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Drogas Ilícitas

 

Propaganda enganosa:dia internacional antidrogas

Por IBGF/WFM

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 26 de junho como Dia Internacional de Combate às Drogas. Por meio da sua agência especializada – United Nation Office on Drugs and Crime (UNODC) –, busca encobrir o insucesso das retrógradas convenções. Não bastasse, a UNODC, com problemas de fundos, procura cativar países doadores para financiar projetos e manter sua dispendiosa estrutura administrativa.

A propaganda privilegia a linha proibicionista e militarizada, com relação ao contraste à demanda e à oferta de drogas ilícitas. Tudo isso na mais absoluta conformidade com as suas duas últimas e vigentes convenções da ONU: a de Nova York (1961) e a de Viena (1988).

Nessas duas convenções prevaleceu a orientação norte-americana de política antidrogas, também conhecida por War on Drugs (Guerra às Drogas). Uma política que não se pode alterar, salvo se houver unanimidade entre os estados membros. E são contrários a qualquer mudança, por exemplo, os estados teocráticos, os EUA, Rússia, Suécia, Malásia, Tailândia e Israel.

O Dia Internacional sustenta-se nas expressões “combate” e “antidrogas”. O desestímulo ao consumo se dá por meio da proibição criminalizante. Enquanto isso, a indústria das drogas – que nunca foi incomodada pelo controle real dos insumos químicos necessários ao refino ou à elaboração de drogas sintéticas – lava dinheiro no sistema bancário. Em 2003, lucrou 8% do montante obtido pelo comércio internacional regular.

Quanto ao Brasil, Lula abandonou a idéia de políticas progressistas, materializada na carta em que propunha a revisão das convenções, enviada ao secretário-geral da ONU, em junho de 1998. Como presidente, Lula tornou-se conservador e manteve a política antidrogas de FHC.

Lula deixou de seguir o exemplo de países progressistas que abandonaram as convenções por meio da repatriation. Ou seja, retomaram a soberania e a competência nacional para traçar suas próprias políticas de drogas e de toxicodependência.

Como lembram especialistas progressistas, “a atual política norte-americana de combate às drogas produziu mais danos do que o derivado da utilização abusiva das substâncias proibidas”.

O czar antidrogas da ONU é o italiano Antonio Costa, funcionário de carreira, especializado em economia e finanças, sem experiência anterior com o tema das drogas. Costa prega a realização de testes toxicológicos em crianças, nas escolas. Nesse particular, não foi original. Imitou o presidente George W. Bush. Ambos são adeptos da pedagogia da punição, em que a escola deve ter funções iguais aos medievais “reformatórios” de menores infratores.

No recente summit da Comission on Drugs, o czar Costa criticou os que classificam a maconha como uma droga leve. Propôs a volta à criminalização do seu uso pessoal. Evidentemente, referia-se à Grã-Bretanha, Holanda, Bélgica, Portugal etc.

No momento, Costa está empenhado, até 2008, em erradicar do planeta o cultivo de drogas ilegais, como a coca, a cannabis e a papoula. Uma tarefa que, em 1964, a ONU se propusera a fazer, no prazo de 25 anos. Como resultado, colheu a ampliação do cultivo e a constatação da existência de estados com economia dependente do mercado ilegal de drogas.

Costa pretende, no Brasil, prestigiar a política vigente e a VI Semana Nacional Antidrogas, aberta pelo presidente Lula. Em visita ao País, não vai conseguir se separar do fantasma da suspeita de escândalos ocorridos na sua administração, conforme denúncias do diplomata Samuel Gonzáles-Ruiz.

Na UNODC, Gonzáles-Ruiz era chefe do departamento antimáfia e acumulava a função de consultor de alto nível das Nações Unidas. Ao renunciar aos cargos, declarou: “Não tenho estômago para promover a luta contra o crime organizado e a corrupção no planeta enquanto trabalho numa agência (UNODC) que tolera violações administrativas e, em alguns casos, também criminais”.

A presença de Costa no Brasil poderá inspirar Lula a adotar a pena de morte. Para tanto, basta regulamentar a legislação sobre abate de aeronaves suspeitas de transporte de drogas ilegais.

Sobre o abate, a idéia original é norte-americana. Só não é mais prestigiada em razão da morte da missionária Rony Bowers, de 35 anos, e da sua filha Charity, de 7 meses. Elas eram cidadãs norte-americanas e estavam em um avião abatido no Peru. A infundada suspeita foi transmitida às autoridades peruanas pela base norte-americana de Key West.


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