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Drogas Ilícitas

 

THE NEW YORK TIMES x Uribe. Pastrana nos EUA

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

OLHO: Uribe quer apagar o incêndio. Sua lei de anistia para os paramilitares de direita, - considerados seus velhos aliados-, foi criticada em editorial do The New York Times. O título do editorial foi a "Capitulação da Colômbia". Agora, Uribe nomeou o ex-presidente Andres Pastrana, conservador, embaixador nos EUA. Sua missão é cosolidar o apoio da Casa Branca à lei que, na verdade, estabelece impunidade aos paramilitares.

Uribe: ex-presidente Pastrana para a embaixada colombiana nos EUA.


MATÉRIA.

É inegável a simpatia do presidente Álvaro Uribe aos paramilitares de direita que lutam contra as Farc e o Exército de Libertação nacional.

Os EUA começaram a exigir a extradição dos principais líderes das Auto Defesas Unidas de Colombia (AUC), a maior organização de paramilitares em atividade na Colômbia. Atualmente, as AUC estão sob comando de Felipe Mancuso, um italo-colombiano.

No final do ano de 2004, para reduzir as pressões e tentar brecar as extradições, Mancuso prometeu depor as armas e atuar na legalidade, fundando um partido político.

Várias fotografias e filmes mostraram colunas das AUC realizando a entrega de armas para os seus líderes.

Paralelamente, o presidente Uribe lançou o seu projeto de pacificação da Colômbia, prometendo anistia pelos crimes anteriores. As Farc não aceitaram, ao contrário dos paramilitares chefiados por Mancuso.

editorial:A Capitulação da Colômbia


O projeto "pacificador" de Uribe levou o nome de Lei, Justiça e Paz .

O jornal The New York Times, em editorial, criticou pesadamente o projeto de Uribe. O editorial levou o título de "A Capitulação da Colômbia" .

Para o jornal The New York Times, o projeto de Uribe é conferir impunidade a assassinos, narcotraficantes e terroristas, que são os paramilitares.

Observa o editorial que os paramilitares colombianos traficam cocaína para os EUA e são responsáveis pela oferta de 40% da droga que é comercializada no país. Também destaca que os paramilitares executaram e massacraram milhares de pessoas inocentes.

Consta do editorial, ainda, que o governo de Uribe impede a extradição para os EUA de vários chefes do tráfico de drogas que são paramilitares: -" A nova lei reflete o considerável poder políticos dos paramilitares".

Não esquece o jornal de consignar que o projeto de lei de Uribe foi aplaudido pelo embaixador norte-americano em Bogotá, Willian Wood, ou seja, a Casa Branca deve ter dado sinal verde.

Para afastar o mal-estar e a repercussão negativa nos EUA, resolveu Uribe nomear o seu antecessor na presidência da Colômbia, o conservador Andres Pastrana (1998-2002). Pastrana aceitou o convite e terá a tarefa de convencer os norte-americanos do acerto da proposta de paz de Uribe.

Pastrana terminou o seu mandato magoado com as Farc, por ter se aproveitado do "plano de paz" do seu então governo. No governo Pastrana, reservou-se áreas territorias desmilitarizadas (maiores do que a Suíça) para as Farc. Essas áreas ficaram sob controle exclusivo das Farc. Para Uribe e Patrana a nova lei irá beneficiar aqueles com a intenção de abandonar as armas e a guerrilha. Mais, afirmam que a guerrilha está metida com a droga, sendo difícil estabelecer um processo de paz sem esquecer os crimes referentes ao tráfico de drogas. ...................................................................
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RETROSPECTIVA PARAMILITARES COLOMBIANOS: como começou.

Por WFM-CARTACAPITAL.

PARAMILITARES: MISTÉRIO E SANGUE.

O mercenário israelense Yar Klein chegou à Colômbia com uma turma da pesada, em fevereiro de 1988: Eitan Koren, Miachael Harari e Arik Afek.

Koren presidia a empresa privada de segurança militar de nome Israel Security Defense Sistem e trazia no currículo a chefia da segurança do premier Menachem Begin. Quanto a Harari, atuou como guarda-costa do narcoditador e general panamenho Manuel Noriega. Arik ficou famoso depois, pelo seu envolvimento no escândalo dos “Contras”, na Nicarágua: armas e drogas.

