportaram 6.500 marines a pretexto de uma Confraternidad con las Américas, a durar até o fim de maio. A confraternização consistirá na execução de um programa de adestramento antidrogas e de intercâmbio de conhecimentos reservados aos “países centro-americanos e caribenhos amigos”.

Num período marcado por campanhas e eleições, nada mais desinteressado e nobre do que uma “confraternização” entre gringos e cucarachos.

Internamente, Bush e aliados querem acabar de todo jeito com o consumo de maconha para fins terapêuticos, incluídos os doces feitos com a erva natural e, de quebra, as balas e os pirulitos de sabor canábico artificial.

Para Bush, apenas à lei federal compete disciplinar a questão das drogas. No fundo, ele não se conforma de ter ganhado, sem levar, a batalha judiciária pela proibição. Com efeito, a Corte Suprema, por 6 votos contra 3, entendeu ser inconstitucional, no episódio chamado Caso Angel, a lei do estado da Califórnia que permite o uso de maconha para fins terapêuticos e mediante prescrição médica.

Angel Raich tinha um tumor no cérebro e os pareceres médicos atestavam que apenas os efeitos da maconha eram capazes de inibir as terríveis dores de cabeça suportadas.

Coube a Bush denunciar o Caso Angel à Corte Suprema, que entendeu, à luz da Constituição, estar reservada à lei federal a disciplina sobre as drogas proibidas. Assim, o sensível Bush entendeu ter razão e ser ilegal a posse e a compra de maconha por Angel.

Na Califórnia, as autoridades estaduais deixaram para os agentes federais a incumbência de verificar se Angel Raich vinha cumprindo o julgado, ou seja, que não estava mais portando e consumindo maconha para fins medicinais.

Quanto aos demais californianos, em especial os idosos que têm registro estadual e “carteira” de fumadores de maconha para fins terapêuticos, foram avisados pelo governo acerca da decisão da Corte Suprema.

Dos 11 estados norte-americanos que permitem tratamento à base de maconha, apenas um deles, o Alasca, suspendeu temporariamente a sua lei. Em compensação, 75% dos moradores do mais conservador dos estados norte-americanos, o Wisconsin, aprovaram a utilização médica da marijuana.



Como tudo permaneceu como estava, apesar da decisão da Suprema Corte, começou a pressão na Food and Drug Administration (FDA). Na quinta-feira 20, coube à porta-voz da FDA, Susan Bro, transmitir que “fumar maconha não produz nenhum benefício médico. Por ser um centro de pesquisa sério, não existe comprovação científica a atestar seus bons resultados, nos EUA. Daí não dever ser admitida nos tratamentos”.

Bush e o czar Walthers, no entanto, não esperavam que Susan recuasse, logo na segunda-feira 24. Ela admitiu que a deliberação da FDA não foi científica, mas tomada por pressões da Casa Branca e do Congresso.

Por ação dos agentes federais de Bush, as balas e os pirulitos com sabor artificial de maconha quase desapareceram das grandes cidades, como Nova York. Só que, para as crianças, as balas raras viraram dólar, pois podem ser trocadas por bolas, bonés, calças jeans etc.

Segundo a turma de Bush, sem a proibição, as crianças poderiam ser estimuladas a trocar o sabor artificial pelo natural, buscado num cigarro de marijuana.

Nesta semana, as forças federais promoveram um raid para acabar com a venda de doces canábicos na Califórnia. O alvo foi a sociedade comercial Beyond Bomb, única autorizada pelo estado a cultivar maconha para emprego na produção de doces.

Balas com sabor artificial de cannabis.


A repressão foi comandada pela Drug Enforcement Administration (DEA), com a prisão do proprietário e de vários empregados. Em resposta à DEA e aos seus mandantes da Casa Branca, o pesquisador Dale Gieringeror, da National Organization for the Reformo of Marijuana Laws, alertou: “Cada doce custa 5 dólares, o mesmo preço do cigarro de maconha. Eles são muitos saborosos e elaborados de maneira profissional. Para os pacientes que não fumam, ou cujos médicos proíbem o cigarro, os doces comestíveis representam uma alternativa válida, como os sprays e as gotas canábicas medicamentosas”.

Como se percebe, a dupla Bush e Walthers perturba até os gravemente enfermos. Enquanto isso, o governo do Canadá continua a oferecer a erva aos pacientes. Na Holanda e na Bélgica, a marijuana pode ser adquirida em farmácias, para infusão. Na Alemanha, esses estabelecimentos dispõem de produto sintetizado. Já em Barcelona uma rede de farmácias e hospitais está autorizada a atender às receitas prescritas aos pacientes.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet