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Drogas Ilícitas

 

DROGA: radiografia e exportação de tendências(2005).

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

Dezembro de 2005 - Ano XII - Número 371.

Todo mês de novembro, a mídia européia destaca o relatório anual do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), órgão da União Européia sediado em Lisboa, e o aniversário do Sarasani Coffe Shop, situado na cidade holandesa de Utrecht.

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O Sarasani completou 37 anos de vida e foi o primeiro espaço legalizado para a venda e o consumo de maconha. Em toda a Holanda, hoje, existem mais de 800 cafeterias que podem vender até meio quilo de erva canábica por noite.

Como se sabe, o objetivo da política liberalizante holandesa foi afastar o contato do usuário com o traficante, sempre disposto a vender uma “droga dura”, causadora de maiores danos e riscos. Portanto, o uso da maconha ficou restrito a determinados estabelecimentos comerciais.

Essa face visível da política holandesa sobre a cannabis levou o eurodeputado Giusto Catania a ironizar os críticos. Ele afirmou, com apoio no relatório de 2005 do OEDT, que o consumo de maconha na Itália e na França restou superior ao da Holanda. E a Itália e a França reforçaram a linha proibicionista, criminalizante. A opinião de Catania tem peso, pois ele foi o relator do projeto sobre a estratégia européia antidrogas para o período de 2005 a 2012, aprovado pelo Parlamento Europeu.

O relatório de 2005 do OEDT não aproveita apenas a União Européia. Os comportamentos e as tendências ultrapassam fronteiras e a indústria das drogas, segundo dados divulgados em novembro, num encontro que reuniu especialistas em Roma, movimenta US$ 5 bilhões pelo planeta.

Mostra o relatório do OEDT, ainda, que a maconha continua a ser a droga mais consumida na Europa. Cerca de 20% da população adulta européia já provou essa droga ao menos uma vez ao longo da vida. Os maiores usuários são do sexo masculino, na proporção de seis homens para uma mulher.

O consumo ocorre nos centros de concentração urbana e na faixa etária entre 15 e 34 anos. Na Dinamarca, 44,6% dos jovens entrevistados admitiram consumo de cannabis pelo menos uma vez, e Grécia, Portugal e Polônia foram os países de menor demanda.

Com base em dados recolhidos, o OEDT realizou análise comparativa sobre o fenômeno das drogas nos estados membros da União Européia e nos três países em processo de admissão no bloco, ou seja, Turquia, Romênia e Bulgária. O relatório de 2005, pela primeira vez, abordou temas como “perturbação da ordem pública diante de fatos relacionados às drogas”, “alternativas à pena de prisão a consumidores de drogas proibidas” e “tratamentos médicos com emprego de drogas substitutivas, como, por exemplo, a bupremorfina”.

Como já era esperado, o relatório confirmou o crescimento do consumo de ecstasy (MDMA), que passou a ocupar o segundo posto. Apontou a Europa como o maior centro de produção do ecstasy.

Os países europeus de maior consumo de ecstasy são Grã-Bretanha, República Tcheca, Espanha e Estônia. Desde os anos 90, a sua demanda cresce e, no momento, 2,6 milhões de europeus usam essa droga.

Dado comportamental interessante do relatório do OEDT, e sentido igualmente no Brasil, é aquele relativo ao consumo associado de drogas: tabaco com a maconha e bebidas alcoólicas misturadas à cocaína ou heroína.

Quanto aos alucinógenos sintéticos, a procura caiu. No entanto, cresceu entre os universitários a busca por produtos naturais com componentes alucinógenos, como “cogumelos mágicos”, raízes e cactos.

Outra droga de demanda em alta é a cocaína, embora esta tenha perdido o segundo posto no quadro classificatório geral. Ela se mantém como segunda droga de consumo apenas na Espanha, no Reino Unido e na Itália, isso entre jovens e adultos.

As apreensões de cocaína quase duplicaram na Europa: em 2002, foram apreendidas 47 toneladas e mais de 90 toneladas em 2003. Pela estimativa do OEDT, 9 milhões de europeus provaram cocaína pelo menos uma vez na vida. Cerca de 3,5 milhões (1% da população adulta) consumiram cocaína no último ano e 1,5 milhão no último mês.

Dos interessados em tratamento médico, 10% eram dependentes de cocaína, a representar, com relação a essa droga, um surpreendente aumento.
Coffe Shop Sarasani, o primeiro autorizado a vender maconha.


Para o supracitado eurodeputado Catania, “o relatório de 2005 do OEDT comprova, de modo inequívoco, a falência das políticas proibicionistas. Os dados coletados pelo OEDT são emblemáticos, a confirmar que a criminalização dos consumidores não produziu uma diminuição da demanda”.

Com acerto, Catania destacou ser “evidente que a estratégia das Nações Unidas sobre a guerra às drogas necessita de uma mudança radical, que passe pela despenalização do consumo, pelo apoio econômico aos países de produção, tudo para que se opere uma mudança”.

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