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Drogas Ilícitas

 

BRASIL: Na Rota das Drogas Sintéticas.Il Brasile: una posizione strategica nella rotta delle droghe sintetiche.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

Na nova geoestratégia da criminalidade organizada reticular, o Brasil é visto como futuro pólo de elaboração e distribuição de drogas sintéticas para a América Latina e a África. Sua indústria química poderá contribuir para isso, caso continuem os insumos com fiscalização e controle precários.

Costa: czar da ONU ou dos EUA?


As redes operadas pelas internacionais criminosas são potentes. Basta observar o fato de a China produzir o ecstasy que chega ao Paraguai e abastece o Brasil, por enquanto. Na China, ela é conhecida por yatouwa (droga de embalo).

Pelo planeta, pegou a tendência de os jovens associarem diversão ao consumo de drogas ilícitas, em especial nos fins de semana e feriados. As drogas psicoativas mais consumidas são as sintéticas, como o ecstasy, o cloridrato de cocaína e as misturas elaboradas nos laboratórios clandestinos de fundo de quintal, sempre impuras. O speed ball é um exemplo. Na semana passada, levou à internação, por overdose, Lapo Elkann, herdeiro do clã Agnelli e manager da Fiat italiana. O speed baal é uma mistura de cocaína, heroína e metanfetamina.

Essa tendência foi ditada pela criminalidade organizada, preocupada em aumentar os lucros mediante a redução das despesas com o transporte da droga e dos precursores químicos.

Como se sabe, o custo é elevado para a colocação da cocaína colombiana na Europa ou nos EUA. Além disso, os países andinos de cultivo de coca e refino de cloridrato de cocaína não possuem indústrias químicas.

As drogas sintéticas psicoativas atendem à lógica de mercado: é mais rentável fabricar ecstasy na Bélgica e ofertá-lo no grande centro consumidor de Bruxelas do que traficar para lá cocaína procedente da Colômbia ou do Peru.

Por outro lado, os jovens aderiram às sintéticas e passaram a chamá-las “de drogas de diversão, de embalo”. Para Antonio Costa, diretor-responsável pelo escritório antidrogas e de prevenção ao crime das Nações Unidas (UNODC), as drogas sintéticas tornaram-se o inimigo público número 1. No particular, repetiu o alerta lançado em 1999 pelo general norte-americano Barry MacCafrey, ex-czar antidrogas do governo Bill Clinton.

ecstasy: pastilhas coloridas.


Em 2001, a agência americana conhecida por Drugs Enforcement Administration (DEA) incumbiu-se de demonizar Holanda e Bélgica, de modo a minar as suas políticas liberais. No relatório Ecstasy, Rolling Across Europe, a DEA divulgou, baseada em apreensões e relatórios de inteligência, que 80% da produção mundial de ecstasy provinha dos laboratórios clandestinos da Holanda e, em segundo lugar, do norte da Bélgica. O relatório, no entanto, deixou de identificar os maiores traficantes e não mencionou as organizações criminosas com atuação na oferta.

A informação da DEA foi tomada com reserva pelos especialistas em geopolítica das drogas ilícitas. A DEA notabilizou-se por espalhar boatos, cooptar e estipendiar policiais de outros países. Em 2005, por exemplo, o presidente Hugo Chávez expulsou os agentes da DEA da Venezuela por espionagem.

Alinhado com a política da War on Drugs dos EUA, o escritório antidrogas e de prevenção ao crime das Nações Unidas confirmou a Holanda como a maior produtora. No relatório de 2003, o UNODC calculou a produção anual holandesa de ecstasy e similares (Ats) em cerca de 1,4 bilhão de drágeas. Esse mesmo organismo, em seu World Drug Report 2004, estimou em 8,3 milhões os usuários de ecstasy (cada um a consumir, em média, três pastilhas por semana). Pelo apontado, o número de consumidores alcançaria 0,21% da população global entre 15 e 64 anos.

Já no relatório Ecstasy and Amphetamines Global Survey, de 2003, o UNODC estimou o preço da pastilha, no atacado, em US$ 7. No varejo, o preço subia e alcançava US$ 16,63. Portanto, e sempre segundo o UNODC, o ecstasy ensejava um movimento financeiro anual de US$ 9,8 bilhões, no atacado, e de US$ 23 bilhões, no varejo.

Ecstasy líquido, pronto para misturar às bebidas alcoólicas.


Os dados do UNODC não batem com os levantados pela Unit Synthetic Drug (USD) e Dutch National Criminal Investigation Service (DNRI), a última com a cautela de realizar comparações com dados colhidos por Canadá, Reino Unido e Alemanha. Para ter idéia, o consumo per capita foi estimado entre 20 e 40 pastilhas ao ano. O custo de produção de uma pastilha é de 0,90 euro. No atacado atinge 1,50 euro, enquanto, no nível intermediário, pode chegar a 2,70 euros.

De tudo, o certo é que o mercado de drogas sintéticas, com elevado consumo na Europa Ocidental e nos EUA, está em franca expansão na América Latina, Austrália, Polônia, África do Sul, China e nos países bálticos.

Esse é o quadro que preocupa, quer pelo consumo prejudicial à saúde pública, quer pela estratégica posição do Brasil. ................................

