São Paulo,  
Busca:   

 

 

Drogas Ilícitas

 

PLANO DE COMBATE À GUERRILHA NO LUGAR DA GUERRA ÀS DROGAS (PLANO COLÔMBIA)

Por WFM-CARTACAPITAL

REVISTA CARTA CAPITAL- 11 Maio de 2005 - Ano XI - Número 341.

BUSH e URIBE: acordados em eliminar as guerrilhas de esquerda. O Império quer paz nos seus domínios.


No seu primeiro périplo funcional e geoestratégico por países da América do Sul, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, ficou poucas horas em Bogotá. Tempo suficiente, no entanto, para anunciar o fim do Plan Colombia – que completará os cinco anos estabelecidos em julho – e transmitir a decisão de Bush de continuar a ajuda militar para combater o terrorismo.

Numa correta chave de leitura, faliu o Plan Colombia. O novo foco prioritário será o combate aos insurgentes, considerados por Bush, quer no Iraque, quer na Colômbia, como terroristas. A propósito, é forte a pressão do governo norte-americano para que as Nações Unidas, por meio de convenção, definam o crime de terrorismo, sem estabelecer espécies diferenciais como insurgência, guerrilha ou eversão.

Com tudo adrede preparado para evitar surpresas e reações verbais no funeral do Plan Colombia, o presidente Álvaro Uribe cumpriu silêncio obsequioso.

No dia seguinte, já cogitava da nova estratégia antidrogas, em cerimônia no Parque Nacional Sierra Nevada de Santa Marta, onde foi encontrada coca transgênica por um oficial da polícia colombiana, desmentido pelo czar antidrogas do governo norte-americano, John Walthers.

O dispendioso e militarizado Plan Colombia teve como carro-chefe a erradicação das áreas de cultivo de folhas de coca, matéria-prima para a elaboração do cloridrato de cocaína. As áreas objeto das erradicações foram escolhidas com base em identificação por fotografias de satélite, ou seja, em Putumayo, Caqueta, Meta, Vichada e Vaupes.

Coca em Paques Nacionais


O forte das erradicações consistiu no despejo de toneladas do potente herbicida à base de glifosato, desenvolvido pela multinacional Monsanto.

Esse ingrediente ativo é comercializado com o nome Roundup, sendo fartamente encontrável nas prateleiras dos supermercados e casas de produtos agrícolas brasileiros. As perigosas erradicações manuais em campos sob proteção de guerrilheiros e paramilitares, como se percebeu, não tinham a velocidade dos ágeis camponeses incumbidos de replantar e expandir as culturas.

Como se sabe, o Plan Colombia foi elaborado pelo então czar antidrogas do governo Bill Clinton, general Barry MacCaffrey.

O objetivo estratégico-militar era arrasar os plantios de coca colombianos para conseguir, no mercado internacional, escassear a oferta da droga e, por conseqüência, reduzir o lucro vultoso dos narcotraficantes. A falta da cocaína elevaria os preços, a tornar proibitiva a compra do banalizado “papelote do pó”. Entretanto, não foi o que aconteceu.

Na Colômbia, houve efetiva erradicação de áreas de plantio da coca, a partir do derrame de herbicidas. Segundo Bush declarou na última estada na cidade de Cartagena, em 2004 foram fumigados cerca de 130 mil hectares, tendo sobrado apenas 65 mil hectares. Só não contou que as áreas migraram interna e externamente, ocorrendo triplicação da produção no Peru e duplicação na Bolívia.

As fumigações provocaram danos ambientais irreversíveis. Os aviões da empresa norte-americana contratada Dyn Corp, que embolsou a fatia de US$ 170 milhões dos US$ 3 bilhões disponibilizados ao Plano Colômbia, despejaram Roundup nos centros cocaleiros banhados pelos rios Putumayo e Caqueta. Esses rios penetram no Brasil, recebem outros nomes e as suas águas, com resíduos do poderoso Roundup, atingem a Bacia Amazônica.

Os danos ecológicos sentidos resultaram na suspensão, pelo período de três anos, de fumigações nas reservas naturais colombianas. A coca espalhou-se até pelos parques nacionais de Macarena, Catatumbo e Sierra Nevada. Descobriu-se, então, o abandono do cultivo da tradicional “coca-cana” pela peruana “coca-tingomaria”, uma espécie mais resistente.

Fumigações: a cargo da empresa norte-americana DYN CORP, de segurança privada


Ao alinhavar a War on Drugs, Uribe ressaltou que o governo vai continuar com a política de repressão pesada às drogas. As fumigações deverão continuar e acenou com uma provável revogação da ordem de suspensão do despejo de herbicidas sobre as áreas ambientais.

O presidente colombiano pretende ampliar o número dos chamados guarda-bosques, organizados em grupos de voluntários civis, com a tarefa de erradicar plantios e denunciar camponeses a serviço dos cartelitos das drogas às autoridades.

Na verdade, Uribe implanta nos bosques a sua velha e suspensa iniciativa de formar milícias privadas, para combater as guerrilhas. Em Sierra Nevada, o presidente premiou um grupo privado de vigilantes florestais com US$ 3 mil.

Para Condoleezza Rice, o Plano Colômbia foi um sucesso, conforme declarou em entrevista ao jornal El Tiempo. Apenas não conseguiu explicar o porquê do encerramento de um plano “eficiente” e que fazia tanto sucesso.

Mais uma vez, porém, convém lembrar que, nos últimos 20 anos, a área de cultivo de coca na região andina continua a mesma, ou seja, de 200 mil hectares.

© 1999 - 2004 Editora Confiança Ltda. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste website.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet