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Drogas Ilícitas

 

PERU: plantio de coca já legalizado em 3 estados.

Por IBGF/Jornal do Terra

Depois de Cuzco e Puno, a liberação do plantio e cultivo de coca chega ao estado de Huánuco, região central do Peru. A liberação em Cuzco e Puno ocorreu no final de junho deste ano de 2005 vide retrospectiva abaixo

A lei aprovada neste mês de julho (19 de julho de 2005) acaba de ser sancionada (25 julho de 2005).

Pela nova legislação, o plantio será permitido para o consumo tradicional da folha de coca, ou seja, por meio de mastigação: "chaccheo".

Referida lei permite, também, o cultivo para fins terapêuticos e para emprego ritual, nas cerimômonias religiosas: a folha de coa é considerada sagrada. Admite-se, ainda, o emprego industrial da folha de coca, incluída a elaboração de bebidas e pastas dentais.

O líder dos cocaleiros, Iburcio Morales (mesmo nome do líder boliviano:Evo Morales), pediu a imediata saída da região dos agentes da DEVISA, órgão governamental para o "desenvolvimento da vida sem drogas". A liberação em Huánuco, Cuzco e Puno, mostra o dissenso entre a orientação do governo nacional e o dos regionais.

Para os dirigentes da Devida, apenas o governo nacional (segue política de orientação norte-americana) pode deliberar sobre liberação do plantio de coca.

No Peru, o monopólio para a industrialização é da empresa ENACO (Empresa Nacional da Coca). Ela adquire cerca de 0,3% das 52 mil toneladas de folhas produzidas anualmente no Peru

Para a agência antidrogas das Nações Unidas, no Peru o cultivo de coca ocupa 50.300 hectares. Apresentou esse país um crescimento de 14%, a respeito do levantado no ano de 2003.

Os dados da ONU confirmam a migração de cultivo da Colômbia, em face do Plan Colombia (já encerrado). Na região andina, há 25 anos, a área de cultivo de coca continua igual.

O Peru recebe ajuda norte-americana de US$100 milhões anuais. A ajuda vem do tempo da dupla Fugimore-Montesinos, que transformaram o Peru numa narco-ditadura.

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RETROSPECTIVA



No calendário Inca, o inverno começava com a "Festa dos Ancestrais", uma maneira de relembrar os antepassados e agradecer os dons da mãe-terra.

Cuzco: ex-capital do Império Inca.


Na terça-feira (21/6/2005), início do inverno, realizou-se em Cuzco, ex-capital do Império Inca, a tradicional "Festa dos Ancestrais". Os sacerdotes nativos reuniram cerca de 30 mil pessoas na Praça das Armas, no centro de Cuzco. E foi repetido o tradicional ritual de agradecimento pelos alimentos tirados da terra e pela folha sagrada da coca . Durante a cerimônia ouve-se um único canto, é a canção intitulada Coca-Quintucha . Trata-se de uma canção de louvor à coca, usada pelos nativos andinos como medicamento, alimento e aproximação com a divindade. Em toda a região, a coca é considerada símbolo de identidade cultural do povo dos Andes.

À cerimônia esteve presente o governador da região do Cuzco, Carlos Cuaresmo. No discurso, Cuaresmo prometeu liberar administrativamente o plantio de coca por toda a região. Além disso, lembrou que a coca representa um bem protegido pela Constituição do Peru. Na visão dele, é um bem econômico que se transmite por herança cultural.

Cuzco: liberado o plantio de coca por ato do governador, baseado na Constituição.


Na quarta-feira (22/6/2005) pela manhã, o governador assinou o decreto de liberação, legalização, do plantio de coca, na região de Cuzco.

O decreto fala na coca como "Patrimônio regional, natural, biológico, medicinal, religioso e da história de Cuzco". O governador de Cuzco manifestou-se contra aqueles que vendem coca para traficantes que a transformam, quimicamente, em cloridrato de cocaína.

Nos Andes, todos sabem que a folha de coca é estimulante, como café e chá, usados como bebidas por outras culturas. E ninguém concorda com a ONU de equiparar a coca à cocaína.

A mastigação tradicional da folha de coca, no Peru, é chamada de "chacchado". As reações contrárias ao ato do governador de Cuzco já apareceram, em especial do governo norte-americano e dos adeptos da demonização das drogas.

O primeiro ministro do Peru avisou que a liberação para o plantio vai acarretar um salto de 9 mil para 36 mil hectares , em pouco tempo.

A Ong chamada "Aliança Peru sem Drogas", que se alinha à política norte-americana, distribuiu nota com a afirmação de que o Peru irá se transformar numa narcorepública. A nota só esqueceu de lembrar que ao tempo da ditadura Fujimori-Montesinos, sustentada pela Casa Branca, o Peru era uma narcoditadura.

Segundo dados recentes da ONU, as áreas de cultivo do Peru, de 2003 para 2004, saltaram de 44.200 para 50.300 hectares.

Cuzco: forte no turismo e nas tradições.


Lógico, isso deveu-se ao Plano Colômbia. Na verdade uma migração de cultivo, em face do militarizado plano norte-americano de derrame de herbicidas nas áreas de plantio de coca na Colômbia.

Como se percebe, em breve a burra "War on Drugs" (Guerra às Drogas) vai alcançar Cuzco, com destruições, danos ambientais e humanos e muita trapalhada no conhecido estilo Bush.


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