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Drogas Ilícitas

 

Memória Seletiva-resposta ao embaixador da Colômbia

Por IBGF/WFM

CartaCapital recebeu do embaixador da Colômbia, Jorge Enrique Garavito Duran, uma carta que critica a coluna intitulada “Os 40 anos das Farc” (da edição 294, de 9/6/2004), reproduzida a seguir:

1. Em primeiro lugar, é absolutamente falso que o presidente Uribe encontra-se à espera de sinal verde da Casa Branca para pôr em prática um plano de armar um milhão de civis. A política de Segurança Democrática do atual governo na Colômbia busca devolver a segurança ao cidadão, comprometendo para esse propósito a força legítima do Exército e da polícia, mas não pretende nem pretendeu nunca armar civis para enfrentar essa luta.
Anunciou-se um plano de conscientizar a população para que informe às autoridades sobre as atividades dos grupos alçados em armas, mas esta é uma ação de inteligência, na qual a cidadania colabora de maneira espontânea.
2. A luta contra a guerrilha na Colômbia não é apoiada e aplaudida apenas por algumas empresas norte-americanas ou exclusivamente pelo governo dos Estados Unidos; 80% da população colombiana tem expressado seu apoio ao governo do presidente Uribe e a totalidade dos governos das Américas, excluindo Cuba, condenam e têm condenado oficialmente as atividades terroristas da guerrilha na Colômbia.
3. É vão o esforço de querer apresentar a guerrilha colombiana na atualidade como um grupo ideológico e insurgente dentro do modelo do confronto existente na década dos 60. Ao entrar a guerrilha no negócio das drogas, como ficou em evidência no Brasil com a prisão de Fernandinho Beira-Mar, quando negociava cocaína com as Farc, são poucas as pessoas que ainda acreditam em seus motivos ideológicos e, por outro lado, cada vez mais as Farc e o ELN são identificados como novos cartéis da droga. 4. Ninguém pode saber quanto mais durará o conflito na Colômbia, mas o certo é que, na atualidade, na Colômbia, há um renascer da esperança ao resultar evidente que a sociedade como um todo está resolvida a utilizar todos os recursos que sejam necessários para pôr um ponto final nessa tragédia de quatro décadas.


O colunista responde:

Uma retrospectiva sobre a vida pública do presidente Álvaro Uribe Vélez, incluídas as suspeitas, poderá esclarecer as divergências. Com relação ao narcotráfico, em 1989, o então deputado Uribe manifestou-se contrário à lei que autorizava a extradição de narcotraficantes. À época, já eram bem conhecidos os laços de amizade que mantinha com a mafiosa família Ochoa: por narcotráfico internacional, os irmãos Ochoa, sócios de Pablo Escobar no Cartel de Medellín, foram temporariamente extraditados para os EUA.

Um helicóptero de propriedade do genitor de Uribe, de nome Alberto, foi apreendido na “Tranquilandia”, ou seja, no megacomplexo construído por Pablo Escobar para refino de cocaína. Uribe já foi diretor dos serviços da aeronáutica civil: autorizou a construção de pistas privadas e assinou as habilitações de vários pilotos a serviço dos cartéis. Nos poucos meses como prefeito de Medellín, prometeu implantar os projetos sociais idealizados por Pablo Escobar.

No ano de 1982, Uribe teve de entregar a fazenda La Mundial. Isso para pagamento de indenizações devidas a 76 empregados, que trabalhavam sem receber salários. Segundo o relatório da organização Nunca Más, duas fazendas da família, como a La Manada e a La Guacharacas, eram utilizadas como quartéis pelos paramilitares. Quando governador de Antiochia, Uribe declarou a região como Zona Especial de Ordem Pública. Assim surgiram os mais de 60 esquadrões armados do Convivir, que liquidaram os opositores políticos e garantiram o controle regional aos paramilitares das AUC.

No programa eleitoral que levou Uribe à Presidência, está contestada a doutrina do monopólio estatal da força armada. E desse programa constou a promessa de recrutamento de um milhão de colombianos “para a prevenção dos crimes”. Os civis recrutados receberiam celulares ou transmissores de rádio e “armas genericamente defensivas”. Os norte-americanos, até agora, são favoráveis ao adiamento do recrutamento. Como tem se mostrado subserviente e tardio na implantação, está claro que Uribe aguarda o sinal verde de Bush. Por último, o artigo ressaltou ser a “taxação” do narcotráfico a principal fonte de sustentação das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (Farc). Quanto a Fernandinho Beira-Mar, ele estabeleceu ligações com Nego Acácio, ex-integrante das Farc e traficante de cocaína.


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