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Drogas Ilícitas

 

COLOMBIA: presidente Uribe quer comprar coca.

Por IBGF/WFM



O presidente colombiano Álvaro Uribe tem a sua carreira política marcada pela polêmica. Isso passa com envolvimento com paramilitares de direita e fornecimento (ante de ser presidente e na condição de funcionário público) de prevês para pilotos de Pablo Escobar.

No mês passado (junho 2005), Uribe quis partir para a guerra biológica. Ou melhor, planejou destruir o plantio de coca colombiana com a famosa lagarta Helória Noyesi.

Lagarta de muitas ourtas folhas.


A Helória ficou famosa nos filmes de Walt Disney. É a lagarta azul com piteira comprida na boca que aparece nos desejos animados.

No mundo real, a lagarta Helória vira mariposa, que coloca os seus ovos nas folhas. Os ovos transformam-se em lagartas que devoram as folhas e sementes.

A idéia de Uribe foi logo brecada pelos ambientalistas. O apetite da lagarta é grande e ela não come apenas folha de coca. Como tem cardápio variado, a lagarta poderia acabar com o verde da Amazônia colombiana e as reservas naturais (parques) invadidas pelo plantio ilegal e encoberto de folha de coca.

reservas florestais invadidas pela coca.


Desesperado com o fracasso e o fim dos dólares de Bush para o Plano Colômbia, o presidente Uribe, todo mês, tira uma solução mágica da cartola.

Nesta semana (27/7/2005), anunciou querer comprar toda a produção de folha de coca dos camponeses colombianos. Com isso, vai, certamente, abrir uma concorrência com os traficantes que usam a folha de coca como matéria prima na elaboração do cloridrato de cocaína.

A idéia do presidente Uribe não é original. O seu antecessor, Pastrana, já havia feito igual proposta para o presidente francês Jacques Chirac. Caberia a Chirac arrumar o dinheiro para a compra da produção e para a compra de fornos dedicados à queima de folhas de coca.

No Afeganistão, em abril de 2002, apareceu igual idéia. Só que compra de papoula, da qual se extrai o ópio e a heroína. Como todos sabem, o Afeganistão é o maior produtor mundial de heroína.

A Casa Branca acaba de opinar contrariamente ao plano de Uribe de comprar a produção de coca. É ineficaz e contraproducente, sentenciou John Whalters, czar antidrogas do governo Bush.

Para a Casa Branca, o presidente Uribe deveria continuar com as erradicações forçadas do cultivo. A venda para o Estado colombiano ensejaria, pelos camponeses, a duplicação da área de plantio. Assim, os cultivadores de coca ganhariam dos clientes, ou seja, o Estado e os narcotraficantes.

Deve-se lembrar, ainda, que cada pé de coca enseja, no curso do ano, seis cortes (safras). Será que Uribe compraria as seis safras anuais?

Uribe e a desaprovação de Bush.


A verdade é uma só. Em 25 anos de "war on drugs", os norte-americanos investiram na região andina US$25 bilhões. E nos últimos 20 anos, a área de cultivo de coca continua a mesma, isto é, 200 mil hectares.

Na próxima semana, certamente, Uribe virá com outra idéia, nova ou reciclada. Tudo isso a demonstrar que não sabe o que fazer.

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RETROSPECTIVA :27/7/2005.

Não é original a idéia do presidente colombiano Alvaro Uribe de comprar dos camponeses toda a produção de coca.

O falecido presidente boliviano Hugo Banzer tentou implementar a compra nos chamados "mercados cocaleiros". Os interessados na transformação da coca em cloridrato de cocaína ofereciam preço maior do que o proposto pelo governo. Fora isso, nem todos levavam a produção ao mercado cocaleiro, para não revelar que plantavam mais do que o permitido.

O Departamento de Estado norte-americano já opiniou contrariamente ao projeto de Uribe, classificando-o com ineficaz e contraproducente.

laboratório clandestino de refino de coca.


Para o czar antidrogas da Casa Branca, John Walthers, a luta contra as drogas se dá de forma diversa da pretendida por Uribe.

Segundo Walthers, deve o governo colombiano continuar com as erradicações e com o cultivo substitutivo da coca: culturas lícitas, como abacaxi, banana, milho, feijão, etc.

Isso tudo para que os produtores não façam jogo-duplo, ou seja, aproveitar o dinheiro das compras feitas pelo governo para aumentar a produção. Com isso, duplicariam as áreas e venderiam para o governo e para os laboratórios clandestinos de refino.


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