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Drogas Ilícitas

 

DROGAS: de Bush a Lula, um só fracasso

Por WFM-CORREIO BRASILIENSE

O governo George W. Bush prometeu que até 2004 a oferta e o consumo de drogas ilícitas cairiam no planeta. Isso, graças às iniciativas militarizadas sustentadas na velha política norte-americana da War on Drugs (Guerra às Drogas), como, por exemplo, o despejo de herbicidas sobre os cultivos de coca na Colômbia.
Bush, insiste na War on Drugs.


Referida promessa foi adiada para 2005, pois o que se viu em 2004 foi o aumento da oferta, o crescimento da demanda e a queda dos preços. Por exemplo, uma dose de cocaína, no Reino Unido, passou a custar o preço de um cafezinho expresso

A tecnologia de ponta foi incorporada pelas organizações criminosas para ampliar lucros. No Departamento paraguaio de Canindeyú, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, o emprego de sementes de maconha geneticamente modificadas possibilita ofertas sem interrupções.
Lula,também.


Escudado nas desatualizadas Convenções das Nações Unidadas, o presidente Bush, quanto à promessa de vitória na War on Drugs, colheu mais um Iraque de derrota. A respeito, basta ler o relatório de 400 páginas, recém-divulgado pelo respeitado Washington Office on Latin América (Wola).

Nos últimos 25 anos, os sucessivos governos presidenciais do EUA investiram US$ 25 bilhões na militarização do combate à oferta de drogas proibidas na América Latina. Apesar disso, como destacou Joy Olson, diretora do Wola, basta analisar e medir o uso abusivo de drogas ilícitas nos EUA para constatar o fracasso.

Convém recordar que a política guerra às drogas, estabelecida e aplicada pelos EUA na América Latina, é alicerçada na redução de oferta, ou melhor,no truísmo de que sem oferta não existiria consumo.

Desde o governo Bill Clinton, o órgão responsável pela execução da política qntidrogas é uma agência (ONDCP) que funciona junto ao gabinete do presidente dos EUA. No governo Bush, essa agência passou a ser dirigida pelo czar antidrogas John Walthers, um proibicionista ferrenho, que se incomoda até com o uso terapêutico da erva canábica, sob prescrição médica.

Para reduzir a oferta de drogas naturais, como os arbustos de coca, a escolha recaiu no país andino com maior área de cultivo. E a partir de outubro de 2000, colocou-se em execução o Plan Colômbia, que já consumiu, em quatro anos, um total de US$ 3 bilhões.

Dessa data em diante, foram realizadas erradicações manuais e mediante o derramamento de herbicidas, pelos aviões da empresa privada norte-americana de segurança Dyn Corp. Para os presidentes Bush e Álvaro Uribe, no encontro de novembro de 2004, na cidade colombiana de Cartagena, a área de cultivo, nesse mesmo ano, foi reduzida de 180 mil para 65 mil hectares.

Na lógica concebida, a redução da oferta levaria ao aumento do preço das drogas naturais e semi-sintéticas, aquelas que usam as primeiras como matéria-prima. A conseqüência do preço alto, naturalmente, desencorajaria a compra.

Ao contrário do imaginado, o preço das drogas, em especial a cocaína, a heroína e a maconha, despencaram. Neste 2005, e a cada dia que passa, a dose custa menos. Na pesquisa realizada pelo Wola, o preço do grama da cocaína, em 1981, era cotado, nas ruas dos grandes centros urbanos norte-americanos, a US$ 55. Em junho de 2003, o valor já tinha caído para US$ 37.

Dados recentes mostram que a pedra de crack é vendida nos guetos de Los Angeles por meio dólar. Na Europa, a situação não é diferente, como se pode verificar pela bolsa-crítica, batizada ironicamente de Cow-Jones, a demonstrar que as políticas dos EUA e da ONU, a cada ano que passa, vão para o brejo. No Brasil, uma “trouxinha” de cocaína não ultrapassa R$3 no varejo das favelas cariocas, ao passo que a pedra de crak é vendida por R$ 0,50.

Ainda consoante ressaltado pelo Wola, as prisões de narcotraficantes cresceram 55% no período de 1993 a 2003, sem que a venda de cocaína fosse reduzida.

Outra surpresa do Wola para Bush mostra que o cultivo da coca, levado em conta toda a região andina, mantém, nos últimos 20 anos, uma estabilidade de 200 mil hectares.

Para o czar John Walthers, o preço da cocaína deveria começar a subir já no primeiro semestre de 2004. Agora, ele sustenta que o preço vai aumentar só em 2005. Chegou até a admitir que a tradicional coca-cana está sendo substituída na Colômbia pela espécie peruana denominada coca-tigomaria. E a togoomaria, que é mais resistente aos herbicidas jogados pelos aviões da Dyn Corp, chega a atingir 3 metros de altura, possui mais folhas e a produção de cloridrato de cocaína é oito vezes maior do que quando é empregada a coca-cana.

Para o jornalista peruano Gustavo Gorriti, contratado para trabalhar no relatório Wola, “a redução do cultivo obtido na Colômbia nos últimos anos provocou a migração do plantio para o Peru e a Bolívia”.

Na última sexta-feira (12fevreiro2005), o chefe da agência de drogas do Peru, Nils Ericsson, frisou que, em 2004, a área de cultivo de coca cresceu em 55%. E o governo Bush cortou do Peru o auxílio antidrogas de US$18 milhões.

Enquanto tudo isso ocorre, no Brasil o governo do presidente Lula só conseguiu repetir, com soluções para pior, a política de modelo norte-americano herdada de FHC.

Deveria, ao menos, acompanhar a tentativa da União Européia de estabelecer políticas e legislação, progressistas e modernas, para os Estados-membros.


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