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Drogas Ilícitas

 

Miscelâneas e cinismos:Reagan,Bush e Miss Plan Colômbia

Por IBGF/WFM

1 Reagan: comunismo e drogas. No governo de Ronald Reagan foi efetivamente implantada a política da War on Drugs (Guerra às Drogas). Reagan usou o aumento do consumo de drogas ilícitas pelos jovens norte-americanos e as recordações de fatos passados no Vietnã – de onde soldados retornavam à pátria dependentes químicos da heroína asiática –, para justificar as intervenções militares no exterior.

A droga funcionava como mero pretexto. O alvo não era o risco para a saúde pública, mas o perigo comunista. Num discurso de efeito, declarou “como reais inimigos dos norte-americanos” os responsáveis pela produção e pela oferta das “drogas internacionais”. Nas disfarçadas intervenções, escolheu territórios estratégicos e com drogas, como a Colômbia.
Enquanto Reagan cuidava da militarização, a primeira-dama mobilizou mães de família para lutar nas escolas, contra a demanda das drogas.

Nancy Reagan comandou programas preventivos antidrogas e desastradas campanhas baseadas na demonização do uso e na discriminação do usuário. Acabou como precursora dos programas criminalizantes, que ainda são utilizados no Brasil.

Por aqui, esses programas norte-americanos são ministrados pelas polícias militares estaduais. No governo republicano e conservador de Ronald Reagan, os policiais simbolizaram a lei e a ordem. A respeito, governadores como Geraldo Alckmin e Rosinha Garotinho não conseguem, como Reagan, compreender que as polícias devem prevenir e reprimir a oferta de drogas. A demanda não é tema policial, mas de saúde pública.

2 Embaixada fumigada pela Miss Plan Colômbia. O Plano Colômbia é um dos produtos elaborados pela doutrina da War on Drugs e o seu término está previsto para 2005. A principal medida do plano é o despejo de herbicidas nas áreas de cultivo de coca.

Nas fumigações, emprega-se um herbicida à base de glifosato, produzido pela multinacional Monsanto. O venenoso herbicida é jogado por aviões da empresa norte-americana de segurança DynCorp, que embolsará US$ 170 milhões em cinco anos de produção de danos ambientais e humanos.

No domingo 6, ativistas de direitos humanos promoveram a “fumigação” da embaixada norte-americana em Quito. Motivo: contaminação dos rios equatorianos em face do glifosato derramado na Colômbia. O principal rio atingido foi o San Miguel, cujas águas provindas da Colômbia penetram no Equador.

Os ativistas regaram os jardins da embaixada americana com glifosato da Monsanto e mostraram fotos da população ribeirinha intoxicada, animais mortos e plantações de subsistência contaminadas.

Na ocasião, três jovens desfilaram usando maiô e faixas de miss. Nas faixas estava escrito: “Miss Plan Colômbia”, “Miss Fumigazione” e “Miss Glifosato”. Vale lembrar que o Equador sediará o concurso de Miss Universo.

3 A “Lista de Bush” e o expresso da cocaína. Os bens da Aereo Continente, a maior empresa de aviação comercial peruana, foram “congelados” nos EUA. É que o dono da companhia, Fernando Zevallos, entrou na “lista de narcotraficantes” do presidente Bush.
Uma lei norte-americana de 1999 (Foreign Narcotics Designation Act) proíbe o governo, instituições financeiras e empresas em geral de transacionarem com as pessoas, físicas ou jurídicas, relacionadas na “lista” do presidente dos EUA. Mais ainda: os patrimônios dos relacionados ficam bloqueados e, após a condenação judicial, passam a engordar os cofres públicos.

Os aviões da Aereo Continental não poderão aterrissar nos EUA e a potente Boeing não mais poderá dar assistência técnica, vender aeronaves ou peças de reposição à companhia peruana. A empresa de Zevallos terá dificuldades para operar com segurança e cumprir o seu slogan Nascimos para Volar.

Da “Lista de Bush” constam também os irmãos Arellano Félix, do cartel mexicano de Tijuana. Aliás, ambos têm parte das suas histórias contadas no filme Traffic. Eles corrompem o general antidrogas mexicano, que, no filme, se suicida. Na vida real, o general está vivo e preso, chama-se Gutierrez Rebolo. No filme, colocaram um sósia do general Rebolo e mudaram a história porque ele ainda não estava condenado.

Na segunda feira 7, ou melhor, no dia seguinte à divulgação da “Lista de Bush”, a polícia mexicana e a DEA, a agência norte-americana antidrogas, prenderam Jorge Arellano Félix, apelidado de El Macumba.

Nenhum brasileiro está contemplado na “Lista de Bush”. De novidade, constam, além do megaempresário peruano Zevallos, dois jamaicanos, um indiano (Igbal Mirhi) e um afegão (Haji Bashir Noorzai).


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