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Drogas Ilícitas

 

A FUGA do rei da fronteira.

Por WFM-CARTACAPITAL

Fahd Jamil Georges, conhecido no Mato Grosso do Sul e no Paraguai por Fuad, serviu ao regime militar brasileiro e à ditadura paraguaia de Alfredo Stroessner (1954-1989). A sua organização mantinha, para fins ilícitos, o controle absoluto dos principais pontos da fronteira que separa o Paraguai do Centro-Oeste brasileiro.

Juiz Odilon, inimigo n.1 da criminalidade organizada paraguaio-brasileira.


Uma residência-bunker era mantida por Fahd na cidade de Pedro Juan Caballero, considerada, à época das mencionadas ditaduras, a capital latino-americana do contrabando, das contrafações e do tráfico de armas de fogo e drogas ilícitas.

Segundo revelado pela imprensa, a arquitetura do bunker de Fahd consistia numa réplica da casa onde viveu o roqueiro Elvis Presley. Muitas vezes, da garagem saía um Cadillac e, para os habitantes de Caballero, o automóvel contava com pneus especiais, prontos para resistir a rodar por 2 quilômetros caso fossem metralhados.

O controle territorial mantido pelo grupo comandado por Fahd interessou à Operação Condor, ou seja, àquela task-force de caça aos opositores dos regimes de exceção no Chile, Argentina, Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil.

No tempo dos regimes de exceção, Fahd foi pouquíssimo perturbado pelas autoridades. Em Ponta Porã, assumiu a identidade de empresário de sucesso, sem perder a fama de contrabandista e violento chefe de bando armado. Chegou até a ser sócio de um jornal.

Um dos raros incômodos deveu-se à prisão preventiva decretada pela Justiça de Mato Grosso. Lógico, a prisão preventiva foi rapidamente relaxada por habeas corpus. Na sede matogrossense da Polícia Federal, nem esquentou a cadeira da sala do coronel do Exército que comandava o órgão, seu grande amigo. Na saída, mostrou toda a sua força: entrou no automóvel de um senador e da janela abanou as mãos para o coronel, jornalistas e atônitos circunstantes.

Como o mafioso Tommasso Buscetta e um conhecido reitor de universidade privada de São Paulo, Fahd virou personagem do livro intitulado Autópsia do Medo, do jornalista Percival de Souza. Esse livro da Editora Globo versa sobre a vida e a morte do delegado de polícia Sérgio Paranhos Fleury, que comandou a repressão política no DOI-Codi de São Paulo e é apontado como criador do famigerado Esquadrão da Morte.

O Rei da Fronteira foi condenado também por lavagem de dinheiro.


Fleury procurou Fahd, o “rei da fronteira”, para tentar localizar e prender um suspeito de assassinato. Foi perguntado se queria o procurado “em pé”, ou seja, vivo. Poucas horas depois, Fahd comunicou a Fleury não ter o suspeito passado pelos seus domínios em Mato Grosso nem se homiziado no Paraguai.

Nos últimos anos e com a redemocratização do País, Fahd mudou a postura de rico e poderoso. Cuidou de espalhar o boato de que estava “quebrado” financeiramente. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de 1999, registrou declarações de um delegado de polícia do Mato Grosso do Sul, no sentido de Fahd estar “falido” e viver da caridade de um parente, ex-parlamentar e sócio oculto de famoso hotel-cassino paraguaio, à beira de um lago.

A Secretaria Nacional Antidrogas e a CPI do Narcotráfico não acreditaram. Apontaram Fahd como atuante no Mato Grosso do Sul e Paraguai. Nesta Linha de Frente e no programa Passando a Limpo, conduzido pelo jornalista Boris Casoy, o “rei da fronteira” foi diversas vezes mencionado como símbolo da impunidade e do poder paralelo.

Há duas semanas, Fahd desapareceu de Ponta Porã. O juiz federal Odilon de Oliveira condenou-o por tráfico internacional de drogas, associação delinqüencial, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. As penas privativas de liberdade somam 20 anos e 3 meses de reclusão, a ser cumpridas em regime fechado em estabelecimento de segurança máxima. A multa alcançou R$ 233.400.

Além do mandado de prisão, Fahd teve a apreensão e o perdimento de bens, considerados de origem criminosa, ou seja, R$ 2,1 milhões em dinheiro, três imóveis e seis extensos terrenos. Num dos imóveis seqüestrados pela Justiça está a atual mansão de Fahd, avaliada em R$ 6 milhões.

Em pouco mais de um ano de jurisdição em Ponta Porã, o juiz Odilon condenou 114 narcotraficantes, sendo 15 traficantes internacionais. Enfrenta permanente risco de vida. Já teve de morar num quartel do Exército, cercado por muros de mais de 2 metros de altura. Mesmo assim, um pistoleiro conseguiu ingressar no quartel para matá-lo.

Longe da família e dos filhos, Odilon mora no Fórum, de onde sai raramente. Está protegido pela Polícia Federal e se desloca em jeep blindado, pois é o inimigo número 1 dos narcotraficantes, contrabandistas e lavadores de dinheiro sujo.


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