IN ITALIANO

Il Brasile: una posizione strategica nella rotta delle droghe sintetiche. Walter Fanganiello Maierovitch *

Nel mondo si e' diffusa la tendenza dei giovani che associano il divertimento al consumo di droghe illecite, in particolare durante il fine settimana e nei festivi. Le droghe psicoattive piu' consumate sono quelle sintetiche, come l'ecstasy, il cloridrato di cocaina e i miscugli elaborati nei laboratori clandestini degli scantinati delle case. Lo speed ball e' un esempio. La settimana scorsa ha portato al ricovero, per overdose, di Lapo Elkann, ereditario della famiglia Agnelli e manager della Fiat italiana. Lo speed ball e' una miscela di cocaina, eroina e metanfetamine. Questa moda e' stata dettata dalla criminalita' organizzata, preoccupata di aumentare i profitti attraverso la riduzione delle spese come il trasporto di droghe e sostanze chimiche per la raffinazione.

Come si sa, il costo e' elevato per piazzare la cocaina colombiana in Europa e negli Usa. Oltre a questo, i Paesi andini dove si coltiva la coca e si raffina la cocaina, non hanno industrie chimiche. Le droghe sintetiche psicoattive rispondono alla logica del mercato: e' piu' redditizio fabbricare ecstasy in Belgio e offrirla in un grosso centro di consumo come Bruxelles, piuttosto che trafficare cocaina proveniente dalla Colombia o dal Peru'.

Per altri versi, i giovani hanno risposto alle droghe sintetiche e hanno iniziato a chiamarle "le droghe del divertimento, dello sballo". Per Antonio Costa, direttore responsabile dell'agenzia antidroga e per la prevenzione del crimine delle Nazioni Unite (Unodc), le droghe sintetiche sono divenute il nemico pubblico numero uno. In particolare, ha ripetuto l'allarme lanciato nel 1999 dal generale nordamericano Barry MacCafrey, ex zar antidroga del Governo di Bill Clinton. Nel 2001, l'agenzia americana Drugs Enforcement Administration (Dea) si era incaricata di mettere sotto torchio Olanda e Belgio, in maniera da colpire le loro politiche liberali. Nel rapporto "Ecstasy, rolling across Europe", la Dea rese noto, basandosi su sequestri e rapporti dell'intelligence, che l'80% della produzione mondiale dell'ecstasy proveniva dai laboratori clandestini dell'Olanda e, al secondo posto, da quelli del nord del Belgio. Il rapporto, comunque, omise di identificare i piu' grossi trafficanti e non nomino' le organizzazioni criminali che operano nell'offerta di stupefacenti.

L'informazione della Dea venne presa con riserva dagli specialisti in geopolitica delle droghe illegali. La Dea si e' segnalata per sostenere voci, cooptare e stipendiare poliziotti di altri Paesi. Nel 2005, per esempio, il presidente Hugo Chavez ha espulso agenti della Dea dal Venezuela per spionaggio.

Allineata alla politica della War on drugs degli Usa, l'agenzia antidroghe e per la prevenzione del crimine delle Nazioni Unite, confermo' l'Olanda come la maggiore produttrice di ecstasy. Nel rapporto 2003, l'Unodc calcolo' la produzione olandese di ecstasy e simili, in circa 1,4 miliardi di pasticche. Sempre quest'agenzia nel suo World Drug Report 2004, ha stimato in 8,3 milioni i consumatori di ecstasy (ciascuno ne consumerebbe in media tre pasticche alla settimana). Di conseguenza il numero dei consumatori raggiungerebbe lo 0,21% della popolazione mondiale tra i 15 e i 64 anni.

Gia' nel rapporto "Ecstasy and Amphetamines Global Survey" del 2003, l'Unodc ha stimato in 7 dollari il prezzo all'ingrosso a pasticca. Al pubblico il prezzo saliva e raggiungeva i 16,63 dollari. Pertanto, e sempre secondo l'Unodc, l'ecstasy creava un movimento finanziario annuale di 9,8 miliardi di dollari, all'ingrosso, e di 23 miliardi al dettaglio.

I dati dell'Unodc non battono quelli rilevati dalla Unit Synthetic Drug (Usd) e della Dutch National Criminal Investigation Service (Dnri) raccolti per fare delle comparazioni con dati raccolti in Canada, Regno Unito e Germania. Per farsi un'idea, il consumo pro capite e' stato stimato tra le 20 e le 40 pasticche all'anno. Il costo di produzione di una pasticca e' di 0,90 euro. All'ingrosso raggiunge 1,50 euro, fino a toccare punte di 2,70 euro.

Di tutto questo la cosa certa e' che il mercato delle droghe sintetiche di grosso consumo in Europa Occidentale e negli Usa, e' in espansione in America Latina, Australia, Polonia, Africa del Sud, Cina e nei Paesi baltici.

Questo e' il quadro che preoccupa, sia per il consumo che pregiudica la salute pubblica, sia per la strategica posizione del Brasile.

* 58 anni, gia' segretario antidroga del Brasile, consulente al Tribunale di Giustizia di San Paolo, presidente dell'Istituto Brasiliano Giovanni Falcone di scienze criminali.


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