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Drogas Ilícitas

 

FOLHA DE S.PAULO: Canadá. Plantio de maconha movimenta em dólares canadenses o triplo do trigo.

Por FOLHA ONLINE- Folha de S.Paulo

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Colheita anual da planta atinge 2.400 toneladas, e EUA dizem que situação pode prejudicar comércio entre países No Canadá, maconha já rende mais que trigo e gira US$ 8,5 bi.
THEOPHILOS ARGITIS DA BLOOMBERG.
MATÉRIA da Folha de S.Paulo- Mundo-1/10/2005.
Os traficantes de maconha do Canadá transformam casas suburbanas e armazéns abandonados em fazendas da erva, criando um mercado que movimenta 10 bilhões de dólares canadenses (US$ 8,5 bilhões), o triplo do valor girado pelo principal produto agrícola legal do país, o trigo.



. Cidades como Vancouver, Montreal e Toronto devem abrigar, cada uma, 20 mil plantações de maconha, disse Rich Baylin, ex-coordenador nacional da Royal Canadian Mounted Police, a polícia montada do Canadá. O cultivo está crescendo porque as penalidades no país correspondem geralmente a um oitavo daquelas aplicadas nos EUA, além de ter crescido a aceitação da maconha por parte dos canadenses.

"Isso é uma calamidade para as comunidades e um perigo para as crianças", disse o parlamentar do Partido Liberal Jim Karygiannis. O negócio da erva criou uma desavença com os EUA, onde, segundo a polícia, boa parte dela é vendida. Os esforços do premiê canadense, Paul Martin, para descriminalizar a maconha representam uma ameaça maior às relações entre os dois países do que a disputa que envolve a madeira branca serrada, segundo pesquisa feita com os 146 principais executivos de empresas canadenses.

"Os EUA levam a fronteira com o Canadá muito mais a sério que no passado", disse Tom Riley, porta-voz da Casa Branca para políticas de controle de drogas. O aumento da produção de maconha poderá prejudicar todo o comércio entre os dois países, disse.

Quase metade de toda a população adulta do Canadá fumou maconha pelo menos uma vez na vida, segundo pesquisa de 2004 da Health Canada.

A mesma proporção de canadenses apóia a descriminalização do porte da droga, enquanto só um terço dos americanos o faz, mostrou pesquisa da Ipsos-Reid no ano passado.

Enquanto os plantadores americanos de maconha que cultivam mil ou mais pés da erva se vêem diante de uma pena mínima de dez anos de reclusão, seus colegas de Ontário, a Província mais populosa do Canadá, podem pegar 18 meses na prisão, segundo números do governo canadense.

"Sabemos que o volume dessas operações de cultivo está crescendo", disse Jack Ewatski, presidente da Associação Canadense dos Chefes de Polícia. "Isso nos leva a crer que esse é um negócio que o crime organizado vê como muito lucrativo e que apresenta riscos muito baixos de gerar quaisquer conseqüências significativas."

O cultivo no Canadá produz variedades da droga com duas ou três vezes mais THC (substância psicoativa da maconha) do que a erva do México, o maior fornecedor do mercado americano, de acordo com o Departamento de Combate às Drogas dos EUA.

As operações residenciais de produção de maconha se tornaram tão comuns que agentes imobiliários oferecem aos compradores de imóveis conselhos sobre como evitá-las. Entre os sinais mais fáceis de serem identificados está um cheiro "parecido com o de um gambá" do lado de fora da porta do local suspeito, segundo guia do Real Estate Board (conselho imobiliário) de Winnipeg. O órgão exibe os endereços de imóveis onde ocorrem operações de cultivo de maconha em seu site.

A colheita anual de maconha do Canadá é de aproximadamente 2.400 toneladas, segundo dados da Royal Canadian Mounted Police, e as apreensões aumentaram oito vezes desde 1993, passando para cerca de 1,6 milhão de pés neste ano.

As apreensões na fronteira do Canadá com os EUA triplicaram no período de dois anos, saltando para 11,2 mil toneladas em 2003, de acordo com os dados mais recentes do National Drug Intelligence Center, dos EUA.

A votação do projeto de lei do governo do Canadá para a legalização da maconha deve ser adiada para depois das eleições do ano que vem, pois é provável que o Parlamento tenha outros projetos para votar, disse o ministro da Justiça do país, Irwin Cotler.

O adiamento sugere que o Canadá ficou mais cauteloso em relação à descriminalização do porte de maconha, disse Tom Riley.


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