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Drogas Ilícitas

 

EVO MORALES: fora DEA e restauração da soberania.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Morales deu o grito de independência à política norte-americana (war on drugs) imposta ao seu país desde o tempo da ditadura militar de Hugo Banzer e, posteriormente, do fracassado Plano Dignidade. O fracasso do Plano Dignidade deu força ao então líder cocaleiro da região do Chapare (departamento de Cochabamba), Evo Morales.

EVO MORALES: cartão Vermelho para a DEA, como fez Chavez.


A imprensa divulgou (28/12/2005) que o governo do presidente Evo Morales não vai aceitar mais ajuda financeira antidrogas e presença militar norte-americana. Mais, vai tirar as Forças Armadas da Bolívia (sempre dependente e submissa às ordens dos norte-americanos) da luta antidrogas.

As Forças Armadas serão substituídas pela repressão a ser feita pela Polícia.

As decisões foram anunciadas pelo porta-voz Juan Ramón Quintana. Referido Quintana é encarregado de coordenar a transição entre o governo atual e o de Morales.

Para Quintana, "a Bolívia, no governo Morales, vai recuperar a soberania. A Força Especial de Luta ás Drogas (FELCN) virou um apêndice da agência norte-americana antidrogas (DEA). Isso coloca em risco a segurança do Estado boliviano. Todos os organismos e instituições irão retornar ao controle do governo."

RETROSPECTIVA



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OLHO

Governo norte-americanos esquece do fracasso do Plano Dignidade, que impôs a Bolívia e se dizia de cultivos substitutivos à coca.
Foi ao tempo do governo Hugo Banzer, que quando ditador era acusado de colaborar com o narcotráfico. O aumento do cultivo de coca na Bolívia deve-se ao Plano Colômbia, também imposto pelos governos Clinton e Bush.
Ao despejar herbicidas nas folhas colombianas de coca, houve migração do plantio para Bolívia e Peru.

MATÉRIA

. Mal foi eleito presidente da Bolívia, o líder cocaleiro Evo Morales começou a receber uma avalanche de críticas, em especial com relação à questão das drogas ilícitas.

Os índios e os mestiços representam 85% da população boliviana. Os brancos são minoria e somam 15%.

Morales: virou líder cocaleiro quando os norte-americanos implantaram no Chapare o Plano Dignidade, que misturou fracasso com corrupção.


Entre os índios e mestiços, a mastigação da folha de coca perde-se no tempo. Durante a dominação espanhola, o rei Felipe II baixou, em 1569, um decreto incentivando a mascagem da coca. Isso porque o nativo teria um alimento natural com força estimulante. Assim, produziria mais, suportaria as adversidades derivadas da altitude, da falta de alimentos e da insalubridade das minas.

Para se ter idéia do componente estimulante e anestésico da folha da coca, um bolo de 10 folhas de coca, guardado na bochecha, permite ao nativo caminhar 25 km.

Os nativos divinizam a folha de coca nas suas cerimônias religiosas. A folha de coca acompanha o nativo desde o nascimento à morte, pois é utilizada como chá e remédio.

Nenhuma comunidade indígena usa ou elabora a cocaína. Sabem os indígenas, no entanto, que a folha de coca se constitui na matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína.

Na Convenção da ONU de 1961, ocorrida em Nova York, a folha de coca (mero estimulante) foi equiparada à cocaína, por pressão norte-americana. Esse grosseiro erro persiste. A meta era equiparar para exterminar, como se fosse possível passar como trator por uma cultura milenar.

Com relação ao plantio de coca, a Bolívia é dividida em duas regiões cocaleiras, uma legal e a outra ilegal.

O cultivo permitido, legal e de até 12 mil hectares, situa-se em Yungas de la Paz. As folhas de coca são pequenas, tenras e colhidas três vezes ao ano.

Na região do Chapare, departamento de Cochabamba, está a área de cultivo ilegal da coca. Apesar de ilegal, os plantios são abundantes, abertos e seculares. A safra da coca é tirada quatro vezes ao ano, as folhas são maiores, mais largas do que as do Yungas. No Chapare, a economia movimentada pela folha de coca sustenta a região.

Quando o recém eleito Evo Morales fala na legalização do plantio da coca, nada mais fará do que transformar uma situação de fato, real, em legal.

O problema está na possibilidade de aumento da produção da folha de coca e a sua destinação aos laboratórios ilegais de refino.

Nos últimos dez anos, as áreas de cultivo em Yungas e no Chapare vêm aumentando. E a indústria do narcotráfico boliviano tem no Brasil a principal praça de consumo e de trânsito a outros países.

Na Bolívia, os camponeses miseráveis recebem US$ 50 para,-- numa noite--, pisar e macerar a folha de coca, que vira, com insumos, pasta-básica. Os camponeses saem com os pés sangrando, pelos cortes profundos e perda da epiderme.

Nesse quadro dramático, entram os insumos químicos brasileiros e norte-americanos, pois a Bolívia não tem indústria química, ou seja, não produz os precursores para o refino, como éter, acetona, querosene, etc.

Morales, que deseja acabar com o narcotráfico, terá dificuldades, pois o poder corruptor da indústria das drogas é mais potente do que o efeito da cocaína.

Os norte-americanos impuseram o Plano Dignidade ao governo do então aliado e ex-ditador Hugo Banzer. Colheram o mesmo fracasso do conseguido com o "Plan Colômbia", ou seja, milhões de dólares jogados no ralo. Agora, vamos esperar pela política de Morales, líder dos cocaleiros do Chapare.


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