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Drogas Ilícitas

 

LÍDER COCALEIRO presidirá a Bolívia.

Por FOLHA ONLINE- Folha de S.Paulo

FABIANO MAISONNAVE.

ENVIADO ESPECIAL A LA PAZ
Em suas primeiras declarações após as eleições, o primeiro presidente indígena eleito da Bolívia, Evo Morales, 46, reiterou o caráter histórico de sua vitória, criticou as políticas antidrogas americanas e acusou Washington de usar o combate ao narcotráfico para militarizar a região.

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"A luta contra o tráfico de drogas é um falso pretexto dos EUA para instalar bases militares, e não estamos de acordo", disse Morales em sua primeira entrevista coletiva, ontem pela manhã.

Desde a década de 1980, os EUA financiam programas de erradicação de plantios de coca. Foi a resistência a essa estratégia que deu projeção política a Morales, como líder dos produtores.

Egresso do movimento cocaleiro, Morales disse que, logo no início do governo, travará uma batalha para tirar a coca "em seu estado natural" da lista de substâncias proibidas da ONU. "Não é possível que a coca seja usada para a fabricação de Coca-Cola e esteja proibida para nós", afirmou. O presidente, porém, disse que lutará contra a cocaína e o narcotráfico.

Em seu primeiro discurso após a vitória, na noite de anteontem, Morales assumiu, diante de milhares de simpatizantes, a "enorme responsabilidade de mudar a história" e fez duras críticas a meios de comunicação locais e à Corte Nacional Eleitoral (CNE). Falou com a voz embargada e teve de interromper o discurso uma vez para enxugar as lágrimas.

"Como um povo que luta por seu país, quer o seu país, ama o seu país, temos uma enorme responsabilidade de mudar a história", disse em Cochabamba, seu principal reduto eleitoral.

Confirmada oficialmente a vitória com cerca de 51% dos votos, Morales terá obtido a maior porcentagem desde os anos 1950, durante o governo Victor Paz Estenssoro, quatro vezes presidente e líder da revolução de 1952. Desde 1985 até agora, todos os presidentes haviam sido escolhidos no segundo turno, realizado de forma indireta no Congresso. Morales ganhou em cinco dos nove departamentos, mas perdeu nos principais pólos econômicos, Santa Cruz e Tarija.

A sua posse está marcada para o dia 22 de janeiro.

Filho de aimarás, Morales prometeu acabar com a discriminação contra a população indígena, que representa cerca de 60% e a parte mais pobre da população."O movimento indígena original é includente. Com o nosso governo acabarão a discriminação, a xenofobia, o ódio, o desprezo ao qual nos submetemos historicamente. Viveremos juntos, na unidade na diversidade, mudando o modelo neoliberal e acabando com o Estado colonial."

Antecipando uma difícil convivência com os meios de comunicação, Morales disse que "antes nos matavam com bala, e agora queriam nos matar com mentiras. Fracassaram. Essa guerra suja, baseada na mentira, se converteu numa campanha pelo MAS (Movimento ao Socialismo), por Evo Morales e pelos movimentos sociais".

Morales também foi duro com a CNE por causa dos 800 mil eleitores excluídos das listas de votação, supostamente por não terem votado nas eleições passadas. "Se eu fosse um membro da CNE e tivesse ética, seria o primeiro a renunciar ao cargo", discursou. -------------------------------------------------------------------------------- Com agências internacionais


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