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Drogas Ilícitas

 

PERU: condenado Wlademiro Montesinos, ex-agente da CIA, sustentador da Narcoditadura Peruana, quando comandava os serviços de inteligência da ditadura de Alberto Fujimori.

Por IBGF/WFM

WLADEMIRO MONTESINOS, a eminência parda da ditadura Alberto Fugimori, acaba de receber (3/3/2005) a segunda condenação da Justiça do Peru

Montesinos: tráficos de drogas, armas e corrupção.


Na primeira condenação, a pena atingiu 8 anos de reclusão. Isso por tráfico de drogas ilícitas e de armas de fogo.

As armas-fuzis- foram vendidas para as Farc da Colômbia. A transação na venda de armas reuniu Montesinos e Sarkis Soganelian, que é o maior traficante mundial de armas de fogo.

Montesinos e Sarkis foram agentes da CIA. Em razão disso,, Montesinos foi expulso do Exército peruano, quando era tenente.

Com Fujimori, foi alçado a posto de chave do governo, pois controlava as informações. Na primeira eleição de Fujimori, foi o caixa da campanha.

Montesinos especializou-se em traficar drogas, fazer acordo com traficantes e corromper autoridades locais: como mostrado pela mídia, chegou a gravar um vídeo onde dava dinheiro a um oficial general, que queria derrubar para poder controlar as Forças Armadas.

Na segunda condenação (proferida hoje), Montesinos acabou por receber a pena de 7 anos de reclusão por corrupção. Deverá pagar, também, 46.700 euros de multa.

Montesinos, conforme decidido hoje, recebia dinheiro de narcotraficantes em troca de favores.

Até agora, Montesinos está condenado a 15 anos de prisão e é mantido em cárcere de segurança máxima.

Ao tempo de Fujimori, o ministro Montesinos transformou o Peru numa narcoditadura. Fujimori se encontra foragido no Japão.

II- RETROSPECTIVA: o início do processo.

JORNAL DO TERRA: Quinta, 8 de janeiro de 2004, 18h37

Wálter Maierovitch: Julgamento de Montesinos promete surpresas





Na segunda quinzena de janeiro (2004), começará o julgamento de Vladimiro Lênin Montesinos Torres, 55 anos, a eminência parda da ditadura Alberto Fujimori no Peru. Não faltam acusações contra ele: narcotráfico, contrabando de armas de fogo, lavagem de dinheiro, corrupção, assassinatos, etc.

A Justiça peruana conseguiu, até agora, repatriar US$ 13 milhões da conta corrente de Montesinos no Wiese Bank International, agência de Caymán. Nas agências do UBS de Zurique e do cantão suíço de Lugano, estão indisponíveis outros US$ 77 milhões.

Montesinos conheceu o então comerciante Fujimori nos anos 90. Como advogado, ele foi contratado para defender Fujimori da acusação de crime de evasão de divisas. Daí, ter sido lembrado, posteriormente, para integrar o governo, como chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN).

Nos anos 60 e 70, Montesinos foi oficial do Exército do Peru, formando-se pela Escola Militar de Chorillos. Apesar de oficial peruano, tornou-se agente-secreto da CIA (agência de inteligência dos EUA), como ocorreu no Panamá com o general Noriega, ex-presidente e condenado por tráfico de drogas para os EUA.

Os laços de Montesinos com a CIA foram descobertos quando ele era capitão. Por servir a dois patrões, ou seja, ao Peru e ao governo norte-americano, foi defenestrado por uma Corte Marcial. Acabou condenado por traição à pátria e perdeu a patente.

Sem se abalar, conseguiu, em três meses, um diploma de bacharel em direito. Então, passou a advogar para traficantes internacionais, ligados ao colombiano Pablo Escobar Gavíria. Dentre outros, defendeu da acusação de tráfico internacional de drogas Evaristo Porras Ardilles, sócio de Escobar e chefe do Cartel de Letícia-Tabatinga, sediado na fronteira formada por Brasil, Peru e Colômbia.

Segundo relatou Roberto Escobar, irmão do megatraficante Pablo Escobar (morto em dezembro de 1993), os vínculos entre Montesinos e o Cartel de Medellín remontam ao ano de 1986. Contou Roberto ter seu irmão Pablo entregue a Montesinos US$ 1 milhão, destinado à campanha presidencial de Fujimori.

Por evidente, a CIA não desconhecia as ligações de Montesinos com traficantes de drogas. Como conseguiu chegar ao governo e participar ativamente da prisão de Abimael Gusman - fundador e chefe do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso - em setembro de 1992, entedeu a CIA em mantê-lo como agente remunerado. Numa verdadeira farsa, a CIA pagava a Montesinos US$ 1 milhão por ano, a título de reconhecimento pela sua luta contra o narcotráfico.

De dezembro de 1998 a abril de 1999, consta ter Montesinos enviado 18 toneladas de cocaína peruana ao Cartel de Tijuana (México), comandado pelos notórios Ramón Félix e Agustín Mendonza. E o Cartel de Tijuana sempre traficou cocaína para os EUA, pela fronteira Tijuana-San Diego e pelo Oceano Pacífico.

Em setembro de 2000, corrompeu com US$ 15 mil o congressista Alberto Kouri. Filmou a cena da entrega do dinheiro e repassou as imagens para as agências internacionais de notícias. Diante do escândalo, o governo dos EUA determinou à direção da CIA que rompesse o vínculo com Montesinos.

Depois disso e com grande surpresa, a CIA descobriu que Montesinos comprava metralhadoras AK-47 de Sarkis Soghanalian, ex-agente da CIA e o maior traficante mundial de armas - fornecedor do Iraque na guerra contra o Irã. As 9.700 metralhadoras AK47, compradas e entregues em Lima, foram revendidas por Montesinos às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Como se percebe, o julgamento de Montesinos promete surpresas. Especialemnte se Montesinos "abrir o bico" e contar como construiu, com Fujimori e o apoio da CIA, a "Narco" República do Peru.


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