Todos os acompanhantes de Klein prestaram serviços para a agência central de inteligência norte-americana (CIA). E na rica região colombiana de Urabá, fronteira com o Panamá, ministraram um curso de formação de combatentes às guerrilhas. Diplomaram 40 paramilitares e prepararam o ambiente para o nascimento das Autodefesa Unidas de Colômbia (AUC).

Urabá tornou-se território das AUC, sob comando de Carlos Castaño e Salvatore Mancuso. O curso de preparo de paramilitares foi bancado por latifundiários, que se diziam cansados de pagar para as Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) a “taxa de proteção”, chamada “vacuna ganadera”.

A indicação de Klein partiu do ministério colombiano do interior, dadas as boas relações com a indústria bélica israelense, especialmente pela compra de armas, estimada em US$500 milhões.

Coube ao fazendeiro e narcotraficante colombiano Gonzalo Rodríguez Gacha, apelidado “mexicano”, servir de anfitrião a Klein. Naquele ano de 1988, Gacha virou capa da revista Forbes e a Fortune o relacionou entre os homens mais ricos do mundo.

O “mexicano” fundou o Cartel de Medellín com Pablo Escobar, este eleito deputado em 1982 pelo partido liberal. Gacha dizia-se anticomunista e corrompeu generais colombianos formados nas academias militares norte-americanas do Panamá e de Fort Bragg.

A formação de forças privadas na Colômbia ( as Autodefesas Unidas de Colômbia-AUC- começaram a atuar em 1996) interessava à Texas Petroleum Company, conhecida por Texaco. Essa empresa estava autorizada a explorar petróleo na zona média do rio Magdalena. A direção da Texaco preferia a segurança privada, apesar de a Corte Constitucional Colombiana haver dado autorização para ela negociar, com o Exército, a contratação de proteção às instalações, pelo batalhão militar estacionado no Médio Magdalena.

Outra interessada era a United Fruit. Essa multinacional explorava na região de Urabá, além de trabalhadores, o plantio de bananas, terceiro produto legal de exportação colombiana, depois do café e do petróleo.

Para a United Fruit trabalhavam trinta mil rurícolas, que se organizaram em sindicatos e passaram a receber apoio das Farc. E convém lembrar que as FARC nasceram em maio de 1964, quando o exército colombiano, sob supervisão norte-americana, atacou um grupo de pequenos proprietários rurais, organizado por Manuel Marulanda, apelidado Tirofijo e que ainda lidera a insurgência.

A guerra civil colombiana mistura interesses internos e externos, ideologias conflitantes, corrupção institucionalizada, e desigualdades sociais. Tem como causa remota o assassinato do líder popular Jorge Eliécer Gaitán, em abril de 1948. O narcotráfico, a partir da década de 80, virou combustível de sustentação financeira dos paramilitares e das duas guerrilhas de esquerda.

Neste 16 de maio de 2004, espalhou-se a notícia do assassinato de Carlos Castaño, narcotraficante e líder político da AUC. Ele está condenado a 40 anos de reclusão pelo massacre de 49 camponeses da aldeia de Mapiripán, que considerou esquerdistas. Segundo circulou, o assassinato deveu-se a um acordo celebrado entre a norte-americana Drug Enforcement Agency (DEA) e diversos líderes paramilitares, ameaçados de extradição para os EUA por tráfico internacional de cocaína e heroína. A cabeça de Castaño os livraria da formulação de pedidos de extradição.

O estranho sumiço de Castaño ocorreu seis dias antes de a Corte Superior de Justiça autorizar o processo da sua extradição aos EUA. Para especialistas, o assassinato, --ainda sem cadáver- representa uma farsa montada e antecedida da divulgação de um escrito de Castaño: “ni um dia del cárcel, ni in Colombia ni en el exterior”.

Enquanto isso, o presidente colombiano Álvaro Uribe exteriorizou o seu ânimo bélico no Fórum Nova Economia (2004), promovido pelo “The Wall Street Journal Europe”, em Madrid. Declarou torcer pelo fim dos conflitos no Iraque e na Palestina. Isso para conseguir mais ajuda financeira internacional. Dinheiro para turbinar a guerra civil na Colômbia. Claro, no papel de Bush latino-americano.

