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Drogas Ilícitas

 

O ator global Antony e a cortina de fumaça de FHC

Por IBGF/WFM

A detenção do ator global marcello Antony – surpreendido na posse de 100 gramas de maconha para uso pessoal – veio a calhar aos sustentadores da tese de culpa exclusiva do usuário pelo aumento da violência e pelo fortalecimento das associações criminosas. Lastreiam a tese e o truísmo de que sem consumo (demanda) não haveria oferta.

Nesta semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a prestigiar essa tese, em conferência a empresários. Manteve coerência com a política de drogas que legou ao País, marcada pela adesão ao falido modelo norte-americano e permissão aos arapongas da CIA, DEA e NAS para circular e grampear conversas pelo território nacional. Assim como Bush afirmou que os usuários de drogas sustentam o terrorismo e, por conseqüência, teriam responsabilidade pelo 11 de setembro e por Bin Laden, o ex-presidente FHC os colocou como bodes expiatórios da violência e da criminalidade organizada, em especial no Rio de Janeiro.

A única diferença foi a retratação de Bush diante da reação negativa da sociedade civil norte-americana. A propósito, FHC usa esses temas como cortina de fumaça. Para encobrir, além da sua política de drogas de criminalização do usuário, o Plano Nacional de Segurança Pública que deixou, de flagrante capitulação à criminalidade organizada.

Só para não esquecer, o plano de segurança de FHC, elaborado antes do “apagão”, tinha como principal meta a iluminação de vias públicas. Uma tese sustentada, em 1886, pelo italiano Enrico Ferri, na obra Sociologia Criminal: “Numa rua escura cometem-se mais crimes que alhures; bastará iluminá-la e isso se revelará mais econômico do que construir prisões”.

A culpa atribuída ao usuário tem o defeito da miopia. Ele é o elo mais fraco numa cadeia sinérgica composta pelo capital inicial, cultivo, extração, transporte, refino, distribuição, venda, corrupção, lavagem de dinheiro no sistema financeiro, lucro e reciclagem do capital limpo em atividades ilícitas ou formalmente lícitas.
Nos anos 70, o Cartel de Cali começou a ser estruturado por José Santacruz Lodoño e os irmãos Gilberto e Miguel Angel Rodríguez Orijuela. Esse cartel inovou ao buscar capitais com forças empresariais colombianas, mediante compensações lucrativas e mantido o anonimato.

Numa relação de fidúcia, os investidores recebiam dividendos muito superiores aos ofertados pelo mercado legal. Segundo alguns deles, disponibilizavam o capital sem saber em que tipo de negócio seria empregado.

O Cartel de Cali fez escola. E ocultos grupos fornecedores de capitais continuam a alavancar o narcotráfico na América do Sul. No Brasil, os serviços de inteligência, estaduais e federais, ainda não os detectaram e, consoante o ministro da Justiça, numa frase surrada e sem provas, estariam seus integrantes em luxuosos apartamentos da avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro.

Nem sinais mínimos de patologia financeira foram verificados na favela da Rocinha. Por mero acaso, descobriu-se que o chefe do tráfico, o falecido Lulu, mantinha domicílio certo, num confortável imóvel de três andares.

A agência federal de inteligência financeira (Coaf), nos últimos quatro anos do governo FHC, suspeitou de 568 casos de lavagem no Brasil. No governo Lula, até agora e passado mais de ano, nenhuma desconfiança foi anunciada.

O elo mais forte da cadeia das drogas, responsável pela disseminação da oferta, é o representado pela economia movimentada: de 3% a 5% do PIB planetário. Anualmente, o sistema bancário internacional movimenta e lava, aproximadamente, US$ 400 bilhões.

Por mero oportunismo, o ex-presidente Bill Clinton inverteu a leitura baseada na relação demanda-oferta. Clinton ressaltou que sem oferta de drogas não haveria demanda. Aí partiu para o militarizado Plano Colômbia, agora sob o comando de Bush, que envenena os campos e rios colombianos para eliminar os cultivos de coca. Resultado: a oferta e o consumo não caíram. Entram as drogas sintéticas, consumidas no Primeiro Mundo e que não necessitam da matéria-prima natural.

Falta lembrar, também, que sem insumos químicos não há refino da droga natural nem produção das sintéticas. E a Colômbia não tem indústria química. Num outro truísmo, sem precursores não haveria oferta nem demanda.

Nesse contexto, o ator Marcello Antony vira o bode da vez, enquanto FHC produz cortina de fumaça para esconder o fracasso.


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