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Drogas Ilícitas

 

Mascar Khat: droga da Guerra

Por IBGF/WFM

Kuwait, de onde partiram os soldados invasores norte-americanos.
O hábito de mascar a folha do khat é muito difundido entre os que enfrentam os desertos, suas tempestades e bruscas variações de temperatura. Da mesma maneira que o suco da coca andina, o Khat elimina a fadiga, reduz a sede, inibe a fome e ajuda a suportar as baixas temperaturas. Os membros da organização terrorista Al Daawa al Islamiyah (Despertar Islâmico) usaram o Khat para manter a euforia nos combates a Saddam Hussein. Por mais de 20 anos, a Al Daawa declarou guerra a Saddam. Na região, e muito antes do Hezbollah, integrantes da Al Daawa empreendiam atentados suicidas, sempre aditivados pela mascagem do Qat.
Nos anos 80, quando os norte-americanos deram sólido apoio a Saddam na luta contra os xiitas do Irã, a organização Al Daawa explodiu seus homens-bomba em embaixadas no Kuwait e no Líbano. Essa organização promoveu, ainda, diversos seqüestros de cidadãos norte-americanos em Beirute.

Os membros da Al Daawa são iraquianos xiitas e antiamericanos. Alguns analistas apostam numa forte reação da Al Daawa em face do estabelecimento de um protetorado anglo-americano no Iraque. Outros estudiosos apontam para o oportunismo da Al Daawa, caso os seus dirigentes sintam a possibilidade de assumir o governo do Iraque e controlar as reservas do disputado “ouro negro”.
Enquanto isso, o Khat corre solto entre os soldados norte-americanos. A goma de mascar, popular chiclete, foi cuspida da boca dos soldados, que passaram a mascar e a sugar o caldo das folhas de Khat. Esses soldados não correm risco de um exame antidoping, pois nas invasões e nas guerras imperialistas, como sucede nos campeonatos de basquete da NBA, não há controle de dopagem. Contam o bom desempenho e o espetáculo.
Como se percebe, a droga, na maioria das vezes, não é problema para os norte-americanos. Ajuda muito quando estão em jogo os seus interesses dominadores. Alguns exemplos demonstram isso. Nos anos 40 e 50, a Agência Central de Informações (CIA) norte-americana deu apoio ao exército nacionalista chinês, conhecido por Kuomintang, no combate aos maoístas. Para obter recursos extras, o Kuomintang incrementou a produção de ópio no Sudeste Asiático com dinheiro da CIA.

Findo o regime dos talebans, o cultivo da papoula e a extração do ópio voltaram a ocupar espaço no Afeganistão. Para obter recursos financeiros para os Contras sandinistas da Nicarágua, a CIA deu aval para a venda de drogas nos guetos de Los Angeles.
No início dos anos 80, o presidente Ronald Reagan declarou “guerra às drogas” e o atual presidente W. Bush apontou o ex-aliado Saddam como disposto a fazer uso da guerra química e biológica. Por ironia, os norte-americanos iniciaram uma guerra química na Colômbia.
Em cinco anos, o governo W. Bush pretende investir nessa guerra química colombiana US$ 170 milhões. Contratou os pilotos da empresa Dainacorp para jogar herbicidas, tipo glifosato, vendidos pela multinacional Monsanto, nos arbustos de coca, sem ligar para os já sentidos e irreversíveis danos ecológicos. Outrossim, o ex-presidente Bill Clinton forçou a guerra biológica na Colômbia por meio da disseminação do fungo Fusarium oxysporum nas áreas de plantio de coca.
Com as drogas, o pior resultado foi colhido pelo então presidente Richard Nixon na Guerra do Vietnã. Inúmeros dos seus soldados voltaram para casa dependentes químicos, pelo uso abusivo do ópio e da heroína. Segundo estudiosos, o Qat pode gerar hábito compulsivo e dependência psicológica.
Para ter o monopólio da comercialização do ópio, os ingleses travaram duas guerras com a China (1839 e 1856). Venceram as duas Guerras do Ópio e asseguraram o monopólio pelo Tratado de Tientsin (1860).
Como se nota, há sempre drogas nos conflitos, especialmente se tomada a expressão em sentido figurado. Segundo dossiê da Human Rights Watch, o ditador Saddam eliminou 100 mil pessoas usando armas químicas. E outras 300 mil por oposição ao seu regime.


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