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b>RETROSPECTIVA



URIBE QUER COMPRAR DROGAS.

O presidente colombiano Álvaro Uribe tem a sua carreira política marcada pela polêmica. Isso passa com envolvimento com paramilitares de direita e fornecimento (ante de ser presidente e na condição de funcionário público) de prevês para pilotos de Pablo Escobar.

No mês passado (junho 2005), Uribe quis partir para a guerra biológica. Ou melhor, planejou destruir o plantio de coca colombiana com a famosa lagarta Helória Noyesi.

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A Helória ficou famosa nos filmes de Walt Disney. É a lagarta azul com piteira comprida na boca que aparece nos desejos animados.

No mundo real, a lagarta Helória vira mariposa, que coloca os seus ovos nas folhas. Os ovos transformam-se em lagartas que devoram as folhas e sementes.

A idéia de Uribe foi logo brecada pelos ambientalistas. O apetite da lagarta é grande e ela não come apenas folha de coca. Como tem cardápio variado, a lagarta poderia acabar com o verde da Amazônia colombiana e as reservas naturais (parques) invadidas pelo plantio ilegal e encoberto de folha de coca.

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Desesperado com o fracasso e o fim dos dólares de Bush para o Plano Colômbia, o presidente Uribe, todo mês, tira uma solução mágica da cartola.

Nesta semana (27/7/2005), anunciou querer comprar toda a produção de folha de coca dos camponeses colombianos. Com isso, vai, certamente, abrir uma concorrência com os traficantes que usam a folha de coca como matéria prima na elaboração do cloridrato de cocaína.

A idéia do presidente Uribe não é original. O seu antecessor, Pastrana, já havia feito igual proposta para o presidente francês Jacques Chirac. Caberia a Chirac arrumar o dinheiro para a compra da produção e para a compra de fornos dedicados à queima de folhas de coca.

No Afeganistão, em abril de 2002, apareceu igual idéia. Só que compra de papoula, da qual se extrai o ópio e a heroína. Como todos sabem, o Afeganistão é o maior produtor mundial de heroína.

A Casa Branca acaba de opinar contrariamente ao plano de Uribe de comprar a produção de coca. É ineficaz e contraproducente, sentenciou John Whalters, czar antidrogas do governo Bush.

Para a Casa Branca, o presidente Uribe deveria continuar com as erradicações forçadas do cultivo. A venda para o Estado colombiano ensejaria, pelos camponeses, a duplicação da área de plantio. Assim, os cultivadores de coca ganhariam dos clientes, ou seja, o Estado e os narcotraficantes.

Deve-se lembrar, ainda, que cada pé de coca enseja, no curso do ano, seis cortes (safras). Será que Uribe compraria as seis safras anuais?

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A verdade é uma só. Em 25 anos de "war on drugs", os norte-americanos investiram na região andina US$25 bilhões. E nos últimos 20 anos, a área de cultivo de coca continua a mesma, isto é, 200 mil hectares.

Na próxima semana, certamente, Uribe virá com outra idéia, nova ou reciclada. Tudo isso a demonstrar que não sabe o que fazer.

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RETROSPECTIVA :27/7/2005.

Não é original a idéia do presidente colombiano Alvaro Uribe de comprar dos camponeses toda a produção de coca.

O falecido presidente boliviano Hugo Banzer tentou implementar a compra nos chamados "mercados cocaleiros". Os interessados na transformação da coca em cloridrato de cocaína ofereciam preço maior do que o proposto pelo governo. Fora isso, nem todos levavam a produção ao mercado cocaleiro, para não revelar que plantavam mais do que o permitido.

O Departamento de Estado norte-americano já opiniou contrariamente ao projeto de Uribe, classificando-o com ineficaz e contraproducente.

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Para o czar antidrogas da Casa Branca, John Walthers, a luta contra as drogas se dá de forma diversa da pretendida por Uribe.

Segundo Walthers, deve o governo colombiano continuar com as erradicações e com o cultivo substitutivo da coca: culturas lícitas, como abacaxi, banana, milho, feijão, etc.

Isso tudo para que os produtores não façam jogo-duplo, ou seja, aproveitar o dinheiro das compras feitas pelo governo para aumentar a produção. Com isso, duplicariam as áreas e venderiam para o governo e para os laboratórios clandestinos de refino.


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