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BYE-BYE, PLANO COLÔMBIA, anuncia Condolezza Rice.

Por IBGF/WFM

Em sua viagem à Colômbia (28-abril-2005), a segretária de estado Condolezza Rice anunciou o fim do "Plan Colombia".

BYE BYE, acabou o Plan Colombia, um fracasso total.


Avisou, no entanto, que a ajuda militar continuará. Ou seja, continuará a cooperação militar contra os insurgentes das Farc e do ELN (guerrilhas insurgentes de esquerda). A ajuda militar anual tem variado em torno de US$600 milhões.

Rice demonstrou preocupação com a venda de 100 mil fuzis feitas à Venezuela pela Rússia, Teme que as armas cheguem as mãos "dos terroristas".

Demonstrou preocupação, também, com os 2 norte-americanos que foram seqüestrados pelas Farc.

A gota d´água para o abandono do "Plan Colombia", dizem os especialistas, foi a migração da área de plantio de coca. Ou melhor, a promessa de Bush de que haveria redução de oferta de cocaína no mercado internacional até o final do ano de 2004, não foi cumprida.

Os norte-americanos, num plano idealizado pelo general Barry Mac-Caffrey (czar antidrogas no governo Bill Clinton), pensavam em reduzir drasticamente as áreas de plantio de coca, matéria prima para a elaboração do cloridrato de cocaína. Com isso, imaginavam que o preço da cocaína subiria de valor, a ponto de inviabilizar a compra.

Com a migração para outras áreas e países andinos, a oferta foi mantida. Ainda mais, baixou o preço no mercado internacional.

A própria Colômbia migrou da coca-cana para a coca tingomaria, mas resistente: ela não se espanlha pelo chão, cresce na vertical, dá mais folhas e abre espaço para plantios mais próximos. Além disso, apareceu na Colômbia, a coca transgênica.

Nos últimos 25 anos o governo norte-americano investiu na Colômbia, na "war on drugs", US$25 milhões. E faz 20 anos que a área de cultivo na região andina continua igual, ou seja, 200 mil hectares.

Rice: é isso aí. Plan Colômbia, acabou a grana.


Nos 4 anos de "Plan Colombia", o governo dos USA gastou US$3 bilhões. Resumindo: a militarização, com derrame de herbicidas a causar irreversíveis danos ecológicos, faliu.

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VEJA, abaixo,

1)a matéria de hoje (28/4/2005) do jornal EL TIEMPO, da Colômbia, sobre a fala de RICE:

2)Retrospectiva, sobre o Plan Colômbia

EL TIEMPO, 28 de abril de 2005.

Condoleezza Rice anunció el final de Plan Colombia y la continuación de la ayuda de E.U.A

En declaraciones exclusivas a Citytv, la Secretaria de Estado de E. U. expresó su preocupación por la estabilidad en la región.

La menuda figura de la secretaria de Estado de Estados Unidos, no se compadece con el poder que maneja la diplomática más importante del mundo.

Sin embargo, su forma rápida y contundente de hablar y actuar caracterizaron sus primeras horas de visita oficial ayer en Colombia.

A las 3:00 de la tarde tocó suelo colombiano.

Después de saludar al embajador de E.U. en Colombia, William Wood, y al vicecanciller Camilo Reyes, Rice fue recibida por una pareja de niños colombianos que le entregó un ramo de flores atado con una cinta alusiva al tricolor colombiano.

Colômbia: fumigações por aviões americados da Dyn Corp.


Los niños son hijos de dos mujeres humildes que estaban presentes en la recepción, víctimas del desplazamiento forzado y beneficiarias de programas sociales financiados con recursos de Asocolflores y apoyados por el gobierno estadounidense.

Fue una bienvenida emotiva, y si se quiere, simbólica.

Los fusiles.

El destino final de los 100 mil fusiles que Venezuela compró a Rusia fue el tema que más trascendió en los encuentros de la diplomática estadounidense con funcionarios del Gobierno colombiano.

Rice viene de una reciente gira por Rusia en la que se enfrentó en una discusión pública con el ministro de relaciones exteriores de ese país, Sergei Lavrov, por la venta de los 100 mil fusiles.

Para Estados Unidos este negocio puede generar inestablidad en la región, pensamiento que concidió con las observaciones del ministro de Defensa de Colombia, Jorge Alberto Uribe, quien dijo ante el Congreso que la venta de armas a Venezuela produce desbalance militar en el área andina.

Las preocupaciones por los fusiles rusos llevó a que Rice y la canciller colombiana, Carolina Barco, señalaran que trabajarán porque haya un mecanismo que verifique el destino final de esas armas.

"Sobre todo las pequeñas, porque pueden llegar a manos indebidas", dijo Rice, mientras Barco comentó que lo indeseable es que lleguen a manos de los grupos armados ilegales colombianos.

En entrevista con Citynoticias que será transmitida a las 8:00 de esta noche, la jefe de la diplomacia estadounidense, insistió en su preocupación por la estabilidad de la región.

“Hemos estado preocupados con las actividades del Gobierno venezolano en la región y lo hemos hecho saber. Lo resalté en el caso de la compra de los 100 mil rifles, diciéndoles a los rusos que esa clase de cosas no contribuyen a la estabilidad en la región”, dijo Rice. Rice hizo reconocimiento especial al presidente Alvaro Uribe, por su lucha contra el “terrorismo”.

"Francamente hay que decir que antes el Estado no controlaba su propio territorio y ahora con este Gobierno existe ese control", dijo.

En esta misma dirección, Rice anunció que “el Plan Colombia llega a su término, pero nuestro compromiso con Colombia no”. Como respaldo de sus palabras, la funcionaria estadounidense anunció que su país espera mantener la ayuda militar a Colombia que en este momento llega a 600 millones de dólares por año.

De otra parte se mostró muy preocupada por la suerte de los tres estadounidenses secuestrados por las Farc desde el 2003 y expresó que su Gobierno trabaja con las autoridades colombianas para verlos pronto en casa. Justicia y paz Le dio un compás de espera a la ley de justicia y paz que tramita el Congreso colomb iano para las demovilizaciones de delitos atroces y comentó que aspira a que esta resulte en castigo a los criminales y compensación a las víctimas, permitiendo, a la vez, la desactivación de estos grupos.

Rice es considerada la funcionaria más poderosa en las relaciones internacionales del mundo. Y el hecho que su nombre suene, incluso, como potencial candidata presidencial, hace que su visita a Colombia cobre más importancia

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CONTINUA a ajuda militar antiterror.


2) ANIVERSÁRIO DO PLAN COLOMBIA

O Globo, OPINIÃO de Wálter Fanganiello Maiierovitch

O Plano Colômbia completou três anos no mês de julho último (2003), e nessa sua primeira fase foram despendidos mais de US$ 2 bilhões.

Pelos dados levantados, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) continuaram a arrecadar US$ 500 milhões por ano. Isso mediante a cobrança da chamada “taxa-revolucionária”, gerada sobre a extração da folha de coca e as exportações da pasta-básica e do cloridrato de cocaína.

Vultosas somas arrecadaram, também, os paramilitares das Autodefesas da Colômbia (AUC) e o Exército de Libertação da Colômbia (ELN).

O fracasso do Plano Colômbia foi avaliado pela Anistia Internacional, em recente seminário realizado pelo Congresso dos EUA. O representante da Anistia, Eric Olson, ressaltou que nos últimos três anos, e por força do conflito armado, milhões de colombianos fugiram do país.

Seguramente, referiu-se aos 412 mil refugiados, conforme dado oficial. A esse total acrescentam-se cerca de 20 pessoas que diariamente são assassinadas.

Ainda sobre a falência do Plano Colômbia, foram registradas manifestações dos congressistas democratas americanos. Um deles, James McGovern, frisou ser o plano “cada vez menos uma conquista para os colombianos e cada vez mais uma marca da estratégia militar do governo dos EUA”.

Nos três anos do Plano Colômbia, uma nova pesquisa encomendada pelos EUA estimou em 30% o lucro líquido obtido com a venda de cocaína realizada pelos “cartelitos” colombianos.

Apesar do percentual baixo (30%), o lucro é significativo em razão do movimento planetário da cocaína. Os 70% restantes cobrem gastos e despesas: corrupção de autoridades (20%), transporte, matéria-prima e insumos químicos (12%), advogados e comissões de corretores incumbidos da lavagem do dinheiro sujo (11%), perdas por motivos fortuitos ou apreensões policiais (25%) etc.

Colômbia, a bandeira da "war on drugs" foi arriada.


Vale lembrar que mais de 80% da cocaína disponível no mercado internacional são de procedência colombiana, saída dos laboratórios operados pelo sistema de cartéis pequenos e interligados. Esse novo sistema substituiu a forma organizacional idealizada por Pablo Escobar, responsável pela introdução do plantio da coca na Colômbia, e que se gabava de ter aberto 3 milhões de postos de trabalhos para os colombianos.

A propósito, os americanos imaginaram que o problema da oferta da cocaína estivesse solucionado quando promoveram e apoiaram as ações que resultaram na morte de Escobar (1993), nas prisões dos irmãos Orejuela (1995), do general-ditador panamenho Manuel Noriega (1992) e dos diversos traficantes mexicanos de ponta, como João Garcia Abrego e o general Gutierrez Rebolo, este com parte da história de sua vida corrupta contada no filme “Traffic”.

Os americanos e colombianos implantaram o Plano Colômbia em 11 de julho de 2000. Para avaliar os resultados dos primeiros três anos do plano, o czar antidrogas americano John Walthers realizou recentes visitas aos centros sul-americanos de cultivo e produção de cocaína e heroína. In loco, portanto, ele pôde constatar o fracasso do Plano Colômbia.

Os fracassos derivam do fato de o plano não ter conseguido enfrentar problemas fundamentais, agravados pelo fenômeno das drogas.

Esses problemas dizem respeito ao desemprego, à injustiça social, à concentração de renda e à corrupção das autoridades.

Dos 43 milhões de habitantes da Colômbia, mais da metade vive com menos de US$ 2 por dia. Os conflitos e a violência afetam 25% do PIB, e os paramilitares são empregados para abafar os protestos sociais, especialmente em localidades onde o Estado nunca está presente.

A principal estratégia americana contida no Plano Colômbia centrou-se na erradicação das áreas de cultivo de coca, mediante o despejo aéreo de herbicidas, do tipo glifosato e fabricados pela multinacional Monsanto, com o nome comercial Round Up.

Com isso, os homens de Bush esperavam aniquilar economicamente os insurgentes das Farc. E para continuar a segunda fase do militarizado Plano Colômbia, que esconde os seus interesses hegemônicos e econômicos, propalam ter conseguido reduzir em 37% as áreas de cultivo.

A dupla Bush-Walthers, no entanto, continua a silenciar a respeito da causa da migração dos plantios de coca para o Peru e a Bolívia. Na verdade, enquanto herbicidas eram jogados pelos aviões da empresa de segurança Dyn-Corp, contratada pelo governo americano por cinco anos ao preço de US$ 170 milhões, a criminalidade organizada triplicou o cultivo no Peru e na Bolívia, ou seja, manteve-se a oferta. Pior ainda, o herbicida despejado vem provocando danos ecológicos irreversíveis.

Para fugir das fumigações, os “cartelitos” provocam desflorestamentos. Ou seja, abrem clareiras na selva amazônica colombiana, realizando plantios em terrenos de até 3 hectares. A segunda fase do Plano Colômbia será exposta pelo presidente Álvaro Uribe, em outubro, à União Européia. Na ocasião, Uribe vai postular ajuda financeira para combater o terrorismo e reduzir os seqüestros de pessoas em seu país. As fumigações, no entanto, continuarão por conta da Dyn-Corp.

WALTER FANGANIELLO MAIEROVITCH, magistrado, foi secretário nacional antidrogas